As suspeitas de ‘mala branca’ são corriqueiras quando um campeonato está chegando ao fim. Do mesmo modo que ocorre no Brasil, há também muita discussão sobre o assunto na Espanha. O que difere a prática nos dois países são suas consequências. Aqui, o ato é condenável apenas moralmente, enquanto lá ele é proibido por lei e submete os envolvidos a uma multa de € 3 mil, além de mandá-los para a prisão por até quatro anos.

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No Campeonato Espanhol, as presunções a respeito desse tipo de comportamento começaram cedo. Logo na 36ª rodada, quando o Real Madrid foi ao País Basco para enfrentar a Real Sociedad, Barcelona e Atlético de Madrid foram acusados de terem pago uma certa quantia em dinheiro para o time da casa, em função de um lance que ocorreu no final do jogo. A suspeita foi levantada quando o goleiro Gero Rulli, da Real Sociedad, saiu do gol e foi apoiar o time no ataque faltando pouco tempo para o fim da partida e com um placar de 1 a 0 para os visitantes. Para alguns, foi uma atitude estranha, já que os txuri-urdin ocupam o meio da tabela de classificação e desde essa rodada já não estava mais brigando por uma vaga em competição europeias ou para escapar da zona de rebaixamento. Porém, depois do jogo, Rulli  saiu em defesa do seu time e disse que as acusações não eram reais.

Com a proximidade da última rodada e a briga entre dois times que estão separados por um ponto pelo título de La Liga, a polêmica em torno da prática da mala branca volta a ter força. Tanto o Barcelona, quanto o Real Madrid, jogarão a última rodada fora de casa. Os catalães encaram o Granada, time que ocupa, no momento, o 16º lugar na tabela. Já o elenco de Madri joga contra o Deportivo de La Coruña, que está três posições a frente do adversário do Barça.

Em declaração ao jornal espanhol Marca, o presidente de La Liga Javier Tebas disse acreditar que o Real Madrid cumprirá a lei. “A lei espanhola não permite que alguém seja privilegiado nessa prática da mala branca. E isso é o que o Real, que geralmente cumpre as normas, fará. Nós sempre estivemos atentos, desde a primeira partida do campeonato, para que todas as regras fossem cumpridas, especialmente de forma íntegra. Não permitiremos esse comportamento que vai contra a integridade do futebol e iremos vigiar todas as partidas, não só a que acontecerá em Granada”, afirmou.

Apesar de ser ilegal, a execução do ato ainda divide opiniões. O ex-jogador do Real Madrid Manolo Sanchís, por exemplo, diz que não vê problema algum em receber um incentivo extra para ganhar jogos. Luis Rubiales, presidente da associação dos jogadores da Espanha, também está de acordo com a prática.