A derrota do Lyon por 1 a 0 para o Nantes, no sábado (28), aconteceu em um horário incomum para o futebol francês, 13h30 (8h30 no horário de Brasília). Tudo para favorecer a transmissão da partida para a China, mercado que a Ligue 1 quer explorar mais. Em resposta à decisão, a torcida do Lyon, que jogava em casa, preparou uma surpresinha para a ocasião: um enorme mosaico com a bandeira do Tibete e uma faixa dizendo “liberte o Tibete”.

Um dia antes do jogo, a Liga de Futebol Profissional, organizadora do Campeonato Francês, anunciou que a decisão de mudança do horário aconteceu para favorecer a transmissão da partida na China, entrando no horário nobre da programação televisiva chinesa.

Além do enorme mosaico, diversas bandeiras do Tibete estiveram presentes em diferentes seções das arquibancadas do Estádio Groupama no sábado, e a faixa “Liberte o Tibete” depois se transformou em “Liberte a Ligue 1”.

Em comunicado após o jogo, a torcida responsável pela ação, a Bad Gones, afirmou que, além do aspecto político da manifestação, o desejo era “lembrar a todos que os espectadores e torcedores são atores plenos no esporte e que devemos a eles mais respeito do que a qualquer outro espectador”.

“Os horários absurdos se multiplicaram nos últimos anos em detrimento de uma única população: a das arquibancadas, lateral ou curva, para conquistar algumas centenas de milhares de espectadores do outro lado do planeta, numa abordagem puramente comercial.

Se a visão de algumas bandeiras tibetanas pode incomodar a liga e sua nova emissora sob o controle do aparato estatal chinês, para o qual este assunto é espinhoso, ficaremos felizes em repetir a experiência.”

Desde os anos 1950, a China governa o Tibete e considera a nação parte de seu território. Os tibetanos, no entanto, classificam a presença chinesa como uma ocupação e reclamam da opressão do governo chinês, que tem um longo histórico de repressão violenta dos protestos pró-independência, além de acusar o exilado líder budista Dalai Lama de ser “terrorista”.

Se a torcida do Lyon quiser uma sugestão para o próximo protesto, a China mantém o que chama de “campos de reeducação”, onde pesquisadores estimam que mais de um milhão de muçulmanos da minoria uigur (e de outros grupos muçulmanos) estão detidos, cercados por arames farpados e torres de vigilância, sob o pretexto de um processo de “erradicação do extremismo religioso” e “treinamento vocacional”.