O sueco Lennart Johansson, ex-presidente da Uefa, morreu nesta terça-feira, 4 de junho, aos 89 anos. A Federação Sueca de Futebol afirmou que o ex-dirigente morreu na terça-feira, depois de uma curta doença. Johansson foi um dos dirigentes mais importantes da história recente da Europa, sendo presidente da Uefa de 1990 a 2007, quando foi sucedido por Platini. Foi na sua gestão que a antiga Copa Europeia se tornou a Champions League, em 1992, e transformou a competição na mais badalada do mundo.

Antes da Uefa, Johansson foi presidente do AIK, um dos clubes mais populares do país, de 1967 a 1980. Também presidiu a Federação Sueca de Futebol (SvFF) de 1984 a 1991. Ele foi o quinto presidente da história da Uefa, eleito em um Congresso da entidade em Malta, em 1990. Ele levou a Eurocopa para a Suécia em 1992 e recebeu como homenagem ter o seu nome dado ao troféu da liga sueca.

“Lennart Johansson foi a nossa maior liderança no futebol de todos os tempos, nenhum sueco teve uma influência similar no mundo do futebol”, afirmou o presidente da Federação Sueca, Karl-Erik Nilsson, nesta quarta-feira. “Ele era profundamente respeitado como presidente da Uefa e vice-presidente da Fifa, sua liderança despertou admiração em todo o mundo”, continuou Nilsson.

“Eu estou com o coração partido com a notícia da morte de Lennart Johansson”, afirmou o presidente reeleito da Fifa, Gianni Infantino, em comunicado no site da Fifa. “Ele foi um amigo e uma fonte inestimável de sabedoria e inspiração. Eu serei eternamente grato por ter tê-lo como presidente da Uefa quando eu entrei na organização, em 2000. Desde então, Lennart sempre foi um modelo de profissionalismo e, mais importante que isso, humanidade”.

Em 2007, Johansson foi vencido por Michel Platini na disputa pela presidência da Uefa. A partir daquele ano, foi escolhido como presidente honorário da entidade e continuou ativo nos Congressos da entidade. “O jogo continua imprevisível”, afirmou o sueco, em 2007. “Às vezes você chora e às vezes você está feliz. Essas são coisas que fazem o futebol um jogo tão bom e eu estou orgulhoso em ter feito parte do sucesso do jogo na Europa”, continuou. “Sei que, seja qual for a decisão que tomei, se as pessoas concordam com elas, tomei o que considero o bem do futebol”.

O presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, também manifestou condolências pela morte do dirigente. “Uefa e futebol europeu estão profundamente tristes com a morte de Lennart Johansson e eu gostaria de expressas minhas sinceras condolências à sua família e amigos, assim como à Federação Sueca de Futebol por sua perda”, disse.

“Ele era um apaixonado amante e servo do futebol, que colocou sua paixão no coração da sua vida. Ele sempre será lembrado como um líder visionário, e como o arquiteto da Uefa Champions League, e o futebol mundial será sempre grato a ele por tudo o que ele conseguiu para o belo jogo”, continuou Ceferin.

Champions League e expansão da Eurocopa

Lennart Johansson no sorteio da Champions League, em 2003 (Foto: Getty Images)

Johansson disse em vida que a criação da Champions League para substituir a Copa Europeia foi a sua maior conquista na Uefa. Tornou-se a competição de clubes de maior prestígio e mais lucrativa do mundo. Depois da sua recriação, foram feitas diversas mudanças, sendo a principal delas a expansão para times que não eram apenas os campeões nacionais.

O orgulho do sueco era tão grande em relação a isso que ele tinha um prêmio no seu escritório com a inscrição “Para Lennart Johansson, o pai da Champions League”. A sala ficava no estádio nacional da Suécia, em Estocolmo. Ele mesmo manifestou algumas vezes sobre isso.

“É o maior torneio que temos no futebol para clubes, assistido por todo o mundo. Nós enviamos para cerca de 200 países e se você escutar os jogadores sobre seus desejos para o futuro, é ‘Eu adoraria estar na final da Champions League’”, disse o sueco em uma entrevista à Associated Press, em 2010.

A importância de Johansson para a Uefa vai além da Champions League. Ele transformou a entidade no período que esteve no cargo. Como o próprio site da Uefa diz, ele transformou o esporte europeu completamente, em termos esportivos e comerciais. A Uefa se desenvolveu de um órgão puramente administrativo no subúrbio da capital da Suíca, Berna, para uma organização dinâmica e moderna baseada em um luxuoso prédio chamado de Casa do Futebol Europeu em Nyon, às margens do lago de Genebra, no oeste do país.

Foi sob a gestão de Johansson que a Eurocopa também cresceu e ganhou uma relevância maior no calendário internacional, tornando-se o que o marketing de uma certa emissora no Brasil passou a chamar de “Copa do Mundo sem Brasil e Argentina”.

Assim como no caso da Champions League, a expansão foi crucial para isso. Na sua gestão, o torneio saiu de oito para 16 seleções, passou a ser tratado com mais apreço comercial, sendo vendida para o mundo todo. Em 1996, o Campeonato Europeu da Uefa passou a ser chamado de “Euro” e teve 16 seleções. A sede, Inglaterra, ajudou a dar ainda mais visibilidade para o clube.

Foi com Michel Platini que o torneio passou de 16 para 24 seleções, com a primeira edição neste formato tendo acontecido em 2016, com o título de Portugal. O torneio ganhou uma relevância enorme para os jogadores e para as seleções. Algo que tem a ver com o banho de loja que Johansson ajudou a dar ao torneio, potencializando e tornando também imensamente lucrativo para a Uefa.

Disputa com Blatter na Fifa

Lennart Johansson, presidente da Uefa, em 1998 (Foto: Getty Images)

Em 1998, ele concorreu à presidência da Fifa, tendo como adversário o então secretário-geral da entidade, Joseph Blatter, que era visto como o sucessor de João Havelange. A disputa foi apertada, com mas vencida por Blatter por 111 votos a 80, a quem Johansson acusou de compra de votos. Os dois se tornaram adversários ferrenhos ao longo das suas gestões. Os dois nunca mais foram vistos em bons termos depois daquela conturbada eleição.

Depois de perder a eleição de 1998, Johansson foi um dos principais críticos de Blatter depois do colapso financeiro da ISL (sim, aquela, que patrocinou até clubes brasileiros) e que foi parceira da Fifa por quase duas décadas e que deixou uma dívida estimada de £ 240 milhões quando faliu, em 2001.

Em 2002, Johansson apoiou o camaronês Issa Hayatou na eleição à presidência da Fifa, que foi novamente vencida por Joseph Blatter – que só deixou o poder em 2015, depois do escândalo Fifagate e obrigado pela justiça ao ser banido por seis anos (termina de cumprir a pena em 2022).

Posição contrária à tecnologia

Lennart Johansson no Congresso da Fifa, em 2016 (Foto: Getty Images)

Um dos pontos polêmicos de Lennart Johansson foi sua posição contrária ao uso da tecnologia para ajudar a arbitragem. Em 2010, quando o mundo passou a discutir mais o uso da tecnologia na linha do gol depois do gol de Frank Lampard pela Inglaterra contra a Alemanha na Copa do Mundo não ter sido validado pela arbitragem. Na época, Michel Platini decidiu não adotar imediatamente a tecnologia.

“Eu acredito na ideia que Platini trouxe de colocar dois auxiliares a mais em campo”, afirmou Johansson. “Talvez dois árbitros, mas um deles atrás de cada gol olhando, que poderia ver imediatamente quando a bola está dentro do gol ou não”, continuou o sueco. Ele defendia que o erro humano é como parte do esporte. “Eu encaro os fatos que árbitros são humanos e humanos cometem erros”, explicou Johansson. “Este é um jogo para humanos, não para robôs”, afirmou o então presidente da Uefa sobre a ideia, em entrevista à AP.

A Uefa anunciou eu haverá um minuto de silêncio tanto nos jogos da Liga das Nações, nesta quarta e quinta, quanto nos jogos das Eliminatórias Europeias sub-21.