Leste Europeu

Os jovens craques de Partizan e Estrela Vermelha que ameaçam o Brasil na final do sub-20

Estrela Vermelha e Partizan Belgrado. Rivais históricos, que representam muito mais do que um dos maiores clássicos do mundo. A história de Iugoslávia e Sérvia ao longo dos últimos 100 anos pode ser recontada através de seus dois gigantes. Entretanto, há momentos em que os arqui-inimigos dão trégua. Unem forças em um objetivo maior pela seleção. E, desta vez, o sonho dos sérvios no Mundial Sub-20 está sob encargo de um protagonista de cada clube. Do elenco de 22 jogadores que enfrentará o Brasil nesta sexta, dois jogadores já passaram pela equipe nacional adulta: o goleiro Predrag Rajkovic e o meia Andrija Zivkovic. As promessas que enchem o país de esperanças, mesmo de lados opostos em seus clubes.

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O Mundial Sub-20 possui um significado especial nos Bálcãs. Afinal, em uma edição do torneio é que eclodiu a geração mais talentosa surgida na região. Em 1987, a Iugoslávia conquistou o título com um timaço estrelado por Prosinecki, Boban, Mijatovic, Jarni e Suker. Três anos depois, quatro jogadores disputaram a Copa de 1990, em um elenco no qual estavam ainda outros jovens talentos como Stojkovic, Pancev e Savicevic. Contudo, a Guerra da Iugoslávia evitou que tantos craques vivessem o auge juntos. Só puderam se reencontrar no Mundial de 1998, quando formaram fortes times de Iugoslávia e Croácia.

De certa maneira, o atual time da Sérvia revive aquele passado. Especialmente para ratificar a vocação dos clubes do país em revelar talentos. O Estrela Vermelha já viveu momentos melhores, embora se mantenha como potência nacional. Já o Partizan vive a atual hegemonia no país graças as suas categorias de base. Muitos dos prodígios surgidos na região nos últimos anos saíram dos alvinegros, como Jovetic, Ljajic, Markovic, Jojic, Savic, Nastasic e Mitrovic. Nomes que não apenas mantiveram a competitividade do time, como sustentam as finanças.

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A mais nova esperança do Partizan é Zivkovic. O meia é titular do clube há duas temporadas, sendo um dos destaques na conquista do título nacional nesta temporada. A ponto de rodar pelas seleções de base e ganhar uma chance na equipe principal. Dono de uma excelente perna esquerda, combina visão de jogo e qualidade nos passes. Além disso, o camisa 11 aparece de maneira decisiva neste Mundial: anotou um golaço de falta contra o México e o primeiro na semifinal contra Mali. Se já estava na lista de desejos de grandes clubes da Europa, como Real Madrid e Chelsea, o desempenho deve acelerar o processo.

Ao seu lado, o outro esteio do time é o goleiro Rajkovic. Outro nome rodado do time sérvio e especulado pelo Lyon. O arqueiro de 19 anos assumiu a posição de titular do Estrela Vermelha nesta temporada e, apesar do vice-campeonato, liderou a melhor defesa, sofrendo apenas 17 gols em 28 partidas. E o capitão mantém os ótimos números no Mundial Sub-20. É o goleiro menos vazado do torneio, tomando três gols nos seis jogos da campanha. Não por falta de trabalho. Rajkovic também é o jogador de sua posição a mais realizar defesas, 20 até o momento. Algumas delas importantíssimas, como nos duelos contra Mali e Hungria. Dono de ótima envergadura e senso de posicionamento, ainda pegou dois pênaltis nas quartas de final ante os Estados Unidos.

Coletivamente, o Brasil tem alcançado um desempenho mais consistente neste Mundial Sub-20. Especialmente a goleada sobre Senegal na semifinal, com um futebol muito fluido e de passes em progressão, dá certo favoritismo ao time de Rogério Micale. O que não significa que a Sérvia não tem seus predicados. Mesmo sem se manter invicta, a equipe possui uma defesa forte e qualidade no trato com a bola. Especialmente, duas grandes promessas que parecem prontas para levar o país ao título. É bom o Brasil não se descuidar delas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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