Liverpool corre mais com Klopp e a polêmica é: esta é a causa das muitas lesões?

Intensidade de Klopp faz o Liverpool correr mais em campo, mas será essa a razão das lesões? Não parece ser o caso

Jürgen Klopp chegou ao Liverpool e em poucos meses no cargo já causou uma transformação no estilo de jogo do time. O mais notório é: o time corre mais com o técnico alemão. A intensidade do seu jogo é grande, algo que já víamos no Borussia Dortmund.

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Considerando os oito jogos desta temporada sob o comando de Brendan Rogers e os 12 sob o comando de Klopp, o time passou a correr mais em campo. Os Reds percorrem, em média, 113,4 quilômetros por jogo, 5,6 quilômetros a mais do que o time percorria com o Brendan Rodgers, como mostra a estatística divulgada pela Sky Sports.

Junte-se a isso o fato que o Liverpool é o time que tem mais lesões na Premier League. Foram 28 lesões desde a chegada de Klopp, mais do que qualquer outro clube da liga neste mesmo período, segundo dado do Liverpool Echo. A média, segundo o jornal, é de uma lesão a cada 3,2 dias. Antes da chegada do treinador alemão, no começo da temporada, o time sofria 10 lesões, uma média de uma a cada seis dias. E isso está fazendo com que se atribua ao alemão o alto número de lesões.

O técnico do Sunderland, Sam Allaradyce, chegou a dizer que o estilo alemão do técnico estava provocando o aumento de lesões no Liverpool com o seu jeito de alta intensidade. “Eu não acho que Jürgen percebeu o quão feroz é a nossa liga neste período do ano e porque ele pede uma energia extra, aqueles 10 metros a mais, esses rapazes estão ficando mais desgastados com tantos jogos em um curto período de tempo e estão tendo mais lesões musculares. Eles são atletas altamente treinados, mais do que antes, e eles estão ficando mais suscetíveis a lesões pelo aumento de trabalho que eles fazem em um jogo agora”, afirmou o treinador inglês.

O problema é que o dado do time correr mais em campo é apenas um dos fatores. O  próprio Liverpool Echo levantou que o Manchester United sofreu 11 lesões no período antes de Klopp, só uma a mais que o Liverpool, e 27 lesões desde a chegada do técnico alemão, ou seja, só uma a menos. O Stoke, que é treinador por Mark Hughes, teve 11 lesões no período pré-Klopp e 23 depois. No total de lesões da temporada, o Liverpool é o segundo colocado, com 38. O Manchester City, de Manuel Pellegrini, teve 44. Os números são parecidos demais para atribuir apenas ao estilo de jogo do alemão.

Aliás, Klopp resolveu responder ao colega em coletiva dada no centro de treinamento do Liverpool, nesta quinta-feira. Como sempre, foi bem humorado na sua resposta. “Eu não li o que Sam disse”, ele afirmou. “Mas eu conhecia a Premier League e o seu calendário de jogos, não é um problema. Eu sabia sobre a intensidade do futebol aqui”, explicou Klopp. “Eu fico feliz que um treinador com tanta experiência como Sam tem tempo para pensar nos problemas do Liverpool. Eu não tenho tempo para pensar nisso”.

“Nós sabemos sobre a nossa situação. Nós sabemos a maioria das razões. Uma lesão no momento errado é um problema para todo elenco porque outros jogadores precisam jogar demais, mas temos que reagir a isso. O problema é agora as pessoas falarem sobre a intensidade do meu estilo. Eu não criei um estilo, como poderia? Eu não sou um gênio”, explicou Klopp.

“Nós apenas jogamos futebol como um time como o Liverpool, e as ambições que o clube tem são de encontrar um modo de ser bem sucedido. Para isso, precisamos de jogadores. Você precisa de um pouco de sorte com lesões, mas nós não tivemos muito disso”, analisou ainda o treinador dos Reds.

“Talvez o primeiro jogo contra o Tottenham tenha sido mais intenso que outros jogos e agora precisamos de poucas corridas a mais, mas não 500 mais. É completamente normal, corrida média. Futebol não é sobre tudo ser mais, é sobre pensar mais rápido e estar mais rápido na posição certa. Se você não é rápido o bastante na mente, é preciso correr um pouco mais. Não há tempo para treinamento, apenas recuperação, o jogo é a nossa melhor e única sessão na semana, para ser honesto”. Esse discurso não parece de treinadores brasileiros? É porque esta época do calendário inglês é uma das piores, com jogos seguidos no fim do ano e início de janeiro.