Frank Lampard e Mikel Arteta possuem muito em comum neste início de suas trajetórias como treinadores. Antigos ídolos, tentam reerguer Chelsea e Arsenal em uma temporada de dificuldades. E neste domingo, durante o clássico dentro do Estádio Emirates, o treinador dos Blues mostrou como os meses a mais de experiência fazem a diferença. Apesar do bom começo dos Gunners na partida, Lampard soube mexeu com a organização de seu time e cresceu no duelo para arrancar uma emocionante virada por 2 a 1. Jorginho seria protagonista da tarde, ao sair do banco e melhorar sua equipe, bem como por escapar de uma expulsão contestada pelos anfitriões. No fim das contas, Arteta também precisa reconhecer os erros de um time que cedeu à reação aos rivais já nos últimos 15 minutos.

Se existia uma esperança de que Arteta pudesse desempenhar de imediato um bom trabalho à frente do Arsenal, ela se alimentou durante o bom início de jogo dos Gunners no Emirates. A equipe apresentava um futebol de movimentação e muita compactação. Até mesmo Mesut Özil conseguia se sair bem, dando fluidez entre as linhas de marcação do Chelsea. Apesar de uma boa defesa de Bernd Leno em chute de Mason Mount, o primeiro gol dos anfitriões não demorou a sair. Aos 13 minutos, Özil cobrou escanteio pela esquerda. Calum Chambers desviou no primeiro poste e Pierre-Emerick Aubameyang mergulhou para escorar às redes.

Nem mesmo a vantagem diminuiu a vontade do Arsenal, que seguia exibindo um bom futebol. As melhores chances permaneciam com os Gunners e o momento não se quebrou nem mesmo com a saída de Chambers, lesionado aos 24. Com o passar dos minutos, o duelo ficou mais pegado. E, diante da inoperância do Chelsea, Frank Lampard não se furtou a mexer no time. Aos 34, Emerson Palmieri deu lugar a Jorginho, o que mudou o desenho tático da equipe. Os Blues melhoraram na reta final do primeiro tempo, com mais posse de bola. Todavia, não criaram grandes chances para empatar.

Defensivamente, o Arsenal também dava sinais positivos. A equipe demonstrava muita energia na marcação, em especial com a participação de Lucas Torreira na cabeça de área. Entretanto, o que parecia apenas uma queda ao final do primeiro tempo se transformou em sofrimento para a torcida da casa na volta do intervalo. O Chelsea continuou bem mais propositivo durante a etapa complementar e empurrou os anfitriões, que mal conseguiam sair ao ataque.

Ao longo do segundo tempo, o enredo do jogo se voltava à evolução defensiva do Arsenal. Apesar do controle de bola do Chelsea, os Gunners concediam poucas chances aos adversários. De qualquer maneira, finalmente o time de Frank Lampard indicava suas credenciais, com a participação ativa do trio composto por N’Golo Kanté, Jorginho e Mason Mount na organização. Além disso, o garoto Tariq Lamptey seria lançado pelo treinador na lateral, garantindo mais vigor no apoio pela direita.

O Arsenal via suas estrelas se desdobrarem na marcação, mas não representava perigo à frente. Quando os Gunners conseguiram encaixar contra-ataques, Jorginho matou as jogadas. Até houve grande reclamação pelo segundo amarelo ao meio-campista, que puxou de maneira flagrante Matteo Guendouzi, mas o árbitro aliviou ao não conceder a advertência. Contudo, nada que ocultasse a imensa queda de produção do Arsenal. Os anfitriões precisaram de 33 minutos para executar sua primeira finalização durante o segundo tempo, em bola ganha por Aubameyang que Joe Willock mandou para fora. O Chelsea, bem mais confiante, naturalmente chegaria à virada.

O gol de empate parecia por um triz, sobretudo em cabeçada de Tammy Abraham que Leno encaixou. O Arsenal realizava bloqueios decisivos dentro de sua área, com a participação destacada de David Luiz. Porém, o Chelsea deixou tudo igual aos 38 minutos. Mount cobrou uma falta pelo lado esquerdo da área e Leno falhou feio, ao errar o soco na bola. Com a meta aberta, Jorginho apareceu livre para cutucar às redes. Ainda existiam dúvidas sobre a posição do catarinense, mas o VAR validou o lance. E quando os Gunners tentaram acordar para vida, cederam o contragolpe fatal aos 42.

O tento decisivo teve enorme participação de Abraham e Willian. O ponta lançou o centroavante ainda no campo de defesa e disparou pela direita, antes de receber já na entrada da área. O brasileiro foi inteligente, ao abrir a marcação de David Luiz e devolver ao companheiro. Então, Abraham ratificou o seu talento como homem de área. Protegeu a bola, girou sobre Shkodran Mustafi e bateu por baixo de Leno. Lindo gol, que fez por merecer a transformação dos Blues ao longo da tarde. Apesar dos sete minutos de acréscimos, o Arsenal seguiu sem ameaçar no ataque e os visitantes até poderiam anotar o terceiro.

O Arsenal permanece em situação bastante desconfortável. O time conquistou apenas uma vitória nos últimos 15 jogos. São sete partidas em jejum dentro do Estádio Emirates, incluindo quatro derrotas consecutivas. As consequências da má fase se refletem diretamente na tabela, com o time no modesto 12° lugar, a seis pontos da zona de rebaixamento. Apesar de alguns sinais positivos neste domingo, ficou claro como a equipe se retraiu com o passar dos minutos e não soube lidar com as dificuldades que os adversários propuseram.

Já o Chelsea renasce em sua confiança. Os Blues também vinham de semanas oscilantes, sobretudo pelos tropeços em Stamford Bridge. Ao menos, o time venceu os dois clássicos fora de casa neste final de ano e permanece na quarta colocação. Os londrinos chegam aos 35 pontos, quatro a mais que o Manchester United. Frank Lampard arranca uma vitória em que reconheceu os erros e levou os créditos pela forma como sua equipe acuou o Arsenal.

Classificações Sofascore Resultados