Não muito tempo atrás, o Liverpool viajaria para enfrentar o Bayern de Munique, na Allianz Arena, como zebra. Os bávaros faziam parte de um trio de elite da Champions League, ao lado de Barcelona e Real Madrid, enquanto os ingleses sofriam para meramente se classificar para o principal torneio europeu. Evidência de como o futebol é dinâmico, e o tempo trata de inverter papéis, os Reds, sem precisar brilhar, venceram o Bayern por 3 a 1, fora de casa, e passaram às quartas de final com certa tranquilidade.

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O Liverpool progride sob o comando de Jürgen Klopp. Busca um equilíbrio entre uma defesa sólida, liderada pelo excelente Virgil Van Dijk, e um ataque que empolgou a Europa na temporada passada e tem encontrado dificuldades nesta campanha. A atuação em Munique ficou próxima desse equilíbrio: longe de ser brilhante, Alisson foi pouco ameaçado e os atacantes conseguiram ser perigosos com frequência. Foi o jogo de um time mais maduro, que conseguiu passar a maior parte do tempo no controle e está entre os oito melhores do continente pela segunda vez seguida.

O Bayern de Munique pode completar uma incrível reviravolta na Bundesliga, superando o Borussia Dortmund, mas, nesta partida, ficou escancarado como, no momento, está longe dos principais times da Europa. Depois de um 0 a 0 equilibrado em Anfield, conseguiu colocar o Liverpool em apuros apenas brevemente no final do primeiro tempo. Teve quase 60% de posse de bola, sem criar perigo. As duas finalizações corretas foram facilmente defendidas por Alisson. É a primeira vez desde 2010/11 que os bávaros param nas oitavas de final. Colecionavam sete classificações seguidas.

Parece urgente a renovação do elenco do Bayern. Gnabry, pela esquerda, foi novamente o mais perigoso, como no jogo de ida, fazendo com que o quase sempre seguro Robertson parecesse frágil na defesa. Como esperado, o Liverpool deixou a bola com o time da casa, ciente de que um gol que fizesse complicaria demais a vida do adversário. Com mais espaços, conseguiu ter um jogo razoável na criação. Firmino levou perigo de fora da área, um minuto antes de Sadio Mané abrir o placar com uma pintura.

Van Dijk deu o lançamento. Mané saiu nas costas de Rafinha, e Neuer, sempre ligado para interceptar bolas longas, saiu do gol. No entanto, esta não era uma situação que exigia esse tipo de ação do goleiro alemão. Porque o senegalês já havia dominado o passe e não teve dificuldade para driblar o bote seco de Neuer com o pé direito. Com o esquerdo, emendou para as redes e fez 1 a 0.

 

Com vantagem no placar, o Liverpool estava no controle. Robertson quase ampliou, recebendo de Mané na ultrapassagem, mas Neuer fez boa defesa. Outro lançamento, no outro lado, pegou Gnabry nas costas do lateral escocês, e o cruzamento rasteiro foi desviado por Matip contra as próprias redes. A favor do camaronês, Lewandowski certamente faria o gol se ele não tivesse tentado afastar.

 

A partida seguiu com dinâmica parecida até os 23 minutos do segundo tempo. Milner cobrou escanteio e Van Dijk subiu muito alto para cabecear às redes e praticamente matar o confronto. Ainda deu tempo de Salah descolar um lindo cruzamento para Mané fazer 3 a 1, também com a testa. E, enquanto era eliminado, o Bayern de Munique foi incapaz de mudar o panorama da partida e sequer pressionar o adversário.

A temporada do Liverpool ainda é de altos e baixos, com mais jogos pouco inspirados do que brilhantes. Mas está clara a busca de Klopp por um time mais equilibrado e maduro. Esse time apareceu em Munique para vencer o Bayern com certa tranquilidade, situação que, alguns anos atrás, torcedores ingleses e alemães não conseguiriam imaginar.

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