Aos 31 anos, Robert Lewandowski parece ter atingido a melhor forma da carreira. O centroavante vive uma temporada avassaladora com a camisa do Bayern de Munique. Artilheiro da Bundesliga e da Champions League, o polonês anotou 37 gols em 31 partidas com o clube em 2019/20. E seus tentos continuam essenciais para que os bávaros mantenham grandes ambições. O desafio maior se concentra no torneio continental, onde a taça permanece como uma lacuna em sua carreira. Lewa sabe que precisa corresponder mais nos mata-matas da Champions, e a nova chance ressurge quando ele se mostra tão afiado.

Antes da partida contra o Chelsea, pelas oitavas de final, Lewandowski conversou com o jornal The Guardian. Falou sobre a maneira como se desenvolveu como centroavante e como a mentalidade faz toda a diferença ao seu alto rendimento. É interessante, principalmente, entender como o craque percebe o seu entorno e tenta extrair o melhor de si. Abaixo, destacamos os principais trechos da conversa. Confira:

A importância da mentalidade ao artilheiro

“Você pode jogar muito bem. Pode passar, pode cruzar. Mas se você desejar balançar as redes em quase todos os jogos, precisa mudar sua mentalidade. Não é como se virasse uma chave: ‘Ok, agora vou marcar’. Talvez 70% seja sua cabeça, não suas habilidades. Não são todos que podem jogar como um definidor. Tudo o que você faz antes do jogo, a rotina, também é importante para manter um alto nível de concentração. O cérebro recebe a informação de que algo importante está por acontecer”.

O raciocínio rápido do centroavante

“Você não tem muito tempo. Se você pensar por muito tempo ou em muitas coisas, às vezes dá errado. Se você tem uma ideia e sabe disso desde o primeiro instante, faça. Chute. Eu tenho pouco espaço dentro da área. Se pensar muito, o zagueiro vem e te bloqueia”

A importância do treinamento para surpreender os marcadores

“Antes do jogo, você não pode dizer: ‘Hoje, vou tentar esse movimento’. É impossível, mas se o seu corpo conhece esse movimento, essa técnica, em um momento perfeito acontecerá. Às vezes estou treinando finalizações e posso pensar: ‘Isso não importa, é apenas treino’. Mas não, se você focar nisso, talvez pode se tornar mais fácil nos jogos. Se você tem 20 chances no treino e marca 20 gols, durante o jogo é mais provável que você marque”.

A forma como se aprimorou no Dortmund

“No Dortmund, nós apostamos que, se eu marcasse dez gols nos treinos, então Klopp me daria €50. Nos primeiros treinamentos, eu fazia três ou quatro. Depois de umas sete sessões, eu anotava sete, oito. Depois de três meses, a cada treino, eu marcava quase sempre dez. Jürgen falou depois de um tempo: ‘Não quero mais, isso é muito para mim. Não quero pagar mais a você’. E isso foi parte da minha mentalidade, me ajudou muito”.

As diferenças entre Guardiola e Klopp

“Pep e Jürgen são treinadores diferentes. Mas, se você fizer uma mistura entre os dois, seria a perfeição. Klopp é uma máquina, ótimo na gestão do grupo. Ele é um cara incrível. Não importa o que ele vai dizer: você acredita nele. Tudo vem do coração”.

A forma como Klopp contribuiu na sua evolução

“Antes, eu tive muitos problemas com minha linguagem corporal- ser mais parte dos jogos e dos treinos. Minha linguagem corporal era a mesma, mas, às vezes, você precisa ser mais feroz. Para mim, nunca ia melhorar. Eu tive que mudar, e isso foi com Klopp. Ele me disse que, às vezes, não sabia se eu estava bravo ou feliz. Ninguém gosta de mudar algo em si mesmo. Não foi fácil. Mas eu sabia que, se quisesse ser um jogador melhor e passar ao próximo passo, tinha que começar”.

O aprendizado com Guardiola

“Quando Pep veio ao Bayern de Munique, as pessoas pensaram que jogaríamos sem um camisa 9. Para mim, era como se eu talvez tivesse que tentar jogar em outro estilo. Aprendi muito com Pep. Falamos muito sobre táticas e, para mim, isso era algo novo. Eu sabia que, se eu podia jogar por Guardiola, com suas ideias sobre táticas e atacantes, seria bom para mim. No futebol moderno, é muito difícil jogar sem um atacante. Não vejo isso há alguns anos”

A oferta do Manchester United em 2012

“Quase trabalhei com Ferguson. Falei com ele depois de dois anos no Dortmund e estava realmente pensando em me transferir ao Manchester United, por causa do clube e de Ferguson. Foi a primeira vez que pensei em sair, porque se você é um jogador jovem e recebe uma ligação de Sir Alex Ferguson, é algo fantástico. Foi um dia especial para mim”.

O novo momento do Bayern com Hansi Flick

“Os jogadores se sentem mais confiantes, porque eles sabem o que o treinador quer deles. A comunicação é muito melhor. Eu ainda acredito que um dia jogaremos a final da Champions League e ganharemos”.

O desejo de seguir em alto nível

“Quero jogar por um longo tempo. Não me sinto com 31 anos e tudo o que estou fazendo agora é trabalhar para me manter no topo pelos próximos cinco, seis anos. Não quero ser um atacante que passa 90 minutos na área esperando a bola. Não gosto de pegar a bola apenas dez vezes num jogo. Não é o suficiente para mim, acho esses jogos difíceis. Às vezes, você precisa esperar a bola e, se vier uma vez em 90 minutos, precisa estar pronto. Mas eu quero ser parte do time, do jogo. Quero me movimentar e passar, não apenas esperar. É por isso que sempre procuro espaço para receber a bola e encontrar meus companheiros. Eu posso trabalhar para melhorar em tudo. Mas uma coisa que falta? Talvez os chutes de longe”.