Em uma Libertadores de tantas camisas pesadas avançando aos mata-matas, terminar a fase de grupos na primeira colocação não é necessariamente garantia de pegar um adversário mais sossegado nas oitavas de final. Ainda assim, a liderança é importante pelo mando de campo, permitindo decidir mais partidas em casa. E o Grêmio, com certa dose de esforço, assegurou a ponta do Grupo 1. O time de Renato Portaluppi dominou a partida, mas teve dificuldades para criar na Arena. Caberia a Luan desequilibrar. Um lindo chute do camisa 7 determinou a vitória dos tricolores sobre o Defensor por 1 a 0, que leva a equipe aos 14 pontos, um a mais que o Cerro Porteño em sua chave.

O Grêmio sente as ausências de Arthur e Everton, lesionados. Não tem a mesma fluidez no meio-campo, sem o garoto capaz de ditar o ritmo e as quebras; e perde o ponta incisivo, melhor jogador tricolor no ano, que faz estrago nas defesas com suas infiltrações. Na ausência da dupla, os gremistas se tornam mais previsíveis, mesmo que outros valores estivessem em campo. Diante da postura recuada do Defensor, faltava penetração, até pela ausência de Jael, outro desfalque da noite – substituído pelo garoto Thonny Anderson.

Foi um primeiro tempo bastante modorrento. O Grêmio mantinha a posse de bola e acuava o Defensor, mas não demonstrava ímpeto e mal ameaçou a meta adversária. Do outro lado, os uruguaios criaram a primeira chance de gol aos sete minutos, em uma de suas raras escapadas. Matías Cabrera bateu e parou em Marcelo Grohe. Mas não que os violetas tenham feito mais. O controle era todo gremista, o que não significava muito, considerando os insistente erros que irritavam Renato e a incapacidade de furar a retranca visitante. Somente aos 40 é que os gaúchos assustaram um pouco mais, em chute de Marcelo Oliveira. Não à toa, na saída do intervalo, parte da torcida na Arena vaiou a falta de futebol.

A vitória parcial do Cerro Porteño contra o Monagas pressionava o Grêmio, se quisesse mesmo terminar com a liderança do grupo. Por isso, os tricolores voltaram ao segundo tempo com uma postura mais agressiva. Kannemann era um daqueles que tentavam criar algo diferente no ataque, enquanto os chutes de longe passaram a acontecer com mais frequência, um caminho óbvio a romper o ferrolho. Assim, os gremistas acharam o gol da vitória aos 20 minutos. A jogada de Luan parecia um tanto quanto despretensiosa, ante a quantidade de gente à sua frente. Ainda assim, o camisa 7 arriscou o chute de longe e foi extremamente feliz. A bola morreu no canto do goleiro Gastón Rodríguez, que pulou atrasado. Nada que tirasse os méritos do talento, tirando o coelho da cartola.

O Defensor, que gastava o tempo, passou a correr riscos de perder a terceira colocação no Grupo 1. De qualquer forma, o time não mostrava qualidade para se impor no campo de ataque e ameaçar o Grêmio. A partida seguiu ao ritmo dos tricolores, entre uma aproximação ou outra, nada tão perigoso. Somente no finalzinho é que os gaúchos arriscaram dois bons chutes, com Thaciano mandando para fora e Maicon parando em defesa do goleiro Rodríguez. Já do outro lado, uma confusão na área quase complicou o Grêmio, mas a defesa neutralizou. Nada que atrapalhasse a comemoração dos anfitriões, com o resultado que confirmou a primeira posição, sem tanto ânimo com isso.

O Grêmio soma 14 pontos, dono da segunda melhor campanha da fase de grupos da Libertadores – abaixo apenas do Palmeiras. Vai ter preferência no mando de campo na maioria absoluta dos chaveamentos, jogando a segunda em casa. Avança no Grupo 1 ao lado do Cerro Porteño, que fechou sua participação batendo o Monagas por 3 a 2. Apesar de alguns deslizes e de partidas pouco empolgantes, o tricampeão da América se reafirmou nesta etapa inicial, especialmente quando mostrou seu melhor futebol contra o Cerro Porteño. É um dos candidatos ao título, ainda que fiquem incertezas sobre quais mudanças o time sofrerá após a Copa do Mundo.