Imagine se o seu time tivesse que viajar cerca de 6 mil km, em média, a cada 15 dias, para disputar um jogo do campeonato nacional? Algo quase que inimaginável. De São Paulo a Belém, por exemplo, o percurso não chega a 3 mil km.

É exatamente essa situação, no mínimo exótica, que é enfrentada pelo Luch-Energiya na Premier League russa. O clube é da cidade de Vladivostok, no estremo oriente da Rússia, perto da Coréia do Sul e Japão, enquanto a maioria dos outros times é da região de Moscou.

Traduzido o nome da cidade, capital do Estado de Primorsky Krai, Vladivostok, de 600 mil habitantes e que pertenceu a China até 1860, significa “controlando o leste”. E é justamente dessa cidade, tão importante na história russa, que surge o caçula da primeira divisão do país neste ano.

O clube assegurou participação Premier League ao se sagrar campeão da segunda divisão em 2005. É a segunda vez na história que o clube participa da principal competição entre clubes russos. Em 1993 o Luch-Energiya fez uma péssima campanha e logo foi rebaixado.

Mas a história desse time, apesar de relativamente nova (o Luch foi fundado em 1958), é cheia de percalços.

Quando surgiu, seu primeiro nome foi Dínamo Vladivostok, idéia que perdurou apenas em seu primeiro ano de vida. Logo o clube passou a se chamar Luch, ainda sem o Energiya.

Ainda nos tempos da antiga União Soviética, o Luch disputava as divisões menores do campeonato nacional. Isso mudou a partir de 1972, quando o time se manteve na segunda divisão do campeonato do leste soviético até 1991. O máximo que conseguiu nesse período foi um vice-campeonato em 1984.

Com o fim da URSS, o Luch passou a disputar, a partir de 1992, a segunda divisão russa, quando, quase como um milagre, venceu a disputa e jogou, em 1993, como já foi dito, a Premier League.

Daí em diante o declínio voltou a assombrar o Dínamo Stadium. De 1994 a 97 foram três anos na segundona russa. Mais um rebaixamento e cinco penosos anos na terceira divisão.

A retomada

Mas as coisas começaram a melhorar a partir de 2002, com a chegada do empresário Victor Myasnik, que se enriquecera rapidamente, em uma das muitas desastradas privatizações de empresas estatais soviéticas, pós o desmanche da URSS. Myasnik é dono da Fenec (empresa energética do extremo oriente russo).

Com isso, a primeira medida foi mudar o nome do clube de Luch para Luch-Energiya. Os investimentos apareceram e, logo em 2003, o time se tornou campeão da terceira divisão (disputada regionalmente) e, dois anos mais tarde, o tão esperado retorno à Premier League.

Atualmente o Luch-Energyia faz um bom papel na principal divisão russa e espera se manter longe do rebaixamento. Na verdade, as expectativas de sua diretoria é que o clube consiga, até mesmo, uma vaga em competições européias.

Se isso acontecer, o time, que conta com um brasileiro no elenco há um bom tempo, Willer Souza Oliveira (25 anos, ex- Itapipoca, Independiente-ARG, Anzhi Makhachkala-RUS e Dynamo Bryansk-RUS), enfrentará viagens muito mais longas do que as que faz à Moscou.


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