Leste Europeu

Zagueiro é vítima de racismo na Rússia e ainda corre risco de ser punido por reagir

O futebol brasileiro vive momento de intenso debate sobre o racismo nos estádios. Mas a questão, infelizmente, está longe de ser um problema apenas dos nossos campeonatos. Há países em que esses episódios são muito mais frequentes. E tratados de uma maneira bem pior. Zagueiro do Dynamo Moscou, Christopher Samba foi vítima de insultos racistas durante o duelo contra o Torpedo Moscou, pelo Campeonato Russo. O clube foi punido pelo incidente, com suas arquibancadas parcialmente fechadas por apenas uma partida. Porém, o jogador também corre risco de ser sancionado, por ter reagido às ofensas.

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Atacado durante o primeiro tempo, Samba se recusou a voltar a campo após o intervalo. Após a partida, ainda no domingo, o técnico Stanislav Cherchesov disse que a substituição do zagueiro foi ocasionada por conta de uma lesão. Porém, ma terça-feira, o presidente do Dynamo admitiu que o zagueiro “se sentiu ofendido e preferiu não voltar ao jogo, sendo substituído”. Samba, que antes defendia o Anzhi, já tinha sido vítima de racismo na Rússia em 2012. Em uma visita a Moscou, o franco-congolês teve uma banana atirada em sua direção e a lançou de volta às arquibancadas.

Segundo o comunicado divulgado pela federação russa nesta sexta-feira, Samba foi indiciado por um “gesto desagradável” contra a torcida do Torpedo. O caso será julgado neste sábado. E, se o zagueiro for punido, não será um caso inédito no campeonato local. Na última temporada, o marfinense Dacosta Goore recebeu dois jogos de gancho por mostrar o dedo do meio a torcedores que imitavam macacos.

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Também no ano passado, Yaya Touré foi vítima de racismo em visita a Moscou pela Champions League. O CSKA Moscou foi punido também com parte de seu estádio fechado, enquanto o craque do Manchester City ameaçou organizar um boicote de jogadores negros à Copa do Mundo de 2018. Com os dirigentes russos tratando um problema tão sério com tamanho descaso e até mesmo desprezo, não será surpreendente se o protesto dos jogadores ganhar mesmo forma nos próximos meses.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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