Os motivos da France Football em não entregar a Bola de Ouro neste ano são bastante compreensíveis. Ainda assim, a revista perderá a chance de premiar um dos vencedores mais incontestáveis dos últimos anos. Robert Lewandowski era favoritíssimo ao troféu, após anotar incríveis 55 gols em 47 aparições pelo Bayern de Munique, protagonizando a equipe de Hansi Flick em sua nova Tríplice Coroa. E o artilheiro não adere à falsa modéstia para falar sobre suas chances de ser escolhido como o melhor do mundo.

“Eu deveria ganhar a Bola de Ouro. Conquistamos tudo o que poderíamos com o Bayern. Em todas as competições eu fui o artilheiro. Acho que um jogador que alcança essas marcas deveria conquistar a Bola de Ouro. Mas entendo que a pressão a favor de outros jogadores pode ser maior. De qualquer forma, não penso na decisão de cancelar o prêmio neste ano”, declarou Lewandowski, em entrevista ao polonês Sportowe Fakty. Vale lembrar, ao menos, que a Fifa deve entregar o seu The Best em 2020.

Lewandowski tratava a Champions League como o grande objetivo da carreira e a conquista continental preenche aquela que era a sua maior lacuna como lenda do Bayern de Munique. Agora, com o feito, a posição do polonês entre os maiores ídolos do clube é inquestionável. E a alegria de Lewa esteve expressa principalmente na fotografia em que o artilheiro aparecia deitado ao lado da Orelhuda em seu quarto de hotel.

“Até agora, eu escondia minhas emoções por trás de uma casca grossa, mas a Champions League é o sonho de todo jogador e eu acreditei por toda a minha vida que poderia conquistá-la. Estive perto várias vezes, mas sempre faltava alguma coisa, algo fazia com que fôssemos eliminados antes. Agora que vencemos, é como uma alegria infantil, algo natural e espontâneo. Não tinha controle sobre isso”, afirmou o artilheiro.

Lewandowski ainda valorizou a sensação compartilhada com as pessoas mais próximas. Para ele, o principal momento da final aconteceu quando notou a emoção de entes queridos, durante uma conversa com a esposa: “O momento mais bonito depois do jogo foi quando liguei à minha esposa. Ela me mandou vídeos de meus familiares e amigos chorando de felicidade. Isso foi incrível. É o que mais vou me lembrar dentro de algum tempo”.

Apesar do ótimo momento individual, Lewa valoriza o coletivo: “Se Coutinho e Perisic entram aos 35 do segundo tempo, o adversário sabe o que está acontecendo: eles percebem que não vamos parar de pressionar. Isso os deixa inseguros. Antes do jogo, sabíamos que venceríamos o Barça. Alguns poderiam dizer que seria 5 a 1, mas 8 a 2 é algo completamente diferente. Estávamos muito confiantes. Antes do jogo, eu me encontrei com Gnabry e Kimmich. Eles não perguntaram se ganharíamos o jogo, mas a Champions. Respondi que sim”.

Por fim, o centroavante ressaltou como a confiança depositada pelo Bayern foi importante ao seu ano, especialmente diante dos rumores de que o Real Madrid estava interessado em sua contratação: “Durante o último verão, eu senti o apoio do Bayern, que antes por vezes faltou um pouco. No fim das contas, acreditei no projeto do Bayern. Quero jogar no nível mais alto até 2023. Não estou pensando no que farei depois”. Aos 32 anos, Lewa segue com contrato até junho de 2023. E pela forma atual, idade não é questão ao goleador.