Ameaçado de perder o cargo, o técnico Marco Silva, do Everton, precisava buscar algo novo para o duelo contra o Leicester. Os prognósticos apontavam vitória fácil das Raposas, diante das campanhas de ambos os times nestes primeiros meses de Premier League. O português conseguiu e ofereceu um desafio inesperado ao time de Brendan Rodgers. Porém, valeu a insistência do Leicester: em sua última oportunidade, a equipe da casa foi buscar o gol da virada por 2 a 1.

Marco Silva mudou a formação do Everton, entrando com três zagueiros, Holgate, Mina e Keane, e Sidibé e Digne como alas em uma linha de quatro jogadores no meio de campo. A defesa tinha, então, cinco quando os Toffees não tinham a bola. A aposta do técnico deu certo, e o setor defensivo povoado permitiu à equipe absorver a pressão do Leicester e bloquear os chutes dos anfitriões.

Bem na defesa, o Everton não demorou para acertar também no ataque. Aos 23 minutos, Iwobi abriu a bola pela direita com Sidibé, e o francês cruzou com precisão para Richarlison. O brasileiro cabeceou com força e bateu Schmeichel para fazer 1 a 0.

O Leicester tentou responder na sequência, e Harvey Barnes desceu em diagonal em velocidade, com dribles curtos, e deixou Ayoze Pérez na área em posição de finalizar. Porém, o atacante foi desarmado por Sidibé. Reclamou de pênalti, mas nada foi marcado.

No segundo tempo, mesmo com as Raposas precisando buscar o empate, a primeira boa chance foi do Everton. Aos cinco minutos, Michael Keane finalizou perto do gol após escanteio de Sigurdsson.

Passados mais de 60 minutos de jogo, Brendan Rodgers decidiu mexer na equipe. Mudou a forma do time jogar ao colocar Iheanacho no lugar de Pérez e aproximar o nigeriano de Vardy. Seis minutos depois, a substituição surtiu efeito.

Aos 23 minutos da segunda etapa, Ndidi roubou a bola no meio de campo e, emulando Kanté em 2015/16, arrancou para o ataque, tocou pela direita para Iheanacho, e o atacante cruzou rasteiro para a segunda trave, onde Vardy apareceu para completar e empatar.

Pela sexta partida seguida na Premier League, o camisa 9 deixou o seu gol. Essa é a melhor marca de Vardy desde os 11 jogos seguidos com gols na campanha de título em 2015/16, quando bateu o recorde de Van Nistelrooy.

O Leicester subiu a pressão e foi forçando Pickford a trabalhar. Aos 28 minutos do segundo tempo, o goleiro foi bem para parar Maddison, que completou cruzamento de Vardy e quase fez o gol da virada.

Naturalmente, diante da pressão dos anfitriões, o Everton recuou e decidiu jogar no contra-ataque. Marco Silva promoveu a entrada de Moise Kean, e o italiano chegou perto de marcar, encobrindo Schmeichel e vendo a bola ir para fora.

Por sua vez, o Leicester aumentava cada vez mais sua frequência no ataque. Ricardo Pereira, em especial, participava bastante das ações ofensivas, com Iheanacho e Vardy se movimentando com agilidade para confundir a defesa dos Toffees.

No que deveria ser o último lance do jogo, aos 49 do segundo tempo, o Leicester foi para o contra-ataque, e Ricardo Pereira tocou em profundidade para Iheanacho. O atacante dominou, se livrou da marcação e bateu com qualidade, no canto direito de Pickford, para fazer 2 a 1 e virar para as Raposas.

Inicialmente, o auxiliar levantou a bandeira e anulou o gol, mas a revisão no VAR confirmou a posição legal do nigeriano por dois centímetros. Estava decretada a virada heroica do Leicester, que comemorou como título a decisão.

Mais minutos foram acrescidos depois do tempo em que o VAR esteve em ação, mas o Everton, abatido como o técnico Marco Silva, que olhava incrédulo da linha lateral, não conseguiu buscar o empate.

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A vitória marcante foi a sexta seguida do Leicester na Premier League, melhor sequência de triunfos do clube na primeira divisão inglesa desde a temporada 1962/63.

Se antes do duelo a expectativa era de vitória fácil do Leicester, o desafio surpreendente imposto pelo Everton foi no fim das contas a melhor coisa que os Foxes poderiam esperar. Com ele, tiveram que forçar as suas habilidades e testar sua resiliência – e fizeram exatamente isso.

Este tipo de vitória constrói “caráter”, como gosta de destacar Rodgers em suas entrevistas. O treinador transformou o Leicester em uma das equipes mais sólidas da Premier League. O segundo lugar, com três pontos a mais que o Manchester City, não é algum acaso. O campeonato é longo, mas cada vez mais este time parece pronto para lutar até o fim. Como fez hoje.