Tem mudança na Libertadores (mas nem tanto). A Conmebol divulgou o calendário da competição para o ano que vem, e a novidade é que o início da fase preliminar, que carinhosamente chamamos de Pré-Libertadores, acontecerá cerca de uma semana mais tarde que de costume. Em vez de termos os primeiros jogos lá para o dia 20 e pouco de janeiro, os confrontos que definirão os últimos classificados para a fase de grupos acontecerão entre os dias 4 e 11 de fevereiro.

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A ligeira mudança acompanha o pequeno adiamento do início das atividades no Brasil também. Por aqui, os primeiros Estaduais têm seu pontapé inicial em 1º de fevereiro, o que significa dizer que quem conseguir vaga na fase preliminar da Libertadores provavelmente terá que utilizar equipe mista já nas rodadas iniciais de seu Estadual.

Assim como na Libertadores deste ano, a de 2015 terá uma pausa bem no meio de sua fase de mata-mata, desta vez por causa da disputa da Copa América no Chile. A parada, logo após as quartas de final, levanta dois problemas já bastante recorrentes: a quebra de ritmo na campanha – não é incomum um time em boa fase retornar não tão bem para o restante da competição – e a possível “desmontagem” de equipes entre os dois períodos.

Na decisão deste ano, o San Lorenzo, que terminou com o título, se viu desfalcado de um de seus principais destaques na competição, Ignacio Piatti, pois o atacante já havia acertado sua transferência para o Montreal Impact durante a pausa para a Copa. Com o fechamento da janela norte-americana em 8 de agosto, dois dias após o primeiro jogo contra o Nacional, Piatti não pode defender o clube argentino na partida de volta.

Piatti contribuiu com a campanha do San Lorenzo em 2014, mas não jogou segunda partida da final
Piatti contribuiu com a campanha do San Lorenzo em 2014, mas não jogou segunda partida da final

Como consequência mais direta da má organização da competição, o São Paulo passou por história parecida em 2006. Cedido por empréstimo pelo Betis, o atacante Ricardo Oliveira não disputou o jogo de volta da final contra o Inter, no Beira-Rio, pois seu vínculo com o clube terminou entre as duas partidas. Se não houvesse pausa para a disputa da Copa de 2006, mas, sim, um calendário que possibilitasse à competição sul-americana seguir rolando sem intervalos (ou com um entre a fase de grupos e o mata-mata), o planejamento do Tricolor poderia ter sido melhor e mais claro.

É normal que, especialmente nos países cujas temporadas terminam no meio do ano, sejam feitos contratos que vão até esse período, o que, potencialmente, pode significar que uma equipe perca atletas para os jogos derradeiros do torneio sul-americano, caso determinadas negociações de renovação não deem certo. Esse é o tipo de problema com o qual os clubes não precisariam lidar caso tivéssemos um calendário mais sensato na Libertadores.

O Comitê Executivo da Conmebol tem uma reunião marcada para o próximo dia 24, quando serão debatidas “questões importantes relativas à instituição”, como eles mesmo definiram. Bem que a discussão sobre uma mudança significativa no calendário poderia entrar em pauta. Já passou da hora de se discutir uma extensão no período em que ocorre o torneio. Da maneira como está, com os jogos (principalmente da fase de grupos) espremidos em um curto espaço de tempo, o nível das partidas acaba prejudicado por causa do cansaço dos jogadores. Sem falar que, em anos de competições internacionais entre clubes, como em 2014 e 2015, a própria competição perde um pouco de seu fôlego e apelo.

Calendário completo da Libertadores 2015

Sorteio dos grupos: 2 de dezembro de 2014

Primeira fase (Pré-Libertadores): 4 a 11 de fevereiro

Fase de grupos: 18 de fevereiro a 22 de abril

Oitavas de final: 29 de abril a 13 de maio

Quartas de final: 20 a 27 de maio

(Pausa para a Copa América)

Semifinais: 15 a 22 de julho

Finais: 29 de julho e 5 de agosto