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Chernobyl, 30 anos: o clube que sumiu do mapa e o estádio abandonado que nunca inaugurou

Os jogadores do time de Borodyanka aqueciam em seu campo para a partida que seria realizada naquele 26 de abril de 1986 em Pripyat, aproximadamente 100 quilômetros ao norte. O adversário seria o Stroitel Pripyat, valendo pelas semifinais da taça regional de Kiev, que poderia tirar um clube do pouco prestigiado futebol ucraniano e incluí-lo na terceira divisão da forte liga soviética. Um helicóptero posou no gramado, desceram pessoas de macacão e equipamentos de proteção e o anúncio foi dado: não era mais necessário ir para Pripyat.

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Porque naquele mesmo dia aconteceu o desastre nuclear de Chernobyl, que ficava a apenas três quilômetros da cidade que havia sido construída para abrigar os funcionários da usina e suas famílias. Com o risco de contaminação ainda muito alto, Pripyat tornou-se uma cidade fantasma e hoje é ponto turístico para visitantes que querem conhecer um pouco mais desse lamentável episódio na história da Ucrânia e da União Soviética. Mas o Stroitel Pripyat sumiu do mapa.

O time havia sido fundado em meados dos anos setenta e disputou apenas torneios menores até o começo da década seguinte, quando chegou ao terceiro zonal do futebol ucraniano. Os vencedores dos grupos regionais chegariam à fase final. O melhor de todos seria consagrado campeão nacional e ganharia vaga na terceira divisão do Campeonato Soviético, um tíquete para voos mais altos.

O Stroitel Pripyat nunca chegou muito perto disso, para falar a verdade. Variou entre a quinta e a oitava posição (a última naquela temporada) nas suas primeiras quatro participações, de 1981 a 1984, mas finalmente fez uma boa campanha na edição de 1985, ficando em segundo lugar. No ano seguinte, disputava a semifinal do regional de Kiev contra o time de Borodyanka, e uma semana depois, em 1º de Maio, feriado do dia do Trabalho, estrearia o seu novo estádio Avanhard, para cinco mil pessoas. As perspectivas para o futuro eram melhores.

No entanto, a explosão de um dos reatores de Chernobyl não permitiu que soubéssemos o que aconteceria com o time. No dia seguinte do acidente, o governo começou a evacuação das 50 mil pessoas que moravam em Pripyat e muitas foram transferidas para Slavutych, cidade construída para abrigar os trabalhadores da usina. O clube de futebol mudou-se junto. Tornou-se o Stroitel Slavutych, mas teve vida curta. Jogou apenas mais dois torneios, um no quarto zonal, em 1987, e outro no terceiro, no ano seguinte. Ficou em terceiro e oitavo lugar respectivamente antes de fechar as portas para sempre.

Nada em Pripyat foi modificado nos últimos três anos. Os destroços da cidade estão do jeito que seus cidadãos os deixaram. As visitas são permitidas, mas nenhum item pode ser retirado do local para não espalhar a radiação. Ao fim do tour, todos os turistas são verificados, e se o nível de radiação for alta, tomam banhos químicos. Entre as construções abandonadas, está o estádio Anvahard, que nunca chegou a ser inaugurado.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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