O Corinthians nunca havia sido eliminado da Copa do Brasil por uma equipe que não estivesse na elite do futebol brasileiro Era o único clube do país capaz de ostentar  esse orgulho. Era. Calhou que a primeira equipe de fora da primeira divisão a retirá-lo do torneio mata-mata fosse o Internacional que – os Colorados esperam – está apenas de passagem pela Segundona. E foi em um jogo nervoso, com chances para os dois lados, no qual os goleiros foram muito bem. No fim, Marcelo Lomba brilhou mais, como havia feito no jogo de ida, e, além das defesas com a bola rolando, defendeu dois pênaltis e ajudou a colocar sua equipe nas oitavas de final.

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O que aconteceu nos primeiros dez minutos condicionou o resto da partida. O Corinthians abriu o placar aos 7 minutos, de maneira levemente fortuita. Fágner cobrou lateral para dentro da área, Jô tentou dominar e tocou-a com o biquinho da chuteira. Acabou enganando toda a defesa colorada e deu uma “assistência” sem querer para Maycon, livre. Bateu de primeira e abriu o placar. Logo na sequência, Jô disparou em contra-ataque e chutou para fora. Por pouco.

O Corinthians já havia entrado em campo no Itaquerão com o placar que precisava para se classificar, graças ao gol marcado no Beira-Rio. Com 1 a 0, tinha até uma pequena folga. Passou a administrar a partida, sem acelerar no ataque, sem pressa. Cozinhou o galo. O problema: ainda faltavam 80 minutos de futebol e muita coisa pode acontecer em 80 minutos de futebol. Aos 22, um cruzamento de Uendell quase encontrou a cabeça de Brenner. Mas a melhor chance antes do intervalo ainda seria do Corinthians: Rodriguinho soltou com Fágner, que foi ao fundo e devolveu para o meia, que abriu com Romero. O chute do paraguaio foi bem defendido por Marcelo Lomba.

No começo do segundo tempo, o Corinthians desperdiçou outra grande oportunidade. Jádson deu bom lançamento para Romero pela esquerda, e o cruzamento encontrou Rodriguinho, livre, dentro da área. A cabeçada passou perto da trave. O Internacional havia se livrado de alguns perigos e precisava começar a ameaçar o gol corintiano. Cássio defendeu cabeçada de Léo Ortiz. Defendeu chute de fora da área de Anselmo. Defendeu cabeçada de Carlos. Mas, no rebote desse último lance, Nico López bateu cruzado e acertou Fágner. Gol contra.

Agora a realidade era a disputa de pênaltis, pela qual o Corinthians já havia passado no duelo contra o Brusque e queria evitar. Quase marcou o segundo em cabeçada de Pablo, mais uma vez muito bem defendida por Marcelo Lomba, aos 38. Quatro minutos depois, Clayton recolheu desvio de Jô e, de frente para o gol, chutou por cima. À queima-roupa, Jô tentou fuzilar Lomba, que executou outra grande defesa. Nos acréscimos, Cássio teve que trabalhar duas vezes para que a partida realmente fosse para a marca do cal.

O primeiro a errar foi William, que chutou para fora. Maycon bateu para defesa de Lomba. Marquinhos Gabriel, também. Léo Ortiz poderia classificar o Internacional, mas Cássio defendeu. Apesar de apenas duas intervenções nos pênaltis, Lomba estava acertando constantemente os cantos e colocando pressão nos batedores. Guilherme Arana tentou bater bem demais, no ângulo, e errou o pé. Chutou para fora: 4 a 3 para o Internacional, que segue vivo na Copa do Brasil, a melhor oportunidade de conquistar um título relevante na temporada em que tentará retornar à primeira divisão. Seria, também, uma chance boa para o Corinthians, que agora se concentra na semifinal do Paulistão contra o São Paulo, no domingo.