A tabela se prometia indigesta. O Liverpool acumulava confrontos difíceis nas primeiras cinco rodadas da Premier League. Visitaria Londres três vezes, contra os três principais clubes da capital. E o saldo é bastante positivo para os Reds, após baterem o Arsenal e empatarem com o Tottenham. O time de Jürgen Klopp conquistou outro resultado expressivo, ao derrotar o Chelsea dentro de Stamford Bridge nesta sexta. Dominantes principalmente no primeiro tempo, os visitantes construíram a vitória por 2 a 1 antes do intervalo. Sobem para 10 pontos, igualando os Blues e assumindo provisoriamente a quarta colocação. Uma exibição digna de muitos elogios, para uma equipe que cresce de produção em relação à temporada passada.

Diante do padrão de jogo das duas equipes, era de se esperar que o Liverpool ditasse o ritmo do jogo e o Chelsea esperasse um pouco mais na defesa para dar o bote. Entretanto, os Reds tiveram a partida totalmente em seu controle. Buscavam os espaços no ataque e mal deixavam o meio-campo londrino trabalhar. Diego Costa, bastante isolado, mal aparecia. E o gol aconteceu naturalmente, em uma falha de posicionamento na defesa de Antonio Conte. Philippe Coutinho cruzou e três jogadores apareceram livres nas costas da zaga, em rombo pelo lado de Azpilicueta. Coube a Lovren abrir o placar aos 17 minutos.

O Chelsea mal fazia cócegas no Liverpool. Tentou arrematar mais vezes, parando na bem postada defesa adversária. E o prejuízo ficou bem pior aos 36, em lance de felicidade imensa de Jordan Henderson. Uma bola espirrada sobrou nos pés do camisa 14. De fora da área, ele soltou a bomba, acertando o ângulo de Courtois. Nulos, os Blues precisavam de uma mudança de postura urgente.

Ela veio a partir do segundo tempo, com a iniciativa partindo do time de Antonio Conte. Contido na defesa, o Liverpool se resguardava mais. E o Chelsea voltou ao jogo aos 16, em grande jogada de Matic pela linha de fundo, passando para Diego Costa escorar. Aos Reds, restava tentar esfriar mais o jogo e afastar os anfitriões de seu campo. Conseguiram. Até poderiam ter feito o terceiro, não fosse um milagre de Courtois em cabeçada de Origi, aproveitando o erro de posicionamento de David Luiz – em sua reestreia pelos Blues.

O Chelsea só voltaria a incomodar mesmo nos minutos finais, depois de desperdiçar alguns contra-ataques. Conte realizou as três alterações de uma vez, aos 39, botando em campo Pedro, Victor Moses e Cesc Fàbregas. Não adiantou muito. A oportunidade mais clara veio em uma falta perigosíssima na entrada da área, que Fàbregas fez o favor de mandar em cima da barreira. O Liverpool passou sufoco, mas segurou a grande vitória.

É interessante notar como os Reds têm se agigantado em jogos de peso nesta temporada. Permanece um time irregular e não totalmente confiável, como a derrota para o Burnley bem evidenciou. Mesmo assim, sabe tomar as rédeas em condições de maior pressão, como já tinha sido contra Arsenal e Leicester. Nesta sexta, destaque para a capacidade do meio-campo, com Henderson, Coutinho e Wijnaldum. Não fizeram partidas individualmente brilhantes, mas o domínio do Liverpool dependeu muito deles. O Chelsea, por sua vez, precisa ponderar os problemas. Seu jogo não se encaixou e o time não foi tão incisivo quando precisava. Pior, um erro grave da defesa custou caro. Algo que não se espera tanto de um time de Conte, ainda mais jogando em casa.