Todo jogador sonha em conquistar títulos, ser campeão, marcar gols e ser importante no esporte. O que toda criança sonha é ser jogador profissional e vestir a camisa do clube do coração, conseguindo tudo isso com a camisa que aprender a amar desde cedo. Na Argentina é muito comum vermos jogadores voltando aos seus clubes de origem – ou de coração – para tentar realizar esse sonho de criança, enquanto ainda têm forças nas pernas para serem profissionais. Lisandro López conseguiu isso neste domingo, pelo Racing.

Lisandro López voltou ao Racing em 2016 e conquistou o título da Superliga Argentina neste domingo, 18º da história do clube, que é o seu clube de formação e de coração. Mais do que isso, é o artilheiro da liga até aqui, faltando uma rodada para o fim da Superliga, com 17 gols. A não ser que aconteça algo espetacular, será o artilheiro da liga, já que o segundo colocado na tabela de artilheiros, Emanuel Gigliotti, tem 12 gols, cinco a menos que o jogador do Racing.

“Ser campeão com o Racing é uma satisfação, uma grande tranquilidade. É um momento de alegria total. Eu não sei se consigo descrever o que significa para mim. Sinto uma paz indescritível”, afirmou o atacante, capitão e ídolo do Racing ao Olé.

O atacante foi perguntado se saldou uma dívida com a conquista do título. “não, mas sinto que saldamos a conta de ganhar um título com o Racing. Seguramente, dentro de uma semana começaremos a pensar na Copa Argentina e na Copa da Superliga. E teremos que nos focar. Vou me exigir ao máximo para poder ganhar esses campeonatos como fiz em cada torneio que tive que enfrentar na minha carreira. Espero que este título seja o primeiro de muitos”, afirmou o centroavante.

“Lembrei de tudo que lutei por isso. Foram três anos e meio buscando da mesma maneira. Sempre treinei e me entreguei por esse objetivo. Sempre quis um título com este clube. Houve muitas frustrações e certamente virão outras. Sempre são mais momentos ruins do que bons no futebol”, contou o jogador.

López confessou que tirou um grande peso das costas com a conquista do título pelo Racing. “Há uma mochila que se esvaziou bastante. Era algo desejado e sonhado. É um peso importante que deixo de lado. Mas essa mochila vai voltar a se carregar dentro de pouco tempo, quero ganhar cada torneio. Vou seguir querendo mais”, continuou o camisa 15 da Academia.

O título pode ser um alívio, mas Lisandro López já pensa em levantar outra taça. “É que não se pode pensar de outra forma. Desejo que meus companheiros se sintam assim. É o momento para relaxar, mas em poucos dias temos que começar a nos preparar para os dois torneios que estão chegando”, disse o jogador.

O jogador contou também como foram os momentos seguintes ao fim do jogo contra o Tigre, que sacramentou a conquista da taça. “Foi bonito. Me juntei aos festejos depois de 20 minutos, porque não podia parar de chorar. Foi muito bonito. Momentos de muita euforia. De jogadores, comissão técnica, dirigentes, pessoal do administrativo, roupeiros”, contou o atacante. Perguntado sobre o que pensou nos 20 minutos que esteve sozinho, ele falou da emoção. “A satisfação de ter conseguido. Era como uma bomba de tranquilidade que me invadiu nesse momento. Foi uma descarga”.

Com 11 títulos na carreira, Lisandro López passou por times importantes como Porto e Lyon, e levantou taça nos dois (quatro ligas portuguesas, duas Copas de Portugal, uma Supercopa de Portugal e uma Copa da França). Ele não tem dúvida, porém, que é este título com o Racing aquele que tem um lugar mais especial no seu coração. “Sim, foi o mais importante da minha carreira, muito bom em todos os sentidos. Fui campeão com o Porto cinco rodadas antes com um time que jogava muito bem, mas por como jogou esta equipe, pelo carinho das pessoas, este campeonato foi o mais importante”, afirmou o ídolo.

O atacante foi chamado a comparar entre os times que já jogou e sobre o futebol praticado e novamente ressaltou a conquista deste domingo. “Com o Porto fizemos uma campanha bárbara, mas é certo que lá a liga é muito menos competitiva. Nossos competidores máximos eram apenas Sporting e Benfica. Acredito que por ser o futebol argentino, porque chegamos à liderança na quarta rodada, porque jogamos bem e pela regularidade que tivemos, é o melhor campeão que eu já integrei”.

Lisandro, ou “Licha”, como é conhecido na Argentina, falou sobre qual é a cena que mais marcante da campanha. “As pessoas que havia no Obelisco. Nunca imaginei que ia ter tanta gente e loucura. Não me convencia muito da ideia de ir festejar porque podíamos fazer isso no domingo, no nosso estádio. Mas depois me deu conta do que valeu totalmente a pena. Nunca imaginei todos esses torcedores no Obelisco, me surpreendeu e não vou me esquecer. Em 2014, por jogar em casa, muita gente festejou no Cilindro. Isto foi assombroso, incrível”, relatou o jogador.

Vestindo a braçadeira de capitão, Licha se tornou um representante dos torcedores em campo. E embora sonhasse com isso, o camisa 15 disse que tudo que aconteceu superou muito suas expectativas. “Na verdade, tudo superou. Quando começamos sempre sonhamos que as coisas saiam bem. Sempre disse que as pessoas do Racing se identificavam comigo por vir da base e ser goleador, mas não tinha um título. Agora sinto que devolvi um pouco de todo esse carinho. Espero que venham mais”, disse López.

Líder por quase o campeonato todo, Lisandro comentou sobre o que levou o time a ser tão forte. “Constância, personalidade, convicção para sentir que estávamos no caminho correto. Com uma ideia clara. Para além dos tropeços, nunca deixamos de acreditar. Tínhamos muita vontade de sair para ganhar as partidas e querer ser campeões. Nós recomeçamos depois de cada golpe”, contou.

O título garantiu o Racing na Libertadores de 2020 e o clube não conquista um título internacional há 31 anos – desde a conquista da Supercopa Sul-Americana em 1988. Na história, o Racing conquistou a Libertadores e o Intercontinental (Mundial da época) em 1967. “Estão fazendo as coisas muito bem neste clube, em todos os aspectos. Acredito que estamos no momento certo para nos concentrarmos no aspecto esportivo e tentar continuar somando títulos a este grande clube”, analisou ainda o capitão.

É de se esperar que em 2020 o Racing chegue à Libertadores com muita força. Ainda que isso seja difícil de prever no futebol sul-americano, que as coisas mudam muito rápido – ainda mais com tanto tempo pela frente até o próximo ano.