O Norwich foi campeão da segunda divisão inglesa com um estilo bem ofensivo que lhe valeu 94 gols, mas uma defesa que se mostrou frágil e foi mais vazada que a de Middlesbrough, Bristol City e Nottingham Forest, que nem se classificaram aos playoffs, e até que a do Stoke City, 16º colocado. Sem grandes reforços para o setor, a dúvida era como o sistema defensivo do clube lidaria com os ataques muito melhores da Premier League. O primeiro teste não foi muito animador, mas, também, a dificuldade era enorme. O Norwich reestreou na Premier League contra o Liverpool, em Anfield, levou quatro gols no primeiro tempo e foi goleado por 4 a 1.

O treinador Daniel Farke se viu em um impasse: não faria muito sentido abrir mão do seu estilo de posse de bola e velocidade, até porque não é possível mudar da água para o vinho de repente, sem muito treinamento, mas enfrentar o campeão europeu fora de casa com o peito aberto seria muito perigoso. O Norwich teve bons momentos e uma produção ofensiva respeitável contra uma boa defesa, mas sucumbiu à intensidade e à pressão incessante do adversário.

O Liverpool começou a Premier League com um futebol de rápidas transições, que pressiona assim que perde a bola e aposta no volume de jogo criado pelos cruzamentos dos seus laterais – mais ou menos que nem na temporada passada. Logo aos sete minutos, Andrew Robertson achou Origi, titular pela esquerda do ataque no lugar de Sadio Mané, ainda entrando em forma por ter se reapresentado tarde devido à Copa Africana de Nações.

O atacante belga, de contrato renovado após fazer gols importantes na última temporada, fez um salseiro diante de Max Aarons antes de cruzar, e o resultado da jogada foi ou menos simbólico das dificuldades que o Norwich enfrentará para defender na primeira divisão. O zagueiro Grant Hanley, fazendo seu primeiro jogo de Premier League dede 2012, errou feio o corte e marcou contra.

Agora pelo outro lado, Trent Alexander-Arnold começou a jogada. Salah errou o domínio, mas a bola bateu na defesa e sobrou para Firmino, que apenas rolou para o egípcio abrir sua contagem na temporada com uma batida colocada. Van Dijk nem precisou subir para ampliar, em cobrança de escanteio, e Arnold deu sua primeira assistência na campanha para encontrar Origi entre os zagueiros. Com o goleiro Krul adiantado, não houve dificuldade para fazer o gol.

O relógio marcava 42 minutos quando o Liverpool fez 4 a 0. O Norwich não havia sido inoperante contra a melhor defesa da última Premier League, que sofreu apenas dez gols como mandante, e a possibilidade de fazer pelo menos um gol de honra melhorou quando Alisson saiu machucado, ainda no primeiro tempo, para a estreia de Adrián, contratado do West Ham para ser o goleiro reserva.

Apesar da vantagem, o Liverpool manteve a pressão no começo do segundo tempo, roubando a bola no campo de ataque e criando chances boas. Acabou o jogo com sete finalizações corretas e uma evidência de que o ataque do Norwich pode fazer uma boa bagunça nesta Premier League é que os visitantes acertaram apenas dois chutes a menos, e cada um colocou uma bola na trave.

Se na temporada passada o Liverpool sofreu o primeiro gol em Anfield apenas na quinta partida como mandante, desta vez ele saiu logo na estreia, aos 19 minutos do segundo tempo, quando Buendía achou Teemu Pukki nas costas da defesa. O finlandês, artilheiro da Championship com 29 gols, bateu cruzado para vazar Adrián.

Além do poder do adversário, a estreia para o debutante foi cruel pelo histórico. O Liverpool havia marcado 27 gols nos sete encontros anteriores ao desta sexta-feira. Manteve a média de quase quatro por jogo para dar início à sua candidatura pelo título da Premier League.

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