Aparentemente, pode durar menos de uma semana a passagem de Mircea Lucescu como novo técnico do Dynamo Kiev. A torcida do Shakhtar Donetsk certamente ficou sentida com a “casaca” do homem que transformou a história do clube e conquistou oito títulos do Campeonato Ucraniano, além de uma Liga Europa. Porém, quem tende a forçar a saída prematura do romeno são os próprios ultras do Dynamo, que publicaram uma carta repudiando a escolha da diretoria. Sendo assim, Lucescu preferiu não esperar e colocou seu cargo à disposição. O clube, entretanto, anunciou nesta segunda que a demissão não é concreta e que o romeno está a caminho de Kiev.

“Não posso aceitar que nossos próprios torcedores ajam contra os interesses do clube. Infelizmente, eu decidi desistir da possível colaboração com o Dynamo. Agradeço à família Surkis pela confiança depositada em mim e pelo convite feito, mas é impossível trabalhar em um ambiente hostil, sem o apoio dos ultras, de quem o clube precisa bastante nestes momentos. Gostaria de voltar a uma competição como a que tínhamos anos atrás. Queria muita empolgação nas arquibancadas. A Ucrânia merecia isso”, declarou Lucescu, em aspas publicadas pelo jornal romeno Gazeta Sporturilor.

Segundo o empresário de Lucescu, as afirmações estavam presentes em um e-mail do treinador ao presidente do Dynamo, Igor Surkis. O conteúdo da carta, de alguma maneira, foi vazado à imprensa romena. “A conversa ocorreu no sábado. Se alguém quiser, posso mostrar tudo. Temos um avião para Kiev na manhã desta terça. Lucescu é o treinador do Dynamo. Com esta carta, ele queria mostrar que não está preso ao cargo, que não tinha ido atrás de dinheiro. Se a chegada interferir no Dynamo, ele sairá com calma. A imagem do clube é muito mais importante”, explicou o agente, Arkady Zaporozhan, ao site ucraniano Tribuna.

O clube ainda tenta sustentar a situação e evitar a demissão. Em nota, garantiu que Lucescu permanece no cargo por ora. Na última semana, o comunicado assinado pelos ultras do Dynamo Kiev mencionava episódios ocorridos quando o romeno ainda era treinador do Shakhtar. Relembrava de declarações em que o comandante ofendia e menosprezava o clube de Kiev. Por isso, ele não seria bem aceito pelos alviazuis.

Prestes a completar 75 anos, Lucescu havia assinado por duas temporadas com o Dynamo Kiev, com possível extensão a mais uma campanha. Antigos ídolos alviazuis também se juntaram às críticas feitas pelos ultras, como Oleg Blokhin e Igor Belanov – vencedores da Bola de Ouro pelo clube, que também chegaram a trabalhar na comissão técnica do Dynamo enquanto Lucescu estava no Shakhtar. Blokhin, inclusive, era o treinador principal dos rivais nas últimas taças do romeno em Donetsk.

Vale lembrar que Lucescu chegou a trocar rivais nos tempos de Turquia. Campeão da Süper Lig com o Galatasaray em 2002, o romeno não teve seu contrato renovado e seguiu para o Besiktas, levando a taça também com as Águias em 2003. Porém, não havia uma identificação tão forte quanto a que nota-se com o Shakhtar. Resta saber o quanto as duas partes estarão interessadas em enfrentar a resistência dos ultras. Vice-campeão ucraniano, o Dynamo terminou a campanha 23 pontos atrás do Shakhtar e correu riscos de sequer ficar com a segunda colocação. Por sorte, se manteve acima dos demais concorrentes e disputará as preliminares da próxima Champions League.