A polêmica com a Copa do Mundo de 2022, que será realizada no Catar, continua. A liga espanhola, LFP (Liga Fútbol Profesional), irá processar a Fifa pela realização da competição no final do ano, forçando uma interrupção no seu calendário e não sendo disputada no meio do ano, quando é período de férias. E o valor pedido como indenização é uma bolada: 65 milhões de euros.

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O presidente da LFP, Javier Tebas, disse que tomou a atitude “em defesa dos iinteresses dos clubes, que são os que cedem os jogadores às seleções”. Ao disputar a Copa no fim do ano, a Fifa foi contra a recomendação da Associação de CLubes Europeus (ECA) e da Associação de Ligas Europeias (EPFL), que sugeriram que o torneio fosse disputado um pouco antes, entre o dia 5 de maio ao dia 4 de junho, que teria temperaturas um pouco mais amenas, uma vez que seria antes do início do verão do Catar.

Em março, a Fifa anunciou que a Copa de 2022 seria disputada entre o dia 20 de novembro e 18 de dezembro com a justificativa de “evitar as altas temperaturas no país durante os meses de primavera e verão”. A LFp, representada por Tebas, disse que a decisão “altera o calendário das grandes ligas europeias e também das competições continentais” e por isso a entidade resolveu entrar com um processo no Tribunal Arbitral do Esporte (TAS).

Tebas ainda afirmou que recebeu o apoio de outras ligas, como a Premier League, da Inglaterra, a Bundesliga, da Alemanha, e a Serie A, da Itália. Só que nenhuma delas quis se comprometer a assinar um documento para entrar em um processo conjunto. “Há muito medo da Fifa”, justificou Tebas. “Usar os meios legais quando há diferença de critério é o que fazem as pessoas civilizadas. Ninguém deveria se assustar por recurrer a uma demanda de uma reclamação lícita de seus direitos, mas há medo”, afirmou ainda o dirigente espanhol.

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Se faltou um apoio formal de outras ligas europeias, o presidente da LPF, a liga profissional da França, mostrou um apoio público pelas declarações do seu presidente, Frédéric Thiriez. “A LFP está disposta a apoiar todos os procedimentos legais que as ligas possam levar a cabo contra a Fifa. Devemos defender os interesses de todos os clubes e não só aqueles que cedem jogadores às seleções nacionais”, disse o dirigente.

O problema para as ligas europeias é que o presidente da Uefa, Michel Platini, foi apoiador do Catar para 2022. O francês já declarou que a mudança do momento de disputa “é uma mudança em benefício dos jogadores e dos torcedores”. Platini é um potencial candidato a presidente da Fifa, mas não parece disposto a abrir mão desta questão do Catar, o que só o coloca em uma posição ainda mais delicada.

A Fifa já reagiu à ação da LFP. O seu presidente (que continua lá, por enquanto), Joseph Blatter, falou em uma compensação financeira. Mas o secretário-geral, Jérôme Valcke, não pareceu muito disposto a isso. “Por que estamos falando de uma compensação? Aconteceu alguma vez? Por que deveríamos nos desculpar com os clubes? Tivemos um acordo com eles, que recebem parte dos benefícios. Foi um acordo de US$ 40 milhões (35,2 milhões de euros) em 2010 e US$ 70 milhões (61,6) em 2014”, bradou o dirigente, braço direito de Blatter.

Só que o discurso do enfraquecido presidente é outro. Pouco depois das declarações de Valcke, o suíço afirmou que “a mudança [de período de disputa da Copa] produzirá prejuízos econômicos e se compensará aos clubes por isso”. Então, a ação da liga espanhola pode mesmo render o esperado – uma compensação financeira, além de ser uma forma da liga prestar contas aos seus associados.

Um dia depois do anúncio que a Copa do Mundo de 2022 seria disputada em novembro e dezembro, Blatter tratou de amenizar os ânimos com mais dinheiro. O acordo é que as compensações aos clubes por cederem jogadores às Copa sde 2018 e 2022 seriam triplicadas, passando a US$ 209 milhões. Blatter, por mais que estivesse sob pressão já em março, sabia que o poder de negociação dos clubes europeus era grande. Na Copa 2014, 80% dos jogadores convocados para o evento jogavam em clubes da Europa. E a liga espanhola sabe que o momento é favorável, já que a Fifa enfrenta tantos problemas no último mês.

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