Quando um jogador não está mais afim de defender um clube, é muito difícil mantê-lo, independentemente dos esforços feitos. No cenário em que a permanência é definida, torna-se um desafio fazê-lo jogar próximo de seu potencial máximo. Se a insatisfação se torna pública, a situação é ainda mais delicada, e mesmo a transferência é prejudicada, já que o time interessado na contratação detecta a fraqueza do outro lado. Pois o Liverpool ignorou esse cenário e, segundo informam os principais veículos da imprensa inglesa, conseguiu possivelmente o negócio da janela ao vender Raheem Sterling por incríveis € 68,1 milhões para o Manchester City, ainda que os clubes não tenham divulgado nada oficial sobre o acerto.

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Mais detalhadamente, segundo o Guardian e outras fontes britânicas, o City pagará € 61,2 milhões pela transferência, com € 6,9 milhões adicionais para objetivos alcançados. Valor que, mesmo em um mercado cada vez mais inflacionado, paga-se apenas por grandes estrelas já consolidadas. Sterling é um garoto de 20 anos, uma aposta. A mais empolgante do futebol inglês nos últimos anos, é verdade, mas ainda assim está longe de ser uma certeza de retorno de investimento.

O garoto disputou apenas três temporadas de Premier League pelo Liverpool. Na primeira, passou longe de parecer tudo o que dele diziam. A última foi justamente sua melhor, mas mesmo nela alternou momentos bons com outros nem tanto assim. Parte do motivo pelo qual o Manchester City foi atrás do jogador é a necessidade do clube, bastante internacionalizado, de ter mais atletas ingleses para cumprir a cota de jogadores locais no elenco. O fracasso de última hora na negociação com Fabian Delph, do Aston Villa, deve ter acrescentado pressão pelo acerto com Sterling, mas ainda assim não justifica inicialmente o investimento desproporcional.

Para se ter uma ideia, antes do Manchester United gastar um caminhão de dinheiro pelo acerto com Di María, destaque do Real Madrid na conquista da Champions League de 2014, por € 75 milhões, a contratação mais cara de um clube inglês era a de Torres pelo Chelsea, um milhão de libras a mais que a de Sterling pelo City. Embora a experiência dos Blues tenha sido fracassada, na época, pelo que jogava o espanhol, então um dos melhores do mundo, o investimento fazia sentido. O mesmo não acontece com a ida do jovem inglês para Manchester.

Cravar como péssima a contratação antes mesmo que Sterling tenha vestido a camisa do City e tido a oportunidade de justificar seu valor em campo seria injustiça. Temos indícios do quanto o jogador pode corresponder, mas não é possível afirmar como sua carreira se desenvolverá. A única análise que podemos fazer a partir do que sabemos no momento é a de que, até este ponto, na primeira metade de julho, o Liverpool conseguiu o melhor negócio da janela ao vender um jogador insatisfeito, que não dava certezas de que se tornaria um craque, por um valor digno dos maiores atletas do planeta. Especialmente considerando a chegada de Firmino, um atleta que atua no mesmo setor em que o inglês, mas que na prática já está mais próximo de ser uma realidade do que Sterling.

Precisando ainda fortalecer o time naquela que pode ser sua temporada do tudo ou nada, o técnico Brendan Rodgers ganha um reforço financeiro que, no início da janela, não devia estar previsto no orçamento. Um belo bônus, mas que precisa ser aproveitado com pontualidade. De preferência, investindo em um atleta de efeito imediato, em contraste com a série de apostas da temporada passada.