O Bayern Munique avisou contra o Hoffenheim. O Basel não viu. Alguém ligou o disjuntor lá na Baviera e de repente, como num passe de mágica, o time voltou a apresentar o volume de jogo fantástico do início da temporada, com o luxuoso bônus das grandes atuações de Arjen Robben. Ao Basel, estático diante de tanto talento, só restou aceitar a derrota de maneira passiva, sem reclamar muito. A humilhação estava selada. E os comandados de Jupp Heynckes fizeram as pazes com o bom futebol em um jogo que, se não tivessem vencido, poderia decretar o fim de qualquer possibilidade de paz em 2011/12.

Contar a história cronológica do jogo é um saco, então vamos ao que interessa. E o que interessa é que Mario Gómez destruiu. Um gol com o pé bom (o direito), dois com o esquerdo (o “ruim”) e um de cabeça, especialidade da casa. Três deles em assistência do genial Frank Ribéry, que no auge de seus quase 29 anos faz a melhor temporada de sua vida depois de superar diversas lesões em anos anteriores. É um azougue quando necessário, mas é também cerebral e extremamente técnico quando as circunstâncias exigem. Voltando ao assunto Mario Gómez, é o artilheiro da Bundesliga com 23 gols e o vice da Liga dos Campeões, com 11. Na temporada são 34, o que só o coloca atrás de Cristiano Ronaldo e Messi na Europa.

Gómez e Ribéry já seriam suficientes para eliminar o Basel. Mas ainda havia Robben, um sujeito folgado que geralmente está fora de campo se tratando de alguma lesão. Quando está bem, o holandês é o cara. Fez o primeiro gol, deu o passe para o segundo, fez o último e acelerou o motor. É, na opinião deste humilde colunista, o único jogador do futebol mundial já pronto e capaz de rivalizar com Messi e Cristiano Ronaldo quando o assunto é talento. As duas últimas Copas do Mundo e a Liga dos Campeões em 2009/10 mostram isso.

Para completar a farra, os outros jogadores também foram bem. Thomas Müller, que não vinha jogando nada há pelo menos três meses, fez boa partida. Toni Kroos, atuando como segundo volante, mostrou sua capacidade nas bolas paradas e ditou o ritmo do time no meio. Luiz Gustavo comandou a saída de bola e deu até lençol no adversário. Holger Badstuber, o aniversariante do dia, só claudicou em um momento, numa disputa de bola com Xherdan Shaqiri ainda no primeiro tempo, mas defendeu bem e ainda deu passe para um gol de Mario Gómez.

A grande mudança do time, no entanto, foi na lateral. Philipp Lahm voltou a jogar pela direita na partida contra o Hoffenheim. Coincidentemente (ou não), os bávaros marcaram 14 gols e sofreram apenas um desde então. Por mais que seja feita a ressalva de que os adversários estão num patamar abaixo, não são grandes esquadrões, é necessário dizer que essa foi a única mudança real no time e pode sinalizar uma situação permanente. Desta maneira, Rafinha poderia ir para a lateral esquerda, que tem sido bem preenchida por David Alaba. No gol, Manuel Neuer quase não pegou na bola, apenas saiu do gol com eficiência em alguns cruzamentos.

A volta do Bayern Munique ao mundo real pode trazer um pouco de emoção à Bundesliga, que já começava a se definir a favor do Borussia Dortmund. A diferença entre as duas equipes é de cinco pontos (56 a 51) e os aurinegros encaram os três primeiros colocados em confrontos diretos ainda. No dia 10 de abril, Bayern e Dortmund se enfrentam no Signal Iduna Park, e o jogo pode adquirir ares de final antecipada, dependendo do resultado dos dois clubes até o momento.

Gladbach em queda, Schalke montanha russa

O Borussia Mönchengladbach não é mais o mesmo time da defesa eficiente e do contra-ataque mortal. Nos últimos dois jogos, perdeu um e empatou dois, o último deles em casa contra o Freiburg, vice-lanterna do campeonato. O desfalque de Patrick Hermann, lesionado, foi muito sentido pela equipe, e Marco Reus, após a má partida pela seleção alemã contra a França, parece ter sentido o golpe nas últimas rodadas e também não tem rendido.

O Schalke 04, quarto colocado, se recuperou na rodada ao vencer o ridículo Hamburg por 3 a 1 e chegou a 47 pontos, se estabelecendo na quarta colocação e fechando o pelotão de clubes que provavelmente irão para a Liga dos Campeões. O Bayer Leverkusen, que poderia entrar nessa briga, perdeu para o Wolfsburg e estacionou nos 40 pontos.