Por mais que os dois últimos anos tenham mostrado isso, o PSG nunca foi menor do que Neymar. Mas sua diretoria se portou assim desde a contratação do brasileiro. Entretanto, parece que os dias de submissão às vontades do jogador acabaram. Complementando entrevista recente do presidente do clube, Nasser Al-Khelaïfi, que indicava ter perdido a paciência com o camisa 10, agora foi a vez de o novo diretor esportivo do time de Paris, Leonardo, dar uma contundente entrevista sobre a situação do craque.

Em conversa com o jornal francês Le Parisien, o dirigente reconheceu que Neymar quer deixar o PSG, mas que o clube ainda não recebeu proposta oficial. Possivelmente, a decisão por conceder a entrevista veio após o jogador não se reapresentar nesta segunda-feira (8), como estava previamente combinado. Leonardo deixou clara sua insatisfação, mas isso não significa que os parisienses e catarianos devam facilitar sua saída.

“Ele marcou compromissos com seu instituto e um patrocinador. Mas essas não foram datas combinadas com o clube. Ele jogou sua última partida no dia 6 de junho (Brasil x Catar). As férias dele eram até 8 de julho. E, agora, ele não veio”, contou Leonardo ao Parisien.

Assim como a nota oficial divulgada pelo PSG, que condenou a atitude do jogador, Leonardo indicou que deve haver sanções ao camisa 10, “como faríamos com qualquer empregado”. O dirigente disse não saber quando o jogador volta aos treinamentos. “A única coisa que sei é que ele não esteve presente aqui na data prevista, 8 de julho.”

Sem rodeios, Leonardo afirmou que está claro para todo mundo que Neymar quer sair. Ainda assim, fez uma ressalva: “No futebol, você diz uma coisa hoje e outra amanhã. É incrível, mas é assim”.

A posição do clube é de que Neymar pode deixar a capital francesa, contanto que exista uma oferta boa para todas as partes envolvidas. O PSG, tendo pago € 222 milhões só na multa rescisória do jogador, certamente quer levar de volta um bom dinheiro – com a imprensa francesa falando em pedida de € 300 milhões.

O brasileiro diz já ter conversado com Neymar desde que chegou ao clube, em 14 de junho. O jogador já comunicou seu desejo. “Todos sabem de tudo. A posição é clara para todos os participantes. Mas só uma coisa é concreta hoje: ele ainda tem três anos de contrato conosco. E, como não recebemos ofertas, não podemos discutir nada”, comentou o diretor.

Leonardo confirmou que o PSG já teve conversas “superficiais” com o Barcelona, mas sem nenhuma proposta. Colocou que o clube francês não é um vendedor, dando a entender que a oferta dos catalães precisará ser muito boa, e tratou de tentar tirar do Paris Saint-Germain a culpa pela situação em que se encontra, uma cama que a própria instituição reparou para se deitar, com a maneira como foi permissiva com o atleta.

“Quando um jogador quer deixar um clube, e não falo do Neymar particularmente, é o normal do futebol. Por que isso precisa ser tratado como uma desgraça? Como se o clube não tivesse conseguido convencer o jogador a ficar. Como se fosse sempre a culpa do clube. E, no caso do Neymar, que está atrasado para a reapresentação, ainda será responsabilidade do clube por não lidar com esse problema? Não. Se o jogador chega atrasado, a culpa é dele. Além disso, existem procedimentos internos, e vamos ver como as coisas se passam. Jogadores não se apresentarem no dia da reapresentação, isso acontece também em outros lugares.”

O mais interessante desse novo capítulo envolvendo PSG e Neymar foi a afirmação de Leonardo de que “o PSG quer contar com jogadores com vontade de ficar e construir algo grande. Não precisamos de jogadores que fariam um favor ao clube ficando aqui”.

A chegada de Leonardo parece marcar também um período de fim de farra. Se isso já havia sido indicado por Al-Khelaïfi no mês passado ao dizer que “ninguém forçou Neymar a assinar”, agora a posição é ainda mais oficial. “Não conheço um clube que venceu a longo prazo com um jogador maior que ele. Para que um clube possa avançar, ele precisa ter o controle sobre tudo, incluindo seus jogadores mais importantes”, cravou o dirigente brasileiro.

Apenas pela segunda vez desde que contratou Neymar, os parisienses se posicionam de acordo com o patamar do clube para o futebol francês – a primeira sendo durante a entrevista de Al-Khelaïfi. Desta vez, no entanto, a fala de Leonardo foi ainda mais direta, quase como um guia para qual deve ser a postura do PSG daqui para a frente. Caso na prática a história seja a mesma, o clube parece se colocar no patamar devido.