É um pouco difícil explicar como um time pode fazer uma boa partida e terminá-la perdendo por 3 a 0, em uma ocasião tão importante quanto as semifinais da Champions League. Fica um pouco mais fácil quando o time que saiu com a vitória tem um jogador como Lionel Messi. Havia apenas dez times no mundo que o enfrentaram sem sofrer gol das pernas mais talentosas do mundo. O Liverpool era um deles. Não é mais.

A vitória parcial por 1 a 0 do Barcelona, por volta dos 15 minutos do segundo tempo, era muito preocupante para o Liverpool porque, até aquela altura, Messi estava apagado. Puxava alguns contra-ataques, mas não brilhava. De repente, engatou a quinta marcha e começou a deixar os companheiros na cara do gol. Fez o segundo, com uma dose de sorte, e matou a eliminatória com uma maravilhosa cobrança de falta.

O Liverpool dominava o jogo àquela altura. Mais do que havia feito no primeiro tempo. Não marcara ainda porque Ter Stegen fez duas boas defesas e Mané finalizou mal, em chance claríssima, ainda na etapa inicial. O empate parecia iminente. Mas apareceu Messi e, depois de seus dois gols, os ingleses perderam o rumo e poderiam até ter sofrido uma derrota mais elástica.

O Barcelona não tem sido um grande time coletivo nesta temporada. Fecha os espaços, compete o tempo inteiro, mas recorreu vezes demais à qualidade de Messi para resolver partidas difíceis. Curiosamente, o primeiro tempo catalão foi muito bom, o que, combinado com a exibição do Liverpool, produziu eletrizantes 45 minutos de futebol.

Os dois times trocaram golpes constantemente. Os visitantes tiveram mais posse de bola na primeira metade da etapa. As jogadas ofensivas passaram principalmente por Robertson, pela esquerda, e um inspirado Salah, no outro lado, arrancando em velocidade e driblando todo mundo. A melhor chance vermelha foi um passe profundo de Henderson – que entrou no lugar de Keita, machucado – para Mané, que finalizou muito mal.

O Barcelona jogava por associação, trocando passes rápidos, fazendo triangulações, como nos seus melhores momentos. O gol saiu justamente de uma bola de Alba por trás da defesa para Suárez, que se projetou entre os dois zagueiros e desviou para as redes. Mas mais de uma vez houve infiltrações que exigiram boa cobertura dos defensores ingleses.

O Liverpool intensificou a pressão no começo do segundo tempo, e o Barcelona acomodou-se nas tentativas de contra-ataque. Milner teve uma oportunidade de frente para o gol, mas Ter Stegen defendeu. Salah achou um improvável chute no canto, e Ter Stegen defendeu. Milner aproveitou corta-luz de Wijnaldum e…. adivinha? Ter Stegen defendeu.

O ótimo Barcelona coletivo do primeiro tempo havia desaparecido, o que parece ser a senha para Messi ligar o turbo. O restante da partida foi muito mais similar com o resto da temporada blaugrana. Defesa, contra-ataque e poder de decisão do argentino. Em uma rápida transição, a defesa do Liverpool tentou dois desarmes, mas não ficou com a bola. A sobra caiu nos pés de Suárez, que mandou no travessão. Messi pegou o rebote e ampliou.

Klopp, enfim, colocou Firmino em campo. Antes que ele pudesse fazer alguma coisa, Messi colocou uma cobrança de falta no ângulo de Alisson e fez 3 a 0. O Liverpool ficou muito próximo de descontar, logo na sequência, mas Rakitic cortou a finalização do brasileiro em cima da linha, e Salah, no rebote, carimbou a trave.

A partida ficou muito aberta. O Liverpool jogava-se à frente de qualquer jeito, e o Barcelona teve uma série de contra-ataques com superioridade numérica que não foram bem aproveitados. O mais claro terminou em uma finalização muito ruim de Dembélé, a segundos do apito final.

O Liverpool jogou bem. Poderia ter feito um ou dois gols, até saído do Camp Nou com um empate. Mas tinha um Messi no meio do caminho e, embora Anfield já tenha sido protagonista de grandes viradas, fica muito difícil imaginar uma reviravolta. Até porque Messi estará lá de novo.

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