A diferença entre o poder financeiro entre Europa e América do Sul é cada vez menor. Se antes qualquer time do leste europeu era capaz de tirar um jogador médio daqui, atualmente mesmo os times mais importantes têm dificuldade para contratar um jogador de destaque daqui. Tanto que os clubes conseguem repatriar jogadores de destaque, como o meia Alex, que voltou ao Corinthians e custou valores de transferências europeus. O mesmo vale para Luis Fabiano, Vagner Love e Thiago Neves. Todos voltaram custando caro e com salário de time europeu.

Só que se a diferença em termos de contratações tem diminuído, quando se fala no maior torneio de cada continente, as diferenças são brutais em termos financeiros. Só que a situação é ainda mais grave. Quando se compara a premiação da Libertadores com aquela oferecida pelos campeonatos nacionais no Brasil ou até mesmo os grandes estaduais, se percebe que a Libertadores tem uma defasagem ainda maior.

O Campeonato Brasileiro tem premiação de cerca de R$ 8 milhões, um valor ainda superior ao pago pela Conmebol ao campeão da Libertadores – que recebe € 2,6 milhões, ou R$ 6 milhões no total.

Se comparada à Liga dos Campeões, a premiação da Libertadores parece ainda menor. Como a premiação da competição da Uefa varia de acordo com o resultado, considerando que um clube perca todos os seus jogos na primeira fase, receberá € 7,2 milhões, ou R$ 16,4 milhões. Mais do que a premiação total do time que for campeão da Libertadores.

Considerando o valor total, a Uefa distribui € 754,1 milhões (R$ 1,7 bilhão) em prêmios para os participantes da Liga dos Campeões. Já a Conmebol distribui um total de € 17 milhões (R$ 38,4 milhões). Isso significa que o total de prêmios da Libertadores não passa de 2,2% do que se paga na Liga dos Campeões.

O campeão europeu leva como prêmio um total de € 30 milhões, mais de 11 vezes e meia o valor pago pela Conmebol ao campeão do seu torneio mais importante. Uma diferença gritante em valores entre os dois mais importantes torneios continentais do mundo. Um abismo que não se reflete na economia.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos principais países europeus é maior do os países da América Latina. Porém, tratando apenas dos dois maiores PIBs da América Latina, Brasil e México, os valores não são tão inferiores.

O Brasil seria o terceiro PIB da Europa, com US$ 2.517.927 milhões de dólares, atrás apenas de Alemanha (US$ 3.628.623 milhões) e França (US$ 2.808.265 milhões). O México, segunda maior potência econômica da América Latina e com PIB de US$ 1.167.124, estaria atrás também do Reino Unido (US$ 2.480.978 milhões), da Itália (US$ 2.245.706 milhões), da Rússia (US$ 1.884.903 milhões) e da Espanha (US$ 1.484.708 milhões).

Com a força da liga brasileira e os jogadores mantidos por aqui – e o maior símbolo deles é Neymar -, era de se esperar que o Campeonato Brasileiro e a Libertadores estivessem com uma diferença menor em relação ao torneio europeu.

Venezuela e Rússia estão entre os cinco primeiros PIBs da América Latina e Europa, respectivamente. Porém, como sua importância no futebol é menor do que a de Chile e Espanha, usamos esses dois países na tabela abaixo:

PIB Europa (em milhões de dólares)
Alemanha: US$ 3.628.623
França: US$ 2.808.265
Reino Unido: US$ 2.480.978
Itália: US$ 2.245.706
Espanha: US$ 1.484.708

PIB América Latina (em milhões de dólares)
Brasil: US$ 2.517.927
México: US$ 1.167.124
Argentina: US$ 456.817
Colômbia: US$ 307.845
Chile: US$ 231.302

Considerando a força dos emergentes Brasil e México na América Latina mostra que a Libertadores tem potencial para ser uma competição que além de tradição e charme, pode ser economicamente muito forte. Se não tão forte quanto a Liga dos Campeões, pelo apelo mundial que os europeus têm, é certamente possível pensar em uma Libertadores mais rica e que distribua mais prêmios – e para os pequenos e grandes times, com uma divisão maior.

Nesse sentido, a entrada dos Estados Unidos na Libertadores pode ser um passo decisivo para tornar a competição não só maior em abrangência, mas especialmente em rendimentos para confederações e clubes.