O atacante Léo Jabá tem apenas 20 anos, mas já está no seu segundo clube na Europa. Formado pelo Corinthians, o atacante deixou o clube do Parque São Jorge em janeiro de 2017, quando se transferiu para o Akhmat Grozny por € 2 milhões. Se tornou destaque do time russo, mesmo ainda jovem, e acabou chamando a atenção do PAOK, um dos grandes clubes da Grécia. Foi contratado por € 2,3 milhões, e tem sido um jogador importante do elenco. Fez 14 jogos até aqui, com três gols e quatro assistências.

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Vice-campeão na temporada 2017/18, o PAOK tenta conquistar o título grego desta vez. O time é o líder do Campeonato Grego neste momento, com 22 pontos, oito vitórias em oito jogos. O time jogou a fase preliminar da Champions League, passando por duas vezes, mas caindo diante do Benfica. Foi para a Liga Europa, onde enfrenta Chelsea, Bate Borisov e Vidi por uma vaga no mata-mata. Atualmente, o time é segundo colocado pelos critérios de desempate, mas tá tudo embolado: enquanto o Chelsea tem nove pontos e está tranquilo em primeiro lugar, o PAOK está com três, mesma pontuação de Vidi e Bate.

Em entrevista exclusiva para a Trivela, Léo Jabá falou sobre o seu início de carreira no Corinthians, onde era visto como uma grande revelação, seu início na Rússia e as diferenças sobre o futebol russo e grego, onde joga atualmente. Também falou sobre os sonhos, com a Olimpíada de 2020, em Tóquio, como um objetivo.

Trivela: Como foi a passagem do time de base para o profissional no Corinthians?

Leo Jabá: O começo de tudo foi quando o Corinthians abriu as portas para mim. Eu joguei dois anos no São Paulo. Foi jogar uma competição pela fundação São Caetano, fui artilheiro, ganhei chuteira de ouro. Tinha jogadores do São Paulo, Palmeiras, do Santos… Era época do sub-13 e o treinador lá do Corinthians me chamou. Não foi uma decisão fácil, metade da família é são-paulina, metade é corintiana, então foi difícil. Eu cheguei a treinar nos dois e no fim daquele ano eu tive que decidir. Meu pai disse que eu tinha a cara do Corinthians. Então eu decidi.

Graças a Deus, foi tudo muito bem, fui para seleções de base, sub-15, sub-17. E como as competições de base eram televisionadas, tinha isso da torcida pedir antes mesmo de eu subir. Eu lembro que na época que o treinador era o Márcio, em um jogo em Guaxupé, e me disseram que eu e o Samuel íamos para o profissional. E o Tite ia levar a gente para um jogo amistoso contra o ABC. Já tinha treinado com os profissionais, mas é outra coisa ir para o mesmo vestiário, dividir com os outros jogadores.

Lembro quando o Tite falou comigo, eu entrei no lugar do Mendoza. Ele me falou: Léo, a primeira bola ele falou para eu tocar de lado e a segunda para eu ir para cima. E deu certo.

Você ficou pouco tempo no profissional. Como foi a proposta para ir para a Rússia?

No começo, eu estava jogando constantemente e depois que eu fiz o meu primeiro gol, eu não joguei mais. Eu estava muito chateado por não poder jogar e não era com ninguém, eu só queria jogar. E eu confio muito nos meus empresários, na minha família. Era uma mudança de clube, um país diferente, temperatura, tudo. Nos primeiros meses eu chorava, ligava para a minha mãe, com saudades. Mas eu gosto de desafios, eu tenho um espírito forte. Eu sabia que isso teria um retorno. Eu fiquei no top 5 da Rússia, era o mais jovem. Normalmente se fala que precisa de dois ou três anos para se adaptar e foi tudo bem.

Qual é a diferença da Rússia para a Grécia?

Tem muita, ainda mais porque eu fui em uma cidade muçulmana. Eu não tive problema para me adaptar, ao contrário, estou aprendendo muito, como ser humano e como atleta. A temperatura, sabe como é, lá na Rússia era – 29 graus, aqui tem praia, pode se vestir mais tranquilo, aqui a torcida é muito apaixonada.  As ligas são bem diferentes, na Rússia é mais força física, aqui tem mais times fortes tecnicamente.

Se fala muito sobre o ambiente nos estádios da Grécia. É difícil jogar fora de casa por aí?

Nossa equipe é muito grande, então é bem difícil, o pessoal cospe, joga papel. Quando fomos jogar em OFI, foi bem complicado, nós somos o atual campeão da Copa. Eu estava com saudade disso, eu gosto, me estimula.

Existe muita diferença no modo de vida?

Aqui as pessoas são muito simpáticas. Não sei se os russos são mais fechados, por causa da temperatura. Aqui os gregos são bem abertos, gostam muito, ainda mais quando sabe que são brasileiros. Na Rússia tem um pessoal mais fechado, aqui é mais parecido com o Brasil.

Tem diferença de treinamento?

Vai muito do treinador. O trabalho aqui que eu faço é fora do normal, são trabalhos intensos, procura sempre estar evoluindo. Ainda mais com o nosso treinador, que é filho do Lucescu. O futebol é muito dinâmico.

Você surgiu como um ponta e muita gente pedia para você ser o centroavante em alguns jogos. Você prefere jogar pela ponta ou pelo meio?

Aqui eu já joguei pelas duas beiradas, é onde eu jogo mais. Aqui eu já treinei pelo meio, mas não em jogo. Eu gosto mais de jogar pela ponta, mas se precisar jogar pelo meio, estou preparado por causa do treinamento.

Você é um jogador de muita força física. Você faz algum trabalho específico para isso?

O treinamento foi ser filho de baiano (risos). Mas é natural mesmo, na Rússia e aqui na Grécia eu sempre fiz treinamento, mas nunca fiz um trabalho específico. Eu faço um trabalho específico mais para evitar lesões.

Como foi a decisão de ter um preparador físico à parte?

Eu conheci o Lucas (treinador do Douglas Costa) e seguia no Instagram. Na Rússia não tinha muito como fazer e eu o conheci na Turquia. Quando eu vim para a Grécia, aí o calendário é mais cheio e você tem que estar mais bem preparado. Todo jogador para chegar ao alto nível precisa se cuidar, se preparar. Eu nunca gostei de álcool, cigarro, eu gosto de me cuidar. Estou investimento no meu corpo, me prevenindo de lesões. Eu penso em jogar no alto nível, na Inglaterra, Itália, Espanha. É um sonho e espero que um dia possa realizar.

Tem jogadores que você se inspira?

Tem muitos jogadores que eu gosto e assisto, como Willian, Douglas Costa, Mbappé, tem o Neymar, embora não seja uma minha característica, Di María, que marca mais. Eu sou um jogador que faz muito essa função, atacar e também marcar, então assisto sempre. Eu gosto muito de assistir futebol, então estou sempre de olho.

Dá para ir para o mata-mata da Liga Europa?

Sonhar não custa nada, né? A gente sabe que está em um grupo com times mais experientes, mas vamos tentar.

Você tem amigos no futebol com quem conversa?

Falo com o Guilherme, do Olympiacos, o Malcom, do Olympiacos, o Gabruel, Pedrinho, do Corinthians, Marcos Júnior, tem bastante contato. O bom do futebol é isso, as amizades são isso.

Você tem idade olímpica. Sonha em jogar a Olimpíada de 2020?

Eu sonho sim, claro, eu quero jogar uma Olimpíada, quero jogar. Eu sonho jogar uma Copa do Mundo pela seleção, eu joguei em todas categorias de base da seleção, então eu espero chegar na principal também. Se estiver fazendo bem o meu trabalho aqui, acho que vão me assistir e acho que tenho chance. Vou me dedicar aqui no PAOK para continuar indo bem e tenho certeza que eu serei visto.


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