Quem disse que o raio não cai duas vezes no mesmo lugar? Dez anos e quatro dias depois, o Flamengo viu o fenômeno acontecer em sua própria área, outra vez deixando escapar uma vitória nos acréscimos. Em 2003, Lauro fez sua fama quando defendia a Ponte Preta e marcou de cabeça contra os rubro-negros. Desta vez, atuando pela Portuguesa, o camisa 1 saiu do ostracismo ao balançar as redes dos cariocas outra vez.

Com o feito, Lauro entra para um grupo seleto: o de goleiros com mais de um tento marcado com a bola rolando. Rogério Ceni, José Luis Chilavert, Dimitar Ivankov e outros exímios em bolas paradas se celebrizaram pela parte “fácil” do serviço. Difícil é encontrar arqueiros que viram suas aventuras rumo à área adversária darem certo mais de uma vez.

 

O melhor neste quesito é Peter Schmeichel. O dinamarquês foi um dos maiores goleiros da década de 1990, mas também um bom centroavante nas vezes que precisou tirar sua equipe do sufoco. Foram 13 gols, boa parte com a bola rolando. O mais incrível aconteceu na Copa da Uefa de 1995/96, quando virou uma bicicleta contra o Rotor Volgogrado. Também entra na conta um nos últimos minutos, na época em que defendia o Aston Villa. E poucos se lembram, mas Schmeichel estava na área para tentar o cabeceio antes de Teddy Sheringham marcar o gol de empate dos Red Devils na histórica final da Liga dos Campeões de 1999, contra o Bayern Munique.

Outro especialista com as luvas que também se tornou ainda maior pelos gols feitos foi Miguel Calero. Falecido em dezembro de 2012, ‘El Cóndor’ somou quatro tentos. No primeiro, pelo Deportivo Cali, foi ao meio de campo e cruzou para a área, contando com a colaboração do arqueiro adversário. Dois anos depois, também pelos verdiblancos, fez de voleio. Já com o Pachuca, onde é ídolo absoluto, marcou dois de cabeça (e de boné). O mais importante, na semifinal do Clausura de 2006, quando os foram campeões.

Também no México, o baixinho Óscar Pérez nunca foi um grande goleiro, mas até titular da seleção em Copa do Mundo ele conseguiu ser. E sua sorte também permitiu que marcasse três gols ao longo da carreira. O mais surpreendente ocorreu em 2006, contra Estudiantes Tecos, quando completou um escanteio de cabeça do “alto” de seu 1,71 m.

No Brasil, antes de Lauro, outro goleiro que ficou famoso pelos predicados como centroavante foi Hiran. O grande momento aconteceu no Guarani, quando buscou o empate por 3 a 3 contra o Palmeiras no Campeonato Paulista de 1997. Dois anos depois, o camisa 1 voltou a marcar, desta vez pelo Santo André. Contudo, levou o troco na saída de jogo, com Adil marcando do meio de campo para garantir o triunfo do Juventus por 2 a 1.

Quem não entra na lista por injustiça é Eduardo. Em 2002, o goleiro do Bangu marcou um gol de cabeça contra o Fluminense, que levaria os alvirrubros à decisão do Supercampeonato Carioca, mas que acabou anulado pela arbitragem sob a alegação de um toque de mão. No ano seguinte, já no Atlético Mineiro, o arqueiro mostrou que aquele lance não era de mero oportunismo, ao garantir uma vitória sobre o Juventude, também de cabeça.

Por fim, Jorge Campos merece uma menção honrosa. O folclórico mexicano é o sexto goleiro com mais gols oficiais na história, tendo balançado as redes 34 vezes. E a maioria veio com a bola rolando, já que Campos abandonava as luvas e se tornava atacante em algumas partidas. Destes tentos, 33 foram marcados pelo Pumas e apenas um pelo Atlante – curiosamente, o mais famoso, de voleio.


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