Aos 32 anos, embora ainda decisivo e recém-premiado com sua sexta Chuteira de Ouro, Lionel Messi sabe que as coisas são diferentes. O argentino tem vivenciado um início de temporada incomum para ele, tendo desfalcado a equipe na maioria dos jogos e só recentemente voltando aos gramados. “Você pensa que tem 25 anos, (…) mas o corpo é quem manda”, reflete o camisa 10.

Em entrevista ao Marca, Messi falou sobre seu atual momento na carreira, tendo passado dos 30 anos. Com seu corpo demandando mais descanso, as coisas são difíceis, “porque sua mente está legal”. “Você acha que tem 25 anos e que pode continuar fazendo as mesmas coisas que antes. Mas o corpo é que manda, e existem circunstâncias em que você tem que ser mais cuidadoso do que antes. Adaptar-se a isso requer um processo e uma preparação diferente para treinos e jogos.”

O craque do Barcelona ainda não consegue projetar quando deverá ser o fim da sua carreira, mas está atento a seu próprio corpo. Para ele, descobre-se ao longo do tempo, por conta própria. E, quando chegar o momento, não tentará mentir para si mesmo. “Serei o primeiro a dizer: ‘Cheguei longe e não posso mais continuar’. Ou direi que me sinto bem para prosseguir. Descobrirei isso ao longo dos anos.”

A essa altura, já estamos todos bastante acostumados ao papo de que Messi poderia prolongar a duração esperada de sua carreira se deslocando para o meio de campo conforme a idade avançar. As pessoas depreendem isso a partir da ideia de que o jogador tem de sobra a habilidade com a bola nos pés para mantê-la sob posse ou para acertar um passe, isso sem falar em sua inteligência de posicionamento. Uma mudança de posição lhe permitiria ainda fazer a diferença, em um período em que a explosão muscular necessária no ataque já não mais existiria.

O fato de que se veja o argentino cada vez mais frequentemente recuado no campo ao longo das partidas reforça a teoria, mas isso é algo em que o craque ainda não pensa.

“Depende de como as coisas acontecerão. Atualmente, eu costumo recuar mais no campo para receber a bola e estar em contato com ela e o meio de campo. Não sei o que irá acontecer no futuro”, reconheceu.

Questionado pelo repórter sobre sua personalidade mais reclusa em comparação com a de Cristiano Ronaldo e Ibrahimovic, por exemplo, que se exaltam constantemente, Messi diz que prefere deixar que as pessoas falem dele. “Sei o que sou, o que fiz e o que posso oferecer, mas guardo para mim mesmo. As pessoas podem ter suas opiniões. Não gosto de falar sobre mim mesmo, gosto de falar sobre o coletivo”, respondeu.

Ao longo da última década, a diferença de nível do argentino e de Cristiano Ronaldo para o restante dos melhores jogadores do mundo acabou por criar uma rivalidade entre alguns fãs dos dois, e um dos argumentos que utilizam para tentar diminuir o jogador do Barcelona é que ele nunca se desafiou fora da Catalunha. O próprio jogador da Juventus chegou a recomendar que Messi “deixasse sua zona de conforto”. Mas ele está tranquilo com sua escolha.

“Todo mundo busca seus objetivos e suas experiências. Nunca tive a necessidade de deixar o melhor clube do mundo, o que o Barcelona é, onde eu gosto de treinar, de jogar e também da cidade. A dinâmica entre clube e cidade é bastante completa, e sempre tive certeza dos objetivos neste clube, em vez de ter que ir procurá-los em outros lugares.”