O adversário do RB Leipzig em seu primeiro mata-mata de Champions League era o atual vice-campeão europeu, mas, em campo, foi o novato quem se mostrou o melhor time, ao longo dos 180 minutos das oitavas de final, e em nenhum momento pareceu ameaçado. A vitória por 3 a 0 sobre o Tottenham nesta terça-feira foi construída com a ajuda do goleiro Hugo Lloris, mas a superioridade alemã sempre esteve clara.

O Tottenham teve sorte de perder o jogo de ida, em casa, por apenas 1 a 0, e, por mais que os desfalques e Harry Kane e Son sejam relevantes, uma linha ofensiva com Lamela, Dele Alli, Lo Celso e Lucas Moura deveria ser capaz e criar mais do que duas chances de gol em uma partida na qual precisava marcar várias vezes.

E não há desculpas para o desempenho defensivo do Tottenham, vazado nos últimos oito jogos, há seis sem vencer, com quatro derrotas e duas eliminações. Desde a chegada de Mourinho, famoso por fortes defesas em seus tempos áureos, os Spurs não levaram gol em apenas três das 26 partidas disputadas.

O primeiro tempo não deixou dúvidas sobre qual dos times é mais bem treinado. O RB Leipzig tinha válvulas de escape, um plano para chegar ao campo de ataque, enquanto o Tottenham parecia começar a pensar nisso apenas quando recuperava a bola e encontrava poucas respostas além de correria, bolas esticadas ou cruzamentos que Lucas Moura nunca alcançaria.

Essa diferença nem se traduziu em um volume de jogo tão grande dos donos da casa, mas Hugo Lloris deu sua contribuição em duas jogadas nas quais poderia ter ido muito melhor. Aos 10 minutos, Timo Werner recebeu livre dentro da área e carimbou Eric Dir, formando o trio de defesa com Alderweireld e Tanganga. Ficou com o rebote e rolou para Sabitzer bater cruzado e rasteiro. O goleiro francês chegou a tocar na bola antes de vê-la entrar.

O gol anulado de Werner, aos 21 minutos, mostrou bem a consciência com a qual o Leipzig tocava a bola. Começou pela direita, foi de pé em pé até achar Angeliño na ponta esquerda. O cruzamento rasteiro chegou a Werner na boca do gol, mas o artilheiro dos alemães estava impedido na hora do passe.

O lateral esquerdo emprestado pelo Manchester City aproveitava bem as costas de Serge Aurier, que generosamente pode ser descrito como irregular. Aos 21 minutos, cabeceou para trás a inversão de jogo e deixou Angeliño livre para cruzar. Sabitzer apareceu na primeira trave e desviou de cabeça. Lloris estava na bola, mas não deixou a mão tão firme e aceitou o segundo gol do Leipzig.

O Tottenham agora precisava fazer três gols para passar às quartas de final, mas ainda não havia acertado um chute às traves de Péter Gulácsi. Isso mudou, aos 41 minutos, quando Lo Celso fez jogada individual pela direita e bateu colocado. O goleiro do Leipzig espalmou. Antes do intervalo, Lloris fez, enfim, uma grande defesa para evitar o gol sem querer de Shick, carimbado quando Dier tentava afastar a bola na entrada da pequena área.

O segundo tempo, na prática, não precisava nem ter acontecido. O Leipzig apenas administrava a partida, e o Tottenham não fazia ideia de como voltar para ela. Criou uma chance boa quando Lucas Moura, um herói solitário no ataque inglês, fez boa jogada pela esquerda e rolou para Dele Alli chegar batendo de primeira, mas fraco e direto nas mãos de Gulácsi.

Iluminado, Forsberg fechou o placar pegando o rebote da dividida de Tyler Adams com a defesa do Tottenham, após outro cruzamento de Angeliño, menos de um minuto depois de entrar em campo no lugar de Sabitzer, o grande herói da classificação.

No fim das contas, o placar agregado de 4 a 0 refletiu a distância entre os dois times no momento o que o Leipzig demonstrou em campo, mais do que o bastante para lhe vale uma vaga entre os oito melhores da Europa.

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