Sete pontos. A diferença entre Manchester United e Liverpool na luta pelo título inglês chegou a um patamar em que o perseguidor – no caso, os Reds – não pode mais contar consigo mesmo. Os Red Devils têm de tropeçar três vezes a mais que os liverpudlianos até o final da competição. Sinal de que não basta apenas uma arrancada final do vice-líder. É preciso que o líder entre em má fase. E, até agora, essa foi uma situação que esteve bem longe de Old Trafford.

O Liverpool percebeu o quão grave foi empatar em casa com o Manchester City. Ainda mais quando se trata da sexta igualdade em Anfield no torneio (detalhe: o Manchester United empatou apenas uma – e não perdeu nenhuma – em Old Trafford). Esses pontos estão sendo fundamentais para praticamente eliminar as chances dos Reds acabarem com os 19 anos sem título nacional.

Contra os Citizens, o Liverpool se ressentiu do elenco com poucas opções, um problema já previsto no início da temporada. Sem Gerrard e Xabi Alonso, o meio-campo vermelho era um deserto de ideias. Lucas e Mascherano faziam a marcação no meio, com Riera, Kuyt e Benayoun tentando dar suporte a Fernando Torres. Era o suficiente para ter mais posse de bola e “oficialmente” dominar a partida, mas não para realmente construir uma vitória diante de uma defesa que se sente mais confiante e segura após as contratações de Given e De Jong.

Mais uma vez, ficou evidente como falta um bom reserva na armação de jogadas. A situação ficou particularmente pior após a janela de transferências de janeiro porque Robbie Keane saiu. Ainda que o irlandês não tenha sido um sucesso em Anfield, sua presença ao lado de Fernando Torres poderia, em um caso de desespero, ser útil.

Depois de mais um empate em casa, o técnico Rafa Benítez foi taxativo: “vencer o Manchester United é nossa única esperança”. O duelo, em Old Trafford, está marcado para 14 de março. Uma vitória liverpudliana não é a aposta mais segura, mas se torna possível pela rivalidade entre as equipes. Ainda assim, os Reds só reduziriam a diferença para quatro pontos.

Ainda que consiga a façanha de vencer os Red Devils fora de casa, o Liverpool tem a perspectiva de um fim de temporada atribulado. Benítez ainda não aceitou a proposta da diretoria vermelha para renovar seu contrato. O espanhol quer uma cláusula que o permita sair caso Tom Hicks e George Gillet – atuais donos dos Reds – vendam o clube para alguém que não possa levar reforços. Os norte-americanos não gostam da ideia, pois poderia obrigar o eventual comprador a gastar em contratações (ou seja, torna o clube menos atraente como investimento).

Pelo visto, é melhor o Liverpool pensar com mais carinho na Liga dos Campeões (a prioridade declarada da temporada era o título da Premier League). No mata-mata, é possível superar a falta de opções no elenco e as turbulências políticas. Até porque é difícil enfrentar um Real Madrid em ótima fase, mas é melhor do que contar com uma vitória em Old Trafford.

Arsenal e seu meio-campo

Logo em seu primeiro lance, Arshavin pegou a bola, avançou e arrematou perto do gol do Sunderland. A jogada animou a torcida do Arsenal, que ficou satisfeita com a personalidade e agressividade do novo meia do time. Mais que isso: ficou com a sensação de que a diretoria pode, de fato, ter contratado o jogador que equilibrará novamente a equipe.

O clichê básico para explicar a temporada oscilante dos Gunners é a falta de experiência de muitos jogadores. Mas essa tese está cheia de buracos. Van Persie já tem 25 anos e não é mais um garoto promissor. Eboué, Sagna e Kolo Touré estão na mesma situação. Fàbregas e Adebayor são mais novos, mas já têm várias competições importantes nas costas (Eurocopa e/ou Copa do Mundo). Além disso, essa mesma base liderou boa parte da Premier League na temporada passada e chegou às quartas de final da Liga dos Campeões deixando o Milan pelo caminho.

O problema do Arsenal atual é a falta de consistência no meio-campo. Arsène Wenger exige muito do setor, pois precisa de volantes que conduzam a bola para frente com vigor e armadores com capacidade de lançar para dar vida ao jogo rápido e envolvente de que gosta. No passado, ele teve Vieira e Pires como referências. Nesta temporada, ele contava com Rosicky e, principalmente, Fàbregas.

O tcheco já é um velho frequentador de departamentos médicos e não dá para dizer que sua ausência nesta temporada é uma grande surpresa. Mas a grave lesão no joelho do espanhol minou os planos do técnico francês. O Arsenal tem apenas o jovem Nasri e os muito jovens Ramsey e Walcott na criação. Isso sem mencionar o papel defensivo de Fábregas, também importante.

Arshavin chega para contornar parte do problema. O russo é um meia-atacante rápido, habilidoso e com ótima visão de jogo. Assim que ele entrar em forma (estava de férias no futebol russo), deve se encaixar sem dificuldade no esquema da equipe.

Fica ainda faltando um meia ou volante que marque e conduza bem a bola. Para isso, o clube conta com o retorno de Fàbregas entre o final de março e abril. De qualquer modo, já há especulações de que os Gunners estariam interessados em Felipe Melo para o verão. Faz sentido se o clube imaginar que não pode repetir na próxima temporada o erro da atual.