Liverpool quase caiu para Gudjohsen, mas buscou virada épica e avançou na copa

Perdendo com um gol do veterano até os 41 do segundo tempo, os Reds conseguiram a virada, que os coloca nas oitavas de final

O Liverpool se empenha nas duas copas inglesas. Quer a chance de se despedir de Steven Gerrard com pelo menos um título nacional. Ter a sensação única de ver o eterno capitão erguendo uma taça no Wembley lotado, em seus últimos dias de vermelho. A equipe jogou demais na Copa da Liga, mas acabou caindo para o Chelsea na prorrogação. Já na Copa da Inglaterra, segura como pode a oportunidade. Após o empate sem gols em Anfield, o time esteve a um triz de ser eliminado pelo Bolton no replay – pior, com Gudjohnsen como carrasco. Mas Sterling e Philippe Coutinho buscaram uma suada virada por 2 a 1, dando ainda mais motivos de comemoração no 700º jogo de Gerrard pelo clube.

Sabendo da importância da partida, Brendan Rodgers mandou a campo um time praticamente titular. E, em mais uma boa atuação de Philippe Coutinho, o Liverpool cumpria a superioridade esperada durante o primeiro tempo. O brasileiro, ao lado de Sterling e Lallana, ditava o ritmo intenso dos Reds. O goleiro Lonergan fazia boas defesas. E, quando não conseguia, o travessão salvava. Aos 31 minutos, a tentativa de Sterling não entrou por centímetros. Os visitantes eram melhores em campo, e exploravam bem a defesa adiantada do Bolton – que, mesmo sendo o azarão, não se encolheu diante dos Reds.

A vitória do Liverpool parecia apenas questão de tempo com o início da segunda etapa. Lonergan teve que aparecer mais uma vez para salvar, defendendo chute de Sterling. O problema é que o jogo virou para os Reds aos 13 minutos. Infernizando a defesa adversária, Zach Clough sofreu pênalti de Martin Skrtel. Na cobrança, pesou a frieza e a experiência de Eidur Gudjohnsen. Aos 36 anos, o atacante cobrou com calma para vencer Mignolet.

O Liverpool precisava de pelo menos um gol para levar o jogo à prorrogação. Precisava vencer a retranca que se formou no time da casa, e Brendan Rodgers logo mandaria a campo as alternativas ofensivas que tinha no banco – Borini, Sturridge e Henderson. Mas teve uma ajuda em pouco tempo, quando Neil Danns foi expulso, após receber o segundo amarelo. O problema é que a sorte não parecia muito do lado dos Reds. Minuto após minuto, os visitantes iam desperdiçando ótimas chances. O travessão parou outras dois gols que o Liverpool dava como certos, enquanto Lonergan acumulava os seus milagres. A persistência, por fim, deu resultado só depois que o relógio marcava 41 minutos.

O empate saiu com Sterling. Chamando a responsabilidade na organização, Emre Can deu um lançamento magistral para o atacante, que saiu no mano a mano com Lonergan e finalmente conseguiu bater o goleiro. Já a virada se consumou aos 46. Da entrada da área, Philippe Coutinho encontrou um espaço na barreira do Bolton e acertou um lindo chute de cobertura. Para garantir o alívio e colocar os Reds nas oitavas de final da Copa da Inglaterra.

Por mais que tenha suado muito mais do que se esperava, o Liverpool reitera o bom momento em 2015. A única derrota do time neste ano foi aquela na prorrogação contra o Chelsea e, considerando apenas os 90 minutos dos jogos, os Reds só perderam um dos seus últimos 20 compromissos. A velocidade da linha de frente faz a diferença de um time que demorou a crescer na temporada, mas mostra sua força no momento certo. Se buscar o Top Four na Premier League não parece tão simples, com outros cinco concorrentes por duas vagas, dá para sonhar com as copas. E, além da Liga Europa, sobreviver na Copa da Inglaterra significa demais para o moral do clube.