Desde que assegurou o seu primeiro título inglês em 30 anos, houve poucos momentos em que o Liverpool mostrou sua verdadeira face: um time forte, rápido, intenso, letal. Natural, depois de tanta tensão e jogos com concentração máxima, ainda mais sem poder contar com sua torcida para empurrá-lo. Esta quarta-feira, porém, era um dia diferente. Anfield receberia uma visita especial, inédita. Colocou sua melhor roupa, penteou o cabelo e passou um perfume para receber a taça da Premier League com uma eletrizante vitória por 5 a 3 sobre o Chelsea.

Nenhuma festa estaria completa sem a torcida do Liverpool. Não quebrou a promessa que canta antes de todos os jogos. A ausência foi uma necessidade em nome da saúde. Dentro do possível, a Premier League fez um bom trabalho em tornar o momento pelo qual todos os Reds tanto esperaram ser especial, com um palco montado na arquibancada Kop, o maior patrimônio do clube, e Kenny Dalglish, último técnico campeão inglês antes de Klopp, entregando a taça.

Mas antes, tinha um jogo, e o Liverpool estava afim. Marcou alto, pressionou, atacou com velocidade e fez sua melhor apresentação desde a golada contra o Crystal Palace. Exemplo disso foi o lance do primeiro gol, quando Van Dijk fez uma interceptação na intermediária ofensiva e Keita brigou com Willian pela posse de bola antes de soltar um petardo de fora da área.

Salah parecia o único um pouco fora de sintonia, desesperado para fazer um gol e se manter na briga pelo artilharia – está a quatro gols de Jamie Vardy -, mas quem nunca deixa a desejar é Trent Alexander-Arnold. Aos 38 minutos, o lateral direito formado na base cobrou uma falta, alguns passos atrás da entrada da área, com perfeição. Kepa, sendo fortemente criticado no momento, nem pulou para aparecer na foto.

Antes do intervalo, o Liverpool esboçou a goleada, com Wijnaldum pegando a sobra de uma tentativa de afastar de Azpilicueta, mas o Chelsea conseguiu descontar com uma boa jogada que passou de Pulisic para Marcos Alonso para Willian. Alisson fez boa defesa antes de Giroud conferir, quase em cima da linha.

O Chelsea não teve muito tempo para sonhar porque Arnold deu sua 13ª assistência, um perfeito cruzamento da lateral direita para Roberto Firmino fazer seu primeiro gol em Anfield pela Premier League desde março do ano passado.

Os visitantes, porém, não queriam que a festa fosse realizada às suas custas. Nem poderiam. O empate classificaria o Chelsea à Champion League e era obrigatório lutar até o fim. Pulisic fez uma linda jogada pela esquerda, fatiando a defesa do Liverpool. Passou por Fabinho e Arnold, deixou Gomez para trás e cruzou para Abraham apenas empurrar às redes.

Dez minutos depois, Van Dijk e Gomez bateram cabeça na altura do meio-campo, e Hudson-Odoi aproveitou para recolher a bola. Cruzou para Pulisic, que matou no peito, girou e bateu forte: 4 a 3.

O momento lembrou o primeiro Liverpool de Klopp, desequilibrado entre lindas ações ofensivas e fragilidade na defesa, e foi também como aquele time que os Reds mataram o jogo: um contra-ataque de manual. Jones cruzou para Mané, ainda no campo de defesa, e Robertson disparou. Recebeu pela esquerda, já no campo de ataque, arrancou e cruzo para Oxlade-Chamberlain chegar batendo.

Era o bastante de futebol. Havia chegado a hora da festa. Houve um intervalo de aproximadamente 20 minutos para a montagem do palco e dos cercadinhos da imprensa, mantendo o distanciamento social. Dalglish escoltou a taça até a Kop e recebeu um exultante Klopp, com o boné virado para trás e agasalho. Parecia um adolescente. Estava, de fato, feliz como um adolescente.

Um a um os jogadores do Liverpool foram subindo e recebendo suas medalhas. O último foi Jordan Henderson, fora da temporada por lesão, com a braçadeira de capitão no braço. A mesma braçadeira que herdou de Gerrard junto com pressões e expectativas injustas. Foi o primeiro jogador da história do Liverpool a tocar a taça da Premier League, deu um beijinho e se dirigiu aos companheiros.

Ergueu-a, enfim. Liverpool oficialmente campeão inglês. Cada um dos jogadores teve a sua chance de mostrar a taça para o vazio de Anfield, poupado apenas por membros da imprensa e uma dúzia de torcedores convidados. A verdadeira festa foi marcada por Jürgen Klopp para o momento em que ela for possível.

“Comemore em casa, beba o que quiser”, disse. “Mas se prepare para uma festa. Não sei quando. Quando esta merda de vírus for embora, teremos uma festa, todos juntos. Esteja pronto para ela. Muito obrigado”.

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