Leipzig buscou mais que o Atleti e contou com um prodígio do seu projeto para chegar à semifinal

Tyler Adams, autor do gol da vitória, veio do New York Red Bulls como revelação do projeto da empresa de energéticos no futebol

O RB Leipzig conquistou a segunda vaga na semifinal da Champions League fazendo valer o projeto da Red Bull no futebol. Diante do tradicional Atlético de Madrid, a vitória por 2 a 1 veio com uma dose de sorte, claro, mas também com um trabalho que valoriza o que o grupo quer: desenvolver jogadores. Contou com uma atuação decisiva de Marcel Sabitzer, austríaco, como a empresa dona do clube, e pinçado no mercado austríaco onde tudo começou com o Red Bull Salzburg. Além dele, que participou dos dois gols, o segundo gol veio de um americano, prodígio que surgiu no New York Red Bulls, outro time do grupo: Tyler Adams. Dois jogadores que são resultado direto de um projeto que, enfim, leva o time à semifinal do principal torneio da Europa, 11 anos depois da criação do clube.

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Em um jogo único, como foi em Lisboa, tudo importa, todo detalhe é importante, e a postura do Atlético de Madrid acabou sendo muito relevante no desenrolar do jogo. Postado defensivamente, deixou o time alemão trabalhar a bola quase como quis, mas sem conseguir finalizar com espaço. O Atlético apostava no estilo que o levou a duas finais de Champions, em 2013/14 e 2015/16. Nas duas, perdeu do Real Madrid. O esquema defensivo, desta vez, acabou cobrando caro pela falta de eficácia.

Sem o centroavante Timo Werner, que até já se apresentou ao Chelsea, Olmo ganha espaço no time para transformar o dinamarquês Yussuf Poulsen como referência. Ele também foi o capitão do time. Ele normalmente tem revezado a braçadeira com Marcel Sabitzer. E como esperado, o time foi ofensivo e tentou jogar.

O Atlético, por sua vez, trouxe o time que vinha jogando em La Liga. João Félix e Álvaro Morata no banco, com o ataque formado por Diego Costa e Marcos Llorente, um meio-campista adaptado, algo que funcionou bem nas oitavas de final contra o Liverpool. Na zaga, Savic foi titular e Ffelipe ficou no banco.

Os dois clubes tinham propostas claras, mas muito diferentes. O RB Leipzig dominava a bola, tinha o controle da posse, mas não conseguia entrar na área com facilidade. Nem criar chances. O Atlético era mais rápido para tentar finalizar. E chegou com algum perigo, mas nenhuma chance clara.

O primeiro tempo teve um duelo de propostas, mas sem ninguém arriscar muito. Os dois times tinham ideias de como pretendiam chegar ao gol, ambas mal sucedidas. O jogo era travado, de muita marcação e quase nenhum lance que valesse salvar. Em uma disputa de jogo único, os dois pareciam tentar especular com o que aconteceria no segundo tempo.

No início do segundo tempo, o RB Leipzig conseguiu chegar ao gol. Jogada bem trabalhada pela direita, com Marcel Sabitzer, que cruzou para a área e Dani Olmo tocou de cabeça, sem nem sair do chão, para jogar a bola no outro canto. Um belo gol dos alemães para abrir o placar em 1 a 0 em Lisboa.

Olmo é um jogador que tem tudo a ver com o tipo de contratação que o RB Leipzig faz. Jovem, de uma liga periférica, a Croata, e que veio para o clube alemão em janeiro, do Dinamo de Zagreb. Uma contratação que saiu mais barata do que o esperado, € 19 milhões, com um jogador de 22 anos e com um potencial alto.

O gol mudou o panorama do jogo. O Atlético saiu de uma posição que parecia confortável para colocar mais intensidade na partida e buscar mais o gol. E contou com mudanças para isso. Com o Atlético perdendo, Diego Simeone colocou em campo o atacante João Félix no lugar do meio-campista Hector Herrera. Marcos Llorente foi recuado para compor o centro do meio-campo ao lado de Saúl Ñíguez.

Aos 16 minutos, Renan Lodi recebeu dentro da área, em velocidade, e caiu em disputa com Upamecano. O árbitro não teve dúvida: deu amarelo por simulação ao brasileiro. O replay deixou claro que não foi nada.

Só que o time espanhol já tinha uma postura diferente e o Leipzig tinha mais dificuldade em controlar o jogo, como vinha fazendo antes. O Atlético passou a sufocar mais o time alemão, tentando utilizar o seu estilo, de recuperar a bola e atacar rápido, para causar estragos. E causou.

O Atlético chegou com muito perigo aos 24 minutos. Tabela pelo meio, entra na área e é derrubado por Klostermann. Pênalti e cartão amarelo para o zagueiro do Leipzig. João Félix assumiu a responsabilidade: o camisa 7 pegou a bola e cobrou bem, forte e no canto, e sem chance para Gulacsi: 1 a 1.

Logo depois do empate, Simeone mudou de novo. Tirou Diego Costa, que não conseguiu jogar bem, e colocou Álvaro Morata. O RB Leipzig mudou também. Aos 38 minutos, Julian Nagelsmann colocou em campo Patrick Schick e Amadou Haidara nos lugares de Dani Olmo e Christopher Nkunku. E também colocou Tyler Adams no lugar de Konrad Laimer.

Esta foi uma mudança crucial. Porque embora o Atlético tenha criado pressão, o RB Leipzig conseguiu colocar a bola no chão e, com um pouco de sorte, chegou ao segundo gol no jogo. Sabitzer foi acionado pelo meio e abriu uma bola excelente para Angeliño na ala esquerda, clareando a jogada. O lateral teve frieza e olhou para o meio. Tocou para Tyler Adams, que estava livre na meia lua. O americano, ex-New York Red Bulls, chutou de fora da área, a bola desviou no meio do caminho e matou o goleio Jan Oblak: 2 a 1, aos 43 minutos.

Formado pelo New York Red Bulls, o meio-campista, de 21 anos, é o primeiro americano a fazer um gol em quartas de final da Champions League. Um gol que deixou o time da antiga Alemanha Oriental a um passo da semifinal.

Os últimos minutos foram de correria, com o Atlético de Madrid tentando buscar o gol de qualquer forma, de forma desesperada. Sem sucesso. Nem mesmo com Oblak na área o Atlético conseguiu criar uma chance clara até o apito final.

O Rb Leipzig conquista um lugar entre os quatro melhores da Europa com os frutos da sua política se destacando. Sabitzer, já mais experiente, aos 26 anos, Olmo, contratado aos 22 anos como destaque de uma liga mais periférica, e Taylor Adams, formado por um dos clubes criados pelo mundo, mostram que o time alemão consegue o seu melhor resultado da sua história à sua maneira, com as suas ideias.

Na semifinal, o RB Leipzig enfrentará o PSG, na próxima terça-feira. Um jogo que tem tudo para ser bastante interessante, com duas propostas de futebol que tendem a ser ofensivas. E que produzirá um finalista inédito da competição.