Muitas vezes, a Uefa costuma ser questionada pelas punições que dá a eventos extracampo – especialmente pela maneira branda como já tratou casos de racismo e discriminação em suas competições. Quando o assunto é a própria entidade, no entanto, os dirigentes europeus não parecem atuar com a mesma frouxidão. A confederação abriu ação disciplinar contra o Manchester City após a vitória sobre o Sevilla no Estádio Etihad nesta quarta. O motivo? Os torcedores dos Citizens vaiaram o hino da Champions League.

A atitude da torcida não é bem uma novidade. Os ingleses costumam protestar contra a Uefa desde 2013, por conta das regras do Fair Play Financeiro. Na época, o clube foi multado em £50 milhões e os azuis entenderam uma medida como a maneira de mantê-los afastados da elite do futebol continental. Pode não ser das reclamações mais justas, mas até aí os Citizens estão dentro do seu direito de liberdade de manifestação, já que não estão ofendendo ninguém com o protesto.

Contudo, não é assim que a Uefa entende o gesto, que atrapalharia o seu “espetáculo”. O caso será julgado pelo Comitê Disciplinar da Uefa em seu próximo encontro, em 19 de novembro. Estranho é justamente a perseguição acontecer agora, em um momento no qual a entidade tem sido atacada, especialmente após as suspensões de Michel Platini e Angel María Villar. Não parece que será com decisões extremistas como esta que a confederação irá recuperar seu respeito.