Existia uma enorme expectativa sobre o que aconteceria em Anfield neste domingo. Liverpool e Manchester City são claramente os dois grandes candidatos à conquista da Premier League. Equipes de futebol ofensivo, que tratam bem a bola e que proporcionaram duelos inesquecíveis na última temporada. O Chelsea x Liverpool da rodada anterior serviu como um bom aperitivo, em excelente partida mesmo sem contar com um placar amplo. Mas a verdade é que os 90 minutos de futebol mais aguardados nesta temporada inglesa não agradaram. O primeiro tempo foi de doer os olhos. Um péssimo confronto que mostrava como duas equipes agressivas também podem pecar pelo excesso de cautela e ficarem travadas. Já o segundo tempo melhorou, mais corrido, com algumas chances. A falta de precisão, de qualquer forma, preponderou e o 0 a 0 permaneceu no placar até o apito final, sobretudo porque Mahrez isolou uma cobrança de pênalti. Uma exibição abaixo da média até para encontros “comuns” da Premier League, quanto mais a duas equipes fortíssimas.

A principal novidade na escalação de Jürgen Klopp vinha com a utilização de Joe Gómez na lateral, com Dejan Lovren compondo dupla de zaga ao lado de Virgil van Dijk. De resto, aquele que pode ser visto como time ideal dos Reds, com o trio da frente intacto entre Sadio Mané, Roberto Firmino e Mohamed Salah. Pep Guardiola, por sua vez, contava com um meio-campo leve. David Silva dava sustentação, mais recuado, enquanto a trinca formada por Bernardo Silva, Raheem Sterling e Riyad Mahrez tentava apoiar Sergio Agüero na linha de frente. Pouco adiantou.

O Liverpool até enganou durante os primeiros dez minutos, fazendo parecer que seria um jogo de muita intensidade. Os Reds começaram a partida encurralando o Manchester City e se postando no campo de ataque. Os celestes se resguardavam, mas concediam poucos espaços para os anfitriões arrematarem. Salah até tentou, sem qualquer felicidade. Depois disso, os Citizens passaram a controlar, rodando muito a bola, mas carecendo de objetividade. Preferiam o ritmo lento dos passes de pé em pé entre seus defensores.

Raras foram as jogadas em que conseguiram explorar a linha de fundo e, em uma dessas, deram seu único susto na etapa inicial, em lance pela esquerda que não teve ninguém para encher o pé. Nada que valesse o ingresso ou os 45 minutos perdidos diante da TV. Não houve uma finalização certa sequer no primeiro tempo, em três chutes no total. As duas potências podiam se respeitar, embora não de maneira tão contida. Prevalecia muito mais o trabalho sem a bola. Digno de nota, apenas a substituição de James Milner, lesionado, por Naby Keita.

O segundo tempo voltou a contar com o Liverpool mais ativo. De qualquer maneira, os dois times demoraram a pegar no tranco. Só ficou claro que haveria um embate mais aberto depois dos 15 minutos, quando as equipes passaram a se soltar e as chances se tornaram mais frequentes. Mahrez era quem mais aparecia no City, se movimentando bastante e arrematando. Uma bola levou bastante perigo, lambendo a trave de Alisson. Do outro lado, a responsabilidade recaía sobre Salah. Exigiu uma defesa segura de Ederson, antes de ser lançado em ótimas condições por Andrew Robertson. Invadiu a área, mas isolou a bola na finalização. Já era muito melhor do que havia ocorrido no primeiro tempo.

Aproveitando o momento, os técnicos passaram a fazer suas alterações. Gabriel Jesus substituiu o apagado Sergio Agüero, enquanto Daniel Sturridge entrava no lugar de um Roberto Firmino que também não foi muito efetivo. O Manchester City cresceu nos 15 minutos finais da partida, bem nos ataques rápidos. Mahrez voltaria a botar Alisson para trabalhar, com o goleiro espalmando para escanteio, e Gabriel Jesus tentava os lances individuais, faltando arrematar. Aos 31, Leroy Sané entrou no lugar de Sterling e precisou de pouco tempo para participar do lance capital. Em disputa com Van Dijk, caiu na área e o árbitro deu o pênalti. Mahrez era o melhor em campo e pediu a bola, embora seu histórico recente acumulasse cobranças perdidas. Dito e feito: Alisson até acertou o canto, mas o argelino mandou longe. Ponto final de um jogo grande que sequer teve emoções mais fortes nos instantes finais.

Desta vez, Klopp não pôde compartilhar sorrisos com o técnico do outro lado e nem falar que contribuiu para o entretenimento. A decepção é óbvia, mesmo que o impacto na tabela seja diminuto. A Premier League encerra a rodada com três times emparelhados na liderança. O Manchester City é o primeiro pelo saldo de gols favorável, mas Chelsea e Liverpool aparecem logo abaixo, com 20 pontos. Arsenal e Tottenham também não estão muito longe, com 18 pontos. Início emocionante de competição que não condiz com a pelada do domingo. Fica claro a vermelhos e celestes que, em confrontos diretos, precisarão fazer muito mais do que hoje.


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