Comumente associada a comportamentos racistas no estádio, a Lazio decidiu agir. Claudio Lotito, presidente do clube italiano, fez declarações categóricas sobre os torcedores envolvidos em atos de discriminação racial. Agora, é tolerância zero, compromete-se o dirigente, que em 15 anos no cargo nunca adotou qualquer política remotamente próxima disso.

A Lazio tem há muito tempo em sua torcida indivíduos de extrema-direita que nunca tiveram muito pudor em exibir sua intolerância e o preconceito. Presidente do clube desde 2004, Lotito enfim se encheu, ao menos publicamente, depois de a Uefa lançar uma investigação sobre a equipe depois de supostos cantos racistas e gestos fascistas feitos na partida contra o Rennes, pela Liga Europa, na semana passada.

“Já chega, estamos em uma política de tolerância zero a partir de agora. Estamos cansados da Lazio ser constantemente associada a incidentes racistas, quando este sempre foi, desde sua criação, um clube que se distinguia pelo comportamento ético”, afirmou Lotito.

O presidente afirmou que o clube irá colaborar com a investigação da polícia para identificar os responsáveis e que, por sua parte, irá expulsar os envolvidos dos jogos, além de depor contra eles em um possível caso judicial.

“Estamos cansados da imagem desse clube ser arrastada pela lama por causa de alguns poucos indivíduos, com a vasta maioria dos torcedores tendo que pagar pelo comportamento desses poucos. (…) É um pequeno grupo de pessoas, mas isso não torna o problema menos sério. Pelo contrário, é pior, porque uns poucos idiotas prejudicam a imagem de todo um clube e sua torcida.”

“Não é possível que, por causa de poucas pessoas, outras pessoas sejam impedidas de entrar no estádio para ver um jogo. Isso é absurdo, iremos lutar até o fim. Depois de 15 anos, estou cansado de ter que lidar com essas situações”, completou.

A fala de Lotito vem depois de a Serie A mudar suas diretrizes, criando incentivos para que os clubes italianos ajudem a identificar racistas em suas arquibancadas. Anteriormente, estava prevista uma punição com fechamento de portões nos estádios, mas a liga agora permite que os clubes se isentem de culpa – contanto que demonstrem ter feito tudo o que podiam para encontrar os perpetradores.

As mudanças, ainda que pequenas, começam a surgir depois de um início de temporada particularmente preocupante para a Itália, com episódios de racismo a cada rodada, envolvendo, entre outros, jogadores como Lukaku e Franck Kessié, de Inter e Milan. O clube rossonero inclusive chegou a lançar uma força-tarefa interna por conta própria para coibir comportamentos racistas por parte de sua torcida.