Para os Jogos de 1984, a Ffa e o COI decidiram mudar a regra que permitia apenas a participação de atletas oficialmente amadores no futebol. Era uma forma de valorizar e dar um tom mais realista ao torneio, dominado por países da Europa Oriental desde 1952. Foi até um momento oportuno, pois o boicote liderado pela União Soviética tirou praticamente todos os países comunistas da disputa. A partir das Olimpíadas de Los Angeles, poderiam disputar os Jogos atletas profissionais que nunca tivessem participado de Copas do Mundo.

Era a brecha que o Brasil precisava para sonhar pela primeira vez com o ouro olímpico. O fato de muitos clubes não haverem cedido seus jogadores não tirou as possibilidades daquela seleção, composta basicamente por atletas do Internacional e dirigido por Jair Picerni, técnico do Corinthians na época.

A primeira fase deu motivos para otimismo, com 100% de aproveitamento em um grupo que tinha a Alemanha Ocidental (com os futuros campeões mundiais Brehme e Buchwald), Marrocos (time que viria a se tornar a revelação da Copa de 86) e Arábia Saudita. Os alemães-ocidentais ficaram com o segundo lugar na chave.

Nas outras chaves também não houve grandes surpresas. França e Chile superaram Noruega e Catar, Iugoslávia (único país do Leste Europeu a disputar o futebol olímpico em 84) e Canadá passaram por Camarões (de Roger Milla) e Iraque e Itália e Egito deixaram pelo caminho Estados Unidos e Costa Rica.

Nas quartas-de-final o basil teve problemas. Após um empate em 1×1 com o Canadá (o gol brasileiro foi de Gilmar Popoca), a vaga nas semifinais foi decidida nos pênaltis. O Brasil venceu por 5×3 e continuou sua busca pelo ouro. O favoritismo também prevaleceu nas outras partidas, com vitórias de Itália, França e Iugoslávia sobre Chile, Egito e Alemanha Ocidental.

O Brasil decidiu com a Itália uma vaga na final e a garantia da conquista de uma medalha olímpica. A azzurra também estava com um time forte, com Tancredi, Vierchowod, Ferri, Filippo Galli, Franco Baresi, Bagni, Serena, Fanna e Massaro. O jogo terminou em 1×1, mas, na prorrogação, um gol do lateral-direito Ronaldo deu a vitória ao Brasil. Na outra semifinal, a França fez 2×0 no primeiro tempo, mas permitiu o empate iugoslavo. No prolongamento, os franceses fizeram mais dois gols e também chegaram à sua primeira final olímpica na modalidade.

Para azar do Brasil, 1984 parecia ser o ano da França. A seleção principal conquistara, em casa, a Eurocopa dois meses antes. Em Los Angeles, foi a vez da equipe olímpica garantir um título ao futebol gaulês. A vitória por 2×0 sobre o Brasil veio com dois gols no segundo tempo. Ainda assim, a prata foi o melhor resultado dos brasileiros na história do futebol olímpico.

FICHA TÉCNICA
França 2×0 Brasil
Local: estádio Rose Bowl (Los Angeles-EUA)
Público: 101.970
Árbitro: Jan Keizer (Holanda)
França: Rust; Jeannol, Bibard, Zanon e Ayache; Lacombe, Bijotat e Rohr; Lemoult, Brisson (Garande) e Xuereb (Cubaynes)
Brasil: Gilmar; Ronaldo, Pinga, Mauro Galvão e André Luís; Dunga, Ademir e Tonho (Milton Cruz); Silvinho, Gilmar Popoca e Kita (Chicão)
Gols: Brisson (10/2º) e Xuereb (17/2º)

Classificação final: 1º França 2º Brasil, 3º Iugoslávia, 4º Itália, 5º Alemanha Ocidental, 6º Canadá, 7º Chile, 8º Egito, 9º Estados Unidos, 10º Noruega, 11º Camarões, 12º Marrocos, 13º Costa Rica, 14º Iraque, 15º Catar, 16º Arábia Saudita

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