Manchester City e Paris Saint-Germain foram os dois primeiros grandes clubes europeus a serem pegos pelo Fair Play Financeiro. E a quantidade de times na mira da Uefa aumentou nos últimos dias. A entidade europeia anunciará uma lista de equipes que serão questionados pelo Órgão de Controle Financeiro dos Clubes a prestar alguns esclarecimentos sobre suas finanças. Segundo o jornal Guardial, estão entre eles Liverpool, Monaco, Internazionale e Roma – todos adquiridos por novos donos nos últimos quatro anos.

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As interrogações fazem parte do procedimento da Uefa. Nenhuma sanção será imposta sobre os clubes acionados pela confederação neste momento, ainda que a premiação destinada a eles na Liga dos Campeões ou na Liga Europa possa ser retidas. A iniciativa do Fair Play Financeiro visa exatamente verificar de perto quem está cumprindo as diretrizes determinadas a partir da temporada 2011/12.

Segundo a legislação da Uefa, os clubes não podem ter registrados gastos superiores a € 45 milhões em 2011/12 e 2012/13. Segundo os dados do Liverpool, o prejuízo em 2012/13 se aproximou dos € 60 milhões. No entanto, os Reds esperam escapar da sanção ao justificar as perdas. Cerca de € 42 milhões deste montante foram empregados nos planos do clube de construir um novo estádio em Stanley Park, o que foi abortado pela nova diretoria. Gastos com ampliação ou construção de estádio, bem como em categorias de base, são permitidos pela Uefa, por mais que excedam os limites.

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Nos próximos meses, outro desafio encarado pelo Fair Play Financeiro é defendido pelos próprios torcedores do Manchester City. Um grupo independente do clube entrou com uma ação legal na justiça europeia, afirmando que o rigor financeiro da Uefa fere as premissas do livre comércio, impede a ascensão de clubes à elite do continente e leva ônus aos torcedores. A Comissão Europeia deverá avaliar a medida e emitir sua decisão até maio de 2015.

Por mais que tenham ganhado novos donos, os casos de Liverpool, Roma e Internazionale são diferentes de Manchester City e Paris Saint-Germain. Não houve gastos exagerados em contratações e, a princípio, os investimentos recentes estão próximos dos limites previstos pela Uefa. Já o Monaco foi quem mais se lançou no mercado após a chegada do russo Dmitri Rybolovlev, embora o clube tenha sofrido um corte no aporte financeiro garantido pelo magnata. De qualquer forma, a ação da Uefa é um aviso de que dificilmente alguém passará impune com os fortes controles impostos pelo Fair Play Financeiro.