Leste Europeu

Salvação da temporada

Na última janela de transferências, o Dynamo Moscou foi o time que melhor se reforçou. Cansei de escrever isso aqui, e sigo com essa análise. No entanto, muitas vezes, uma contratação que no papel é excelente, pode demorar a dar certo na prática e mesmo não vingar. Ao que parece, é o que acontece com o Dynamo neste momento.

Até a pausa para o inverno, a equipe moscovita estava na briga pelo título russo com Zenit São Petersburgo e CSKA Moscou. Com os reforços, as chances de seguir até a reta final com esperanças de conquista da inédita taça aumentaram. Christian Noboa, volante da seleção equatoriana e totalmente adaptado ao futebol russo, chegou do Rubin Kazan. Balázs Dzsudzsák, após poucas chances no Anzhi Makhachkala por conta de uma lesão, foi o principal reforço para um setor já muito forte, composto por Aleksandr Kokorin, Zvezdan Misimovic, Andriy Voronin e Kevin Kurany.

Só que desde o início do mês, com a retomada da competição, o Dynamo soma duas derrotas e um empate, ou seja, ainda não venceu. Com isso a distância para a ponta da tabela, ocupada pelo Zenit, cresceu demais e, mesmo a disputa pelo vice, começa a ficar distante também – Zenit, 70 pontos; CSKA, 64, Lokomotiv, 60; Dynamo, 59.

O rival de São Petersburgo, aliás, impôs a pior derrota dos azuis e brancos moscovitas em quase cinco anos, após golear por 5 a 1 no final de semana, em na capital russa – como curiosidade, a última grande goleada sofrida também foi para o Zenit: 9 a 3, em 18 de agosto de 2007 pela Copa.

Nesta semana, porém, houve um alento. Contra o mesmo Zenit, pelas quartas de final da Copa da Rússia, vitória por 1 a 0 fora de casa, gol de Misimovic cobrando pênalti aos 28 minutos da segunda etapa, e classificação para as semifinais garantida. Terá pela frente o Volga, que eliminou o Terek Grozny e, no momento, está bem mais preocupado com a permanência na primeira divisão. Do outro lado, Rubin Kazan e Rostov decidirão o outro finalista. No papel, o Dynamo Moscou é o grande favorito ao título.

Porém, e sempre há um porém, o momento não é bom, como já foi destacado. As semifinais acontecerão somente em 11 de abril, portanto, até lá, Sergey Silkin tentará certamente fazer com que o grupo de jogadores volte a acreditar em seu trabalho. Porque é isso que parece ter acontecido: ele perdeu o grupo.

Vale lembrar que essa é a primeira vez na carreira do técnico de 51 anos que ele assume um time profissional. Até então, havia trabalhado apenas como assistente no próprio Dynamo e treinador das categorias de base. Mas após a demissão de Miodrag Bozovic, a diretoria optou por deixar Silkin como interino e foi no mercado atrás de um grande nome. Não encontrou e, com os bons resultados obtidos pelo time, manteve o inexperiente Silkin.

Só que agora, com jogos decisivos (e normalmente clássicos) a cada final de semana, Silkin parece não conseguir segurar a onda. O elenco é excelente, mescla atletas muito experientes e acostumados com títulos, como Misimovic e Voronin, a jovens talentos como Kokorin. Precisa ser colocado novamente nos trilhos para que a temporada – muito cara para a diretoria, que investe para acabar com o tabu de 17 anos sem títulos – não se torne uma frustração total.

E por último, vale mais uma ressalva: Bozovic caiu em abril do ano passado depois que foi eliminado, justamente, da Copa da Rússia. Era a última esperança de classificação para competições europeias…

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Equipe Trivela

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