Lucas Pratto é exatamente o que o São Paulo precisava. Um centroavante muito capaz, que sabe fazer gols e se dedica muito em campo. Um negócio surpreendente, considerando a situação financeira do São Paulo nos últimos meses – precisando vender jogador para fechar a conta, inclusive. Uma série de fatores levou o negócio a ser possível: o caldo político no Morumbi, o fechamento da janela e a necessidade de vender do Atlético Mineiro e uma oportunidade que foi abraçado por clube e jogador.

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O São Paulo contratar Lucas Pratto era absolutamente improvável no começo de janeiro. Mesmo assim, o negócio saiu e o argentino vem para São Paulo, abrindo mão de jogar em um time mais forte, que disputará a Libertadores, tem elenco para brigar pelo título brasileiro, mas onde não era um titular absoluto. Vem para o time do Morumbi sabendo que jogará sempre, mesmo sabendo que é um time em um nível mais baixo neste momento. Este, claro, é um aspecto importante para alguém que passou a ser convocado para a seleção argentina e, mais, terminou o ano como titular do time nas Eliminatórias. Jogar é fundamental, porque a concorrência de Pratto na albiceleste é pesada, com nomes como Higuaín, Agüero e até Icardi, que nem é chamado.

Um jogador que não parecia possível para o São Paulo. Pratto é um jogador caro, com salário alto e, supostamente, com mercado no exterior. Além disso, o São Paulo não tem dinheiro, certo? Ao menos foi o que o clube alegou como motivo para vender David Neres ao Ajax por € 15 milhões (com € 12 milhões à vista e outros € 3 milhões por objetivos). Em reais, R$ 40 milhões à vista e mais R$ 10 milhões por objetivos, aproximadamente. A venda foi oficializada no dia 31 de janeiro, último dia da janela de transferências da Europa. O que mudou?

O São Paulo precisava vender jogadores. A informação era que o clube contava com R$ milhões em vendas de jogadores. Conseguiu R$ 40 milhões logo no primeiro mês, o que foi surpreendente. A estreia do time tomando 4 a 2 do Audax, somado aos rivais se reforçando criaram uma pressão grande na diretoria. E a eleição presidencial é em abril. Seria difícil o time ficar sofrendo até lá, um dano que a atual gestão poderia pagar perdendo o pleito eleitoral. A torcida pedindo contratações de peso e vendo o melhor jogador da base ser vendido.

Lucas Pratto, atacante da Argentina (AP Photo/Natacha Pisarenko)
Lucas Pratto, atacante da Argentina (AP Photo/Natacha Pisarenko)

Com toda essa situação, surgiu a oportunidade de contratar Lucas Pratto. O presidente do Atlético Mineiro, Daniel Nepomuceno, revelou, em entrevista coletiva antes do jogo contra o Joinville, que Pratto pediu para ser negociado nesta janela. Até aí, nenhuma novidade. O próprio presidente confirmou que a contratação de Fred, em junho de 2016, já foi feita pensando na saída do argentino. Nepomuceno afirmou que chegaram três propostas pelo atacante que eram boas para o clube, mas pediu para o jogador ficar. E ele ficou. Em janeiro, pediu para ser negociado.

O próprio Pratto falou, na mesma coletiva de imprensa, que a expectativa era ir para a Europa, mas a proposta não veio. A janela se fechou para a Europa. Sobrou só a China. Com a folha salarial alta, o Atlético ficou mais disposto a vender Pratto. E surge a proposta do São Paulo que, neste momento, não é um concorrente pela Libertadores, como era o Palmeiras, por exemplo. E a proposta acaba sendo boa: € 6,3 milhões (algo em torno de R$ 21 milhões) por 50% dos direitos do argentino, de 28 anos.

Tecnicamente, é exatamente o que o São Paulo precisava. O time tem deficiências ofensivas sérias e uma delas é finalizar. Faltava um jogador mais qualificado para atuar no centro do ataque. Com ele, o time ganha uma opção de um centroavante de alto nível. Mesmo que Pratto não seja um goleador nato, ele é um bom finalizador, trabalha muito pelo time e dá opções, inclusive abrindo espaços para os outros jogadores.

A questão, para o São Paulo, é a questão financeira. Com a venda de David Neres, o time estava tranquilo. Com a contratação de Pratto, novas vendas deverão ser feitas. Segundo o Terra, a venda de Lyanco ao Atlético de Madrid por € 6 milhões (R$ 20 milhões) permitiu ao São Paulo investir em Pratto.

É provável também que o São Paulo venda mais um ou dois jogadores na janela europeia do meio do ano. Os principais candidatos são Rodrigo Caio, zagueiro valorizado e que tem aparecido em convocações da seleção, e Luiz Araújo, que já recebeu propostas nesta janela de janeiro.

Rogério Ceni certamente sorri. O time ainda precisa de um lateral esquerdo, porque só tem a opção de Junior Tavares, jogadores da base. Mas a chegada de Pratto, e possivelmente de Jucilei, ajudam o técnico a ter opções melhores. E a torcida passa a ter um candidato a queridinho. Pratto, esforçado como é, será adorado pela torcida se conseguir entregar a mesma qualidade que apresentou no Atlético Mineiro.