A Libertadores está na sua fase decisiva e teremos no fim do mês os jogos de volta das semifinais. Alguns jogadores que estão na Europa e viveram a intensidade da Libertadores comentaram sobre o principal torneio de clubes da América do Sul, como foi viver isso e ainda palpitaram sobre quem irá passar à final. Felipe Anderson, Fabian Balbuena e Manuel Lanzini, do West Ham, Jonathan Silva, do Leganés, e Lisando Magallán, do Alavés, falaram sobre a Libertadores ao site da Betway. Todos eles já disputaram a principal competição de clubes do continente e, mesmo na Europa, seguem o torneio.

Como é uma partida típica de Libertadores?

“É um jogo, como a gente fala no Brasil, pegado, é um jogo difícil, com muita catimba. Quando um time não está bem taticamente, tecnicamente, começa a tentar ganhar de outras formas, desestabilizando psicologicamente o outro time. Então é muito difícil jogar uma Copa Libertadores”, disse Felipe Anderson, ex-Santos.

“Quando jogava em casa, é um ambiente diferente porque as pessoas te apoiam, você joga junto com o seu povo, sua torcida, se sente muito a pressão quando você joga como mandante. E quando joga de visitante é a mesma coisa, se sente a pressão do público, o clima que se gera quando joga de visitante, a pressão, que se faz com que se cresça a adrenalina. É muito bom para nós, jogadores de futebol, que quando entramos no campo é a coisa mais linda, em uma competição que gera muitos sentimentos bons”, explicou Fabian Balbuena, ex-Corinthians.

“É aguerrido, com muitas sensações, forte, decisivo, tem que estar bem preparado porque as partidas são muito travadas. Tem que estar atento a todos os detalhes, os mínimos detalhes definem a partida. Quando vai jogar de visitante, é mais difícil porque se sente de verdade que você é visitante. É lindo, a verdade é que é lindo”, descreveu Manuel Lanzini, ex-River Plate e Fluminense.

“As partidas de Libertadores todos sabemos que são partidas trabalhadas, partidas duras, é preciso estar bem taticamente e fisicamente para disputar as partidas. São um pouco mais exigentes que as partidas da liga”, declarou Jonathan Silva, ex-Boca Juniors.

Sente falta da Libertadores?

“Como eu sempre falo, a Premier League é um pouco parecida no ritmo, é muito duro jogar aqui. Então eu não sinto muita falta, mas com certeza um dia vou querer experimentar novamente, com mais experiência, creio, de jogar uma Libertadores. Mas meu foco está aqui e estou curtindo muito e não estou sentindo falta”, respondeu Felipe Anderson.

“É lindo, mas estou desfrutando estar na Premier League, me sinto muito bem, a intensidade que esta liga tem é impressionante. É a melhor liga. Quando vejo alguma partida [da Libertadores] pela TV, sinto uma certa nostalgia, posso sentir essa adrenalina em uma partida da Copa [Libertadores] que, para nós sul-americanos, é muito bonito”.

Por que os argentinos têm tanto sucesso na Libertadores?

“Um dos fatores principais [para os argentinos irem bem] eu acredito que é esse, que eles vivem melhor, eles têm um controle emocional mais forte, eles sabem que o brasileiro perde o controle mais fácil. Sempre que eu joguei contra times argentinos, é difícil se manter calmo, se manter focado. Creio que eles se sobressaem em alguns jogos, mas eles também têm sempre muita qualidade nos times, os times estão sempre bem compactos, jogando aguerridos. Então creio que tem qualidade deles também, mas muita experiência, creio que isso faz a diferença”, explicou Felipe Anderson.

“As equipes argentinas são muito coperas, são duras quando jogam como mandantes e sabem jogar as partidas como visitantes. Porque na Copa Libertadores, as partidas como visitantes são muito importantes, tem o valor de marcar o gol fora de casa que ajuda muitíssimo, e nisso os argentinos e os uruguaios são bastante bons. Essas características de serem muito malandros, são muito conhecidos por isso. Vejo por aí uma pequena diferença, os brasileiros são mais bonitos, são mais corretos, não sujam tanto a partida, não têm essa picardia como os argentinos e os uruguaios e também os paraguaios. Eu acho que essa é a pequena diferença que faz eles terem um pouco de vantagem em relação aos brasileiros”, opinou Balbuena.

“Na Argentina também há grandes jogadores, grandes equipes, está crescendo muito a liga argentina. Eu creio que a Argentina é um país muito respeitado no âmbito do futebol”, disse Lanzini. “A liga argentina tem uma personalidade diferente. Vivem com um pouco mais de paixão, com um pouco mais de intensidade. Para os argentinos é como o europeu para a Champions League. A Libertadores é o máximo”, contou Jonathan Silva.

“Não sei, por uma questão de resultado, talvez porque as equipes argentinas conseguiram vitórias mais vezes. Mas sempre o futebol brasileiro tem grandes jogadores, assim como o argentino, e nas fases finais da Copa Libertadores, quando fica perto de ganhar, se desfruta muito”, declarou Lisandro Magallán.

Há mais pressão na América do Sul?

“É o terceiro país que eu jogo, contando com o Brasil, são totalmente diferentes os estilos. O Brasil, a Itália e aqui. Em todo lugar, a pressão, a dimensão, dependendo do momento que você vive no seu clube, é diferente. Se você está bem, tem uma leve pressão, se você está em um momento ruim, a pressão aumenta. Então, creio que depende muito do momento que o clube vive no geral”, disse Felipe Anderson.

“Graças a Deus eu peguei mais momentos bons do que ruins nesses clubes onde passei. Mas creio que no futebol a pressão é a mesma, depende somente do momento. Eu creio que no Brasil nos últimos períodos, algumas torcidas têm passado um pouco do limite”, continuou o meia.

“Como tenho vivido aqui, neste primeiro ano, agora na segunda temporada. O primeiro ano não fomos bem, mas recebemos um apoio incrível da torcida. Então, essa diferença foi importantíssima para este ano estarmos com confiança, a gente precisava de tempo. Então creio que no Brasil falte um pouquinho de compreensão”.

“Às vezes tem times que estão com jogadores machucados, com a parte financeira ruim. Creio que a torcida tem que entender esse lado. O jogador está ali para dar o melhor e às vezes as coisas não saem como deveriam. Mas futebol é assim, espero que eles entendam um pouco mais”, concluiu Felipe Anderson.

“Veja, aqui as partidas são muito intensas. Se você vai enfrentar qualquer equipe, grande, pequena, mediana, todas as partidas têm alta intensidade, não há nenhuma equipe que te facilita em nada e realmente são bastante parecidos [com a América do Sul]. A atmosfera, o ambiente que se gera dentro de campo, a festa, é um pouco diferente daqui, mas a intensidade é a mesma e a adrenalina também”, opinou Balbuena.

Lisandro Magallán, na época do Boca Juniors

“Sim, pelo tempo que eu cheguei aqui na Europa, sim, na América do Sul há uma pressão extra porque os torcedores de futebol sul-americanos, seu ânimo na semana depende do resultado que a sua equipe consiga no fim de semana. Se você perde, como jogador, você não pode sair na rua, não se pode sair da sua casa, basicamente”, contou Lisandro Magallán.

“Aqui sim, te dá essa possibilidade, no futebol europeu você pode passear com a sua família, sua namorada, ou sozinho pela cidade que as pessoas vão entender que apesar de trabalhar como jogador, você tem uma vida social”, explica ainda o jogador argentino. “Mas na Argentina, sobretudo, o torcedor vive emocionalmente muito intensamente a partida, o resultado, e, bom, quando você perde, realmente não se pode sair de casa. É preciso estar concentrado na próxima partida para poder reverter o que aconteceu no fim de semana anterior”.

Rivalidade River Plate x Boca Juniors

“Acho que essa rivalidade é difícil de superar. É uma coisa bonita de se ver no futebol, quando se tem respeito, quando jogam para ganhar dentro de campo, respeitando o adversário, toda rivalidade é boa. Mas lá tem sempre algo a mais. A paixão que eles têm, a paixão dos torcedores, a briga… Eu só vi isso no dérbi de Roma, que eu pude participar. Dois meses antes a torcida já está te lembrando que tem que jogar. Creio que são os dois clássicos mais pegados que existem no futebol”, disse Felipe Anderson.

“À parte que eu sou torcedor do River e vive isso dentro de campo, fora de campo. O que se gera, o ambiente, essa partida já se está falando um mês antes”, disse Lanzini, que defendeu o River Plate por três temporadas.

“São finais. Seja qualquer tipo de competição, não importa qual você esteja jogando, é uma final. Para os torcedores é uma final. Eu vivi como tal, e tem que se viver como tal. Porque a transcendência esportiva que tem, primeiro, é muito grande. Porque a nível mundial se assiste essa partida, as pessoas do futebol gostam de ver como respondem certos jogadores nessas partidas”, disse Magallán.

“E logicamente a transcendência midiática que tem tanto na Argentina quanto a nível mundial. Tanto que estamos aqui na Espanha fazendo uma entrevista e falando sobre Boca e River. São partidas únicas. Únicas. Graças a Deus eu pude jogar este tipo de partida, os Superclasicos, me sinto um privilegiado de ter podido viver esse dérbi que é tão lindo e tão intenso como se vê na Argentina”, continuou o  defensor, que jogou pelo Boca Juniors e foi vendido em janeiro de 2019 ao Ajax, emprestado nesta temporada ao Alavés.

Quem irá avançar à final da Libertadores?

“Pelo momento, eu não tenho acompanhado muito como estão os times argentinos, todo mundo tem acompanhado o Flamengo. Tá embalado, tá com a confiança lá em cima. Mas eu creio que esse jogo tá em aberto, pelo fato do Grêmio ter experiência, nos últimos anos o Grêmio tá sempre ali na semifinal e sabe como jogar. E como falamos antes, na Libertadores é preciso ter experiência”, afirmou Felipe Anderson.

“Creio que o Flamengo vai fazer bons jogos, mas o Grêmio tem mais chances de passar por ter essa experiência. O Flamengo tem mais qualidade, mas o Grêmio tem mais experiência na competição, então creio que vai dar Grêmio”, opinou o meia.

“Como a gente falou, na Libertadores o que mais conta quando chegam nestas decisões, é a experiência, é a calma, a sabedoria, a sabedoria de ter a bola e segurar, fazer uma falta. Isso você vai ganhando com o tempo. E o Grêmio nos últimos anos estava ali, semifinal, final, ganhou a Libertadores. Então creio que vai sobressair sim. Como eu falei, não torço para nenhum desses times, mas creio que o Grêmio vai estar na final. E dando Grêmio e um time argentino, eu vou torcer para o Grêmio porque eu sou brasileiro e o Brasil merece esse reconhecimento”, analisou Felipe Anderson.

“Eu aposto mais no River pelo momento que vem passando, por como estão jogando, creio que tem altas chances, mas na partida nunca se sabe. Já vimos muitos favoritos que ficam fora. Mas, bom, eu aposto no River”, comentou Balbuena. “Para mim ganha o River (risos). E do outro lado, Flamengo”, afirmou Lanzini.