Luis Henrique deixa o Botafogo cedo, mas o valor pago mostra como o Olympique confia em seu potencial

Luis Henrique é mais um talento que mal teve tempo para desabrochar no futebol brasileiro. Aos 18 anos, o ponta disputou 21 partidas pela equipe principal do Botafogo. Neste pouco tempo, o garoto conseguiu se tornar um xodó da torcida alvinegra e acumulou boas atuações. Insuficiente para criar raízes, mas já para atrair o interesse do Olympique de Marseille e quebrar o recorde de venda realizada pelos alvinegros. Por €12 milhões, o prodígio se mudará ao sul da França. Desse total, 40% vai para o Botafogo e outros 60% ficam com o Três Passos, clube do Rio Grande do Sul responsável por sua formação.

Nascido no interior da Paraíba, Luis Henrique tinha uma inspiração dentro de casa: seu pai, Ronaldo Tomaz, atuou em clubes paraibanos. Após pendurar as chuteiras por uma lesão, Ronaldo fundou uma escolinha na cidade de Solânea e foi por lá que o filho teve suas primeiras lições com a bola. A mudança de Luis Henrique ao Três Passos aconteceu quando tinha 14 anos, juntando-se ao clube voltado à formação de atletas. E a parceira do time gaúcho com o Botafogo levou o prodígio a General Severiano em 2019, logo pintando na equipe principal.

O acerto com o Olympique de Marseille não se baseia apenas no que Luís Henrique fez no Botafogo, embora as boas atuações recentes tenham contribuído ao negócio. O ponta é observado por alguns dos principais clubes europeus desde quando se destacava nas competições de base. Leicester e Juventus chegaram a entrar em contato com o jogador, para uma possível transferência. Já o Bayern de Munique o levou para um período de testes na Alemanha, mas a idade acabou se tornando um empecilho à mudança. A ascensão recente com a camisa alvinegra, então, valorizou ainda mais a promessa.

Depois de participar de duas partidas no Brasileirão de 2019, Luis Henrique virou um nome frequente no Botafogo a partir do Campeonato Carioca deste ano, com dois gols em dez jogos. E o início da nova campanha no Brasileiro ressaltou um pouco mais seu talento, como um ponta muito veloz e incisivo. Apesar do excesso de empates dos alvinegros nas cinco partidas nas quais o garoto atuou, ele teve grande contribuição na vitória por 2 a 1 sobre o Atlético Mineiro. Um sinal de que estaria pronto a passos maiores. Melhor ao Olympique, um clube que compartilha história com os botafoguenses, em especial pela idolatria em comum a Paulo Cézar Caju e Jairzinho.

Luis Henrique não deve ser titular de imediato no Olympique de Marseille. O dono da ponta esquerda é justamente Dimitri Payet, referência técnica dos celestes. Do outro lado, também não há muito espaço com a presença de Florian Thauvin. Mas há grande margem de crescimento ao paraibano, considerando as chances que os clubes franceses e que os próprios marselheses costumam oferecer a jovens talentos. Esta foi uma janela de transferências contida ao Olympique, na qual as principais contratações vieram ao sistema defensivo. Luis Henrique é o reforço mais caro, a um time garantido na Champions League.

A contratação de Luis Henrique, em partes, se assemelha aos casos de Gabriel Martinelli e Evanílson. São outros dois jovens que mal puderam se apresentar nas principais competições do Brasil, mas foram levados a centros importantes da Europa como nomes ao futuro. O valor desembolsado pelo Olympique de Marseille reforça esta noção. Que o Botafogo não estivesse em condições de barganhar, tanto por seu percentual quanto pela própria situação econômica, certamente a torcida alvinegra gostaria de desfrutar um pouco mais a habilidade do jovem. Em tão pouco tempo, ele já deixou uma ótima impressão, e assim parte à Ligue 1.