Leste Europeu

Três mil albaneses recebem com festa e orgulho a seleção após briga generalizada na Sérvia

Para maior parte das pessoas, as cenas de violência que interromperam o jogo entre Sérvia e Albânia pelas Eliminatórias da Euro foram lamentáveis e expuseram o pior lado do futebol, o de escancarar problemas latentes na sociedade por meio de socos, pontapés e cadeiradas. Para uma outra parcela, no entanto, foram uma grande honra. Horas após a confusão em Belgrado, a seleção albanesa desembarcou em casa, no Aeroporto Internacional de Tirana, e foi recebida com festa por cerca de três mil torcedores, que celebravam os atletas como se um título tivesse sido conquistado. Evidentemente, a celebração não foi pela violência irrompida no gramado, mas, sim, pela forma como esses jogadores defenderam a bandeira do país após o sérvio Aleksander Mitrovic derrubá-la do drone que sobrevoava o Estádio Partizan.

VEJA TAMBÉM: Sérvia x Albânia teve drone político, confusão generalizada e acabou suspenso

Sérvia e Albânia têm uma tensão entre si pela região do Kosovo, que proclamou sua independência da Sérvia em 2008, foi reconhecido por países como os Estados Unidos e alguns membros da União Europeia, mas ainda não é aceito pelos sérvios. Cerca de 90% da população kosovar é de etnia albanesa, e a bandeira da Albânia que sobrevoou o jogo estava sobreposta em um mapa do Reino da Albânia, território idealizado que os albaneses acreditam ser seu e que engloba também o Kosovo. Por todo esse histórico, houve tamanha confusão e, depois, efusividade entre os albaneses.

Embora a história seja bastante conhecida, a Uefa não tomou as medidas necessárias para evitar os iminentes incidentes no jogo, como fez, por exemplo, com Gibraltar e Espanha, determinando no final do ano passado que os dois países não poderiam se enfrentar nas eliminatórias da Euro. Agora, protocolarmente, seu presidentes ataca a atitude dos jogadores, lavando as mãos e à espera do relatório do árbitro da partida, Martin Atkinson, para decidir qual punição dará para cada federação.

“Futebol deveria unir as pessoas, e nosso jogo não pode se misturar com política de maneira alguma. As cenas em Belgrado ontem à noite são indesculpáveis”, afirmou, nesta quarta, Michel Platini. São mesmo, Platini, mas todos os responsáveis precisariam ser trazidos à tona, incluindo a entidade que o senhor preside. Os confrontos do jogo no Estádio Partizan poderiam ter sido evitados, e é muita displicência acreditar que apenas proibir os torcedores albaneses de irem ao estádio seria suficiente.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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