Dono de uma das torcidas mais inflamadas do futebol italiano, o Hellas Verona não esperou muito para voltar à elite. Uma temporada depois do rebaixamento, os gialloblù asseguram o acesso à Serie A, acompanhando a Spal. A conquista se consumou nesta quinta, com uma dose de dramaticidade maior do que se apontava no início da campanha. Líder até a virada para o segundo turno, o time caiu de produção e viu seu lugar na zona de acesso direto seriamente ameaçado. Não deu para chegar ao título, mas pelo menos os Mastini se mantiveram à frente do Frosinone, que também protagonizou a sua refugada. Assim, o empate fora de casa com o Cesena, por 0 a 0, acabou sendo suficiente para selar o sucesso dos campeões nacionais de 1985.

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Por sua estrutura, o Verona apontava que não teria problemas para conquistar o acesso. Chegou ao topo da tabela graças à arrancada inicial, com nove vitórias nas 13 primeiras rodadas, enquanto segurou as pontas até janeiro. Então, a má fase pesou contra os gialloblù, que se perderam ao tomar uma goleada por 4 a 0 em casa para o Novara. Logo em seguida, o time perdeu por 5 a 1 do Cittadella e atravessou um período de 12 rodadas com apenas três vitórias. Para sua sorte, acordou justamente na reta final. Pegou embalo novamente, com direito a uma épica vitória no dérbi contra o Vicenza, na antepenúltima rodada, anotando o gol decisivo aos 49 do segundo tempo, após empatar aos 43.

O acesso acabou adiado no final de semana, com o empate diante do Carpi. Ainda assim, o Verona dependia apenas de si na rodada decisiva contra o Cesena, um adversário bastante simbólico. Afinal, foi contra os bianconeri que os gialloblù acabaram rebaixados em 1990, em derrota que marcou o fim da era de Osvaldo Bagnoli, treinador nos anos dourados do Estádio Marcantonio Bentegodi. Mudando os rumos da história, o empate desta quinta já foi suficiente, graças à vantagem no confronto direto contra o Frosinone. Os concorrentes venceram e igualaram os 74 pontos dos Mastini, mas, ainda assim, precisarão ir aos playoffs.

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Ocupando as ruas desde a tarde, os gialloblù já vararam a noite comemorando na praça principal da cidade. A quinta, aliás, não poderia ser mais feliz aos torcedores do Verona. Apesar do risco evidente contra o Cesena, os gialloblù também celebraram o rebaixamento do rival Vicenza. Flertando com a queda há tempos, os biancorossi perderam para o Spezia, acompanhando Pisa, Trapani e Latina rumo à Lega Pro. Já os playoffs de acesso serão disputados por Frosinone, Perugia, Beneveto, Cittadella, Carpi e Spezia.

Mantendo um elenco com orçamento de coadjuvante da Serie A, o Verona tinha certa obrigação de subir imediatamente. O técnico Fabio Pecchia se valeu da experiência do grupo, com um time titular no qual nenhum jogador tinha menos de 24 anos. A tarimba, inclusive, ajudou os gialloblù a segurarem as pontas quando a situação apertou, para a guinada na reta final do segundo turno. E alguns dos protagonistas são velhos conhecidos.

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Herdeiro legítimo de Luca Toni, Giampaolo Pazzini assumiu o papel de matador da equipe, somando 23 gols na campanha. O centroavante de 32 anos terminou como artilheiro da Serie B. Entre as figurinhas carimbadas, há também os meio-campistas Franco Zuculini e Enzo Maresca – este, se aposentando em fevereiro, aos 37 anos. Além disso, três brasileiros deram a sua contribuição na campanha: o goleiro Nicolas, formado pelo Atlético Mineiro; o volante Rômulo, que chegou a passar pela Juventus; e o meia Daniel Bessa, cria da base da Internazionale. Contratado em definitivo pelos Mastini, Bessa atravessou a temporada mais consistente como profissional, contribuindo com oito gols e quatro assistências.

A partir da próxima temporada, o Verona reforça a representatividade de sua cidade na Serie A, ao lado do Chievo. Um alento tremendo, para quem chegou a frequentar a terceira divisão no final da década passada. O município do Vêneto pode contar até mesmo com um terceiro representante no futebol profissional, caso a Virtus Verona (o time local “alternativo”) vença os playoffs da Serie D contra a Triestina. Seria uma das únicas cidades, ao lado de Roma, a possuir três clubes nas ligas profissionais – isso se a Lupa Roma evitar o rebaixamento na Lega Pro. Comemoração ampla, que já abarca a principal torcida da região. O Marcantonio Bentegodi certamente voltará a pulsar forte nos próximos meses.