Poucos jogadores se beneficiaram tanto da Copa das Confederações quanto Paulinho. Repetindo com a seleção brasileira o alto nível que era apresentado com o Corinthians há tempos, o volante recebeu a Bola de Bronze como terceiro melhor jogador da competição. A substituição nos minutos finais da decisão contra a Espanha, aplaudidíssimo pelo Maracanã, representou bem seu moral tanto com o público quanto com Luiz Felipe Scolari.

Nesta segunda, a prenunciada ida ao Tottenham acabou confirmada por Paulinho. Os Spurs venceram a concorrência com a Internazionale, único clube que também fez proposta formal pelo jogador, e pagarão € 20 milhões pelo negócio. O brasileiro se torna a quarta contratação mais cara do clube londrino, atrás apenas de Darren Bent, David Bentley e Luka Modric.

Paulinho chega à Europa como um rosto bem mais comum aos torcedores locais. No Mundial de Clubes e nos amistosos da seleção, o cabeça de área causava mais interesse do público pelas especulações envolvendo seu nome do que por uma sequência consistente em partidas internacionais. Agora, sua capacidade em dinamizar o meio-campo e aparecer como elemento surpresa no ataque já são conhecidas, aumentando consideravelmente suas credenciais.

O Tottenham com Paulinho e o Corinthians sem seu craque

Se Paulinho se despediu do Corinthians com lágrimas, o mesmo pesar foi sentido pela torcida. Afinal, Tite terá trabalho para encontrar alguém que substitua o volante. Trazido justamente como alternativa a Paulinho, Guilherme não demonstrou a mesma desenvoltura para sair ao ataque, mesmo tendo liberdade. Ibson não tem o mesmo potencial físico e ainda precisa se provar, após péssimo ano no Flamengo. Já Edenilson, que também não possui tantos predicados ofensivos, estava sendo preparado como próximo dono da lateral direita.

E uma questão maior se coloca sobre a eficiência do sistema de jogo de Tite sem o meio-campista. Paulinho foi essencial para o ótimo desempenho do Corinthians no último ano, tanto por sua qualidade na recomposição quanto pelo talento para assumir a armação do time em muitas ocasiões. Sem ele, é difícil imaginar que a engrenagem continue funcionando da mesma maneira.

Enquanto isso, o Tottenham ganha uma alternativa importante. Apesar de sua qualidade, Paulinho não era bem uma necessidade do elenco de André Villas-Boas, que também conta com Moussa Dembélé, Sandro, Scott Parker, Tom Huddlestone e Jake Livermore. Ter sido a “revelação” da Copa das Confederações ajuda o brasileiro a se colocar à frente da concorrência, como também permite uma mudança no estilo de jogo dos londrinos.

Em sua primeira temporada à frente dos Spurs, Villas-Boas escalou o time basicamente no 4-2-3-1. No entanto, o português nem sempre teve uma opção confiável na meia central. Clint Dempsey e Lewis Holtby oscilaram na posição e Gareth Bale foi deslocado ao setor na reta final da Premier League. Com Paulinho, AVB poderá repetir o 4-3-3 que o consagrou no Porto. O brasileiro tem chances de formar um fortíssimo trio com Sandro e Dembélé, se alternando com o belga nas subidas ao ataque e dando uma boa sustentação defensiva aos Spurs.

Pelo estilo de seu jogo, Paulinho tem condições de elevar ainda mais seu patamar na Premier League. Chega respeitado e em um time de ponta, em situação bastante diferente à frustrada passagem por Lituânia e Polônia no início da carreira. Quem sabe, para honrar as palavras de Juan Román Riquelme, que o chamou de “fenômeno” e de “Lampard negro” na última edição da revista El Gráfico.