Marcello Lippi é gente como a gente. Na ausência de futebol ao vivo devido à crise sanitária decorrente do novo coronavírus, o treinador campeão do mundo pela Itália em 2006 tem matado a saudade do esporte assistindo a partidas antigas – e, em seu caso, relembrando as finais em que esteve envolvido como técnico. Em retrospecto, mesmo estando presente no icônico momento da cabeçada de Zidane em Materazzi, Lippi disse ter ficado “chocado” ao rever a agressão do francês, com quem trabalhara anteriormente na Juventus.

A declaração veio em entrevista à Rai Radio 1. O treinador disse que a agenda de seu confinamento tem incluído muito futebol antigo. A final de 2006 da Copa do Mundo, da qual saiu campeão, obviamente é de suas partidas favoritas. “Devo ter visto aquele jogo umas 20 vezes, e cada uma delas é emocionante”, comentou.

“Fiquei chocado com o comportamento do Zidane. Trabalhei com ele na Juventus, e ele é uma pessoa extraordinária, muito humilde e inteligente”, revelou Lippi, que treinou o francês entre 1996 e 1999 na Velha Senhora.

As recordações daquela partida, no entanto, obviamente são majoritariamente positivas, e o técnico contou como foi a escolha de Fabio Grosso para bater o pênalti derradeiro, que deu o título à Azzurra.

“Escolhi o Grosso para o pênalti final porque os melhores especialistas na cobrança já tinham sido designados, e lembrei que o Grosso havia conquistado o pênalti no último suspiro contra a Austrália (nas oitavas de final) e marcado contra a Alemanha nos acréscimos (na semifinal). Disse a ele: ‘Você é o cara do último minuto, então você cobra o quinto pênalti’. Ele não conseguia acreditar.”

A carreira de Lippi como treinador lhe reservou muitas finais, com o italiano saindo vencedor em um bom número delas. Além da Copa do Mundo, carrega em seu currículo títulos da Champions League e da Copa Intercontinental em 1996, uma Copa da Itália em 1995, todos Juve, e uma Champions League Asiática pelo Guangzhou Evergrande, além de outros de menor expressão. Ainda assim, não tem escapado das derrotas em sua maratona nostálgica.

“Assisti a todos os jogos da Copa do Mundo de 2006 e então todas as finais em que participei como treinador. Houve várias, algumas delas menos sortudas do que outras, mas simplesmente estar em uma final já é um passo internacional importante em minha carreira.”

Lippi conta que o revés mais difícil de digerir aconteceu em uma decisão de Champions League, contra um grande rival: “A derrota que deixou o maior gosto amargo na boca foi a da Liga dos Campeões de 2003, em Manchester, quando perdemos nos pênaltis”.

Ao todo, Lippi esteve em quatro finais de Champions League, todas elas pela Juventus: 1995/96, 1996/97, 1997/98 e 2002/03.