O Olimpia vem montando times competitivos nos últimos anos, mas que não necessariamente repercutem além das fronteiras. O Rey de Copas caiu na fase preliminar da Libertadores nas duas últimas edições, superado por Botafogo e Junior de Barranquilla, além de ter sucumbido ao Nacional de Assunção após ser repescado à Sul-Americana de 2017. Dentro do Paraguai, ao menos, os franjeados voltaram a cantar de galo. No primeiro semestre, faturaram o Apertura e encerraram um jejum de três anos sem o título nacional. Já nesta quarta-feira, consumaram a conquista do Clausura, conquistando sua primeira “dobradinha” desde que o modelo de dois campeonatos por ano foi adotado. Nadaram de braçada e, já assegurados na fase de grupos da Libertadores 2019, serão um concorrente a se observar.

A campanha do Olimpia no Apertura já tinha sido dominante. Os alvinegros conquistaram 16 vitórias em 22 jogos, com apenas uma derrota, terminando com 11 pontos a mais que o Cerro Porteño, o vice-campeão. Ritmo que se manteve ao longo do Clausura. Passadas 20 rodadas, os olimpistas já somam 14 vitórias. Têm 46 pontos, 10 a mais que o Ciclón, novamente vice-líder. Além disso, o ataque acumula expressivos 45 gols, contra apenas 17 sofridos pela defesa. Melhor em todos os quesitos que, invariavelmente, assegurou a taça com duas rodadas de antecipação.

O jogo-chave para o Olimpia aconteceu no início do mês: o clássico contra o Cerro no Defensores del Chaco. Os azulgranas ainda tinham esperanças de alcançar os rivais na tabela, mas para isso precisavam da vitória. A partida intensa acabou com o empate por 2 a 2, na qual o Rey de Copas recebeu uma ajudinha da arbitragem. Ainda assim, nada que negue o time como realmente o melhor do Paraguai em 2018. Nesta quarta, os franjeados encararam o Guaraní, em péssima fase, para confirmar o título. Diante de uma enorme festa nas arquibancadas em Assunção, não tiveram piedade dos aurinegros, com a goleada por 4 a 1. Festa por uma campanha soberana.

Treinado pelo argentino Daniel Garnero, comandante que havia feito sucesso no próprio Guaraní, o Olimpia conta com uma base bastante experiente. Entre os jogadores que formam a espinha dorsal, há vários trintões, incluindo Alfredo Aguilar, Darío Verón, Sergio Otálvaro e Julián Benítez. Duas figuras essenciais estão no meio-campo: William Mendieta e Néstor Camacho, que contribuem com muitos gols. Já no ataque, se Jorge Miguel Ortega desponta pelos tentos decisivos, a idolatria vai mesmo a Roque Santa Cruz. O veterano retornou à velha casa e faz acontecer. Aos 37 anos, anotou nove gols no Clausura, artilheiro da equipe no torneio, além de contribuir com seus passes e sua movimentação. Em outubro, inclusive, chegou a balançar as redes quatro vezes no mesmo jogo, durante a vitória sobre o Deportivo Capiatá. A boa forma física permite que seja rei. Um líder neste reerguimento.

O ano ainda pode terminar com o domínio total do Olimpia no futebol paraguaio. A criação da Copa Paraguai ofereceu um novo terreno para os franjeados triunfarem e o time vem sobrando no certame. Eliminou outros adversários expressivos, como o Libertad e o Sportivo Luqueño. Já a final acontece em 5 de dezembro, contra o Guaraní, no campo neutro de Pedro Juan Caballero. Pelo resultado recente na liga, o favoritismo é todo olimpista para acumular também o troféu inédito.

No Campeonato Paraguaio, o Olimpia amplia o seu domínio histórico. São 42 títulos agora, contra 32 do Cerro Porteño. O Ciclón pode reduzir a diferença neste século, de significativa seca ao Rey de Copas – que permaneceu de 2000 a 2011 em completo jejum, assistindo ao domínio dos rivais e também do Libertad. Agora, o Decano retoma os prumos no cenário doméstico. E possui uma força capaz de reverberar na Libertadores, ao menos com uma campanha até os mata-matas. É ver se os sorteios trarão um pouco menos de dificuldades aos olimpistas.