O técnico Luis Enrique foi apresentado novamente como técnico da seleção espanhola, mas diferente da primeira vez, que foi mais cheia de sorrisos, desta vez foi preciso dar muitas explicações. Em junho, o treinador deixou a seleção por problemas pessoais – cuidar da saúde da filha. A morte trágica da sua filha, de 9 anos, gerou muita tristeza e comoção pela Espanha. Robert Moreno, seu auxiliar, assumiu, manteve o barco em curso, classificou o time, mas foi anunciado, no dia 19 de novembro, que ele deixaria o cargo para a volta de Luis Enrique. E as polêmicas surgiram. Robert Moreno se sentiu traído e Luis Enrique também. Foi esse o assunto central na sua coletiva de apresentação, novamente, como treinador da Roja.

“É um dia muito especial para mim e minha família. Volto para casa para acabar um projeto. Me vejo obrigado a dar muito mais explicações do que eu gostaria. Fujo de polêmicas, mas essa polêmica foi gerada por uma pessoa que trabalhou muito tempo ao meu lado na comissão técnica. Tratarei de me colocar no lugar da outra parte”, disse o treinador.

“Moreno queria ser o técnico na Eurocopa”

“O único responsável que Robert Moreno não esteja na minha comissão técnica sou eu. Ninguém mais. O desencontro foi no dia 12 de setembro, em uma reunião na minha casa. Me disse que queria ser o técnico na Eurocopa e que depois estaria à minha disposição como auxiliar”, contou Luis Enrique.

“Não me surpreendeu, pelos acontecimentos. Eu entendo, porque é ambicioso, e isso é bom. Mas é desleal, e isso para mim é um grande defeito. Não quero gente assim na minha comissão técnica. Eu disse a ele que estou forte e com vontade, mas que ele nunca iria estar na minha equipe. Acabou a reunião de maneira cordial. Chamei a cada membro da minha comissão técnica e pedi a eles que ninguém interpretasse minhas palavras”, explicou ainda o treinador.

“Nunca liguei para a federação e se alguém o fez em meu nome não foi com a minha aprovação. Ao final de outubro, isso muda. Nos reunimos em Zaragoza com o presidente e [José] Molina [diretor  da Federação Espanhola]. Disse a eles que não havia nenhum compromisso comigo, nada que teriam que respeitar”, continuou o treinador, ex-Celta e Barcelona. “Não me sinto orgulhoso de como acabou tudo. Somos espelho pelos valores que devemos transmitir. Leais, honestos e sinceros, é Luis Rubiales e Molina tem sido comigo”.

“Pensei se era melhor deixar que ele [Robert Moreno] seguisse até a Eurocopa. Mas seria o que de mais falso eu poderia fazer. Me sinto orgulhoso da decisão que tomei”, disse Luis Enrique sobre a possibilidade de atender ao desejo do antigo treinador e seu ex-auxiliar. “Não me arrependo de nada, mas não gosto do que aconteceu”.

“Estou animado, um pouco mais magro, mas em forma”, declarou ainda o técnico. “Estou aqui porque o presidente e Molina me chamaram. Acredito que fui claro. Está a minha forma de contar a história. Não há outra maneira de contá-la para mim”.

“Na vida, as situações te dão a você a oportunidade de conhecer pessoas, de ver quem é o seu amigo e quem não é. Eu não teria feito isso”, continuou o treinador, que ainda comentou sobre Robert Moreno. “Sobre o profissional, não tinha dúvida. No pessoal, acreditei em algo que ele não era. Não sou o mocinho do filme, tampouco o vilão”.

Sobre o time: “Não há nada a consertar”

“Não há nada a consertar. A ideia é a mesma. Vamos continuar trabalhando da mesma maneira. Os jogadores podem estar muito tranquilos se renderem. Temos uma equipe e muito boa”, analisou Luis Enrique.

“Estou muito bem [em ânimo]. Esta é uma conversa mais que uma apresentação. Estou muito contente. É uma continuação. Muito rapidamente me deu conta que queria voltar a demonstrar que a vida continua”, seguiu o técnico.

“Não me cerco de incapazes”

“Passaram muitos meses e não quero recordar aqueles dias. Deu a minha opinião, mas não estava com disposição para dar conselhos. Me senti muito respaldado naquelas horas com a federação. Eu disse ao presidente que poderia confiar na minha comissão técnica. Não me rodeio de incapazes, ainda que possa me equivocar a nível pessoal, como se viu”.

“A morte nos ensina muitas coisas”

“Eu recebi uma ligação de um clube estrangeiro. Mas a Federação eu sempre teria dito sim, desde o dia seguinte da minha situação”, declarou o treinador, sobre a sua volta. “Foram meses muito desagradáveis para todos. Temos sentido o respeito de muita gente. Os minutos de silêncio foram impactantes. Nunca esqueceremos. Na minha comissão técnica, não há ninguém que não queira estar. Não obrigo ninguém a estar na minha equipe”.

“Eu penso, como fazemos todos, que a minha família é a melhor. Estou orgulhoso da minha mulher. Na morte, aprendemos muitas coisas. Cada pessoa sente de uma maneira. Não há uma fórmula. Me sinto muito orgulhoso da coragem que enfrentamos tudo isso”, continuou o técnico.

“Eu não gosto de contratos longos, mas estou encantado por assinar por três anos. Mas não tenho nenhum problema se a Federação pensa que não é o melhor. Não aconteceu comigo e espero que seja o mesmo aqui.