Acostumado a momentos decisivos como jogador, especialmente com os chutaços de fora da área, Frank Lampard mostrou talento e precisão para o mesmo a partir da casamata. Ao ver seu time dominado pelo Leeds United e perdendo por 2 a 0 no agregado dos playoffs da Championship, o treinador do Derby County não esperou o fim do primeiro tempo para fazer a alteração que mudaria não só um nome em campo, mas toda a história do jogo. A vitória por 4 a 2 fora de casa do Derby coloca o time na decisão dos playoffs da segundona inglesa, marcada para o dia 27 de maio, contra o Aston Villa, em Wembley.

É difícil perder velhos hábitos. A temporada do Leeds United, além do futebol por vezes impressionante e dos episódios extracampo estrelados por Marcelo Bielsa, foi marcada também por bobeadas em certas partidas em que pontos importantes escaparam.

A história parecia ser diferente nesta quarta-feira, no Elland Road, contra o Derby. Os Whites haviam vencido o jogo de ida em Derby por 1 a 0 e, na primeira etapa no jogo desta quarta, dominava as ações. Marcou o primeiro gol com Stuart Dallas aos 24 minutos, aproveitando vacilo da zaga e pegando o rebote de uma falta levantada na área, e seguiu em cima do adversário, buscando o gol que poderia aproximá-lo ainda mais da classificação.

Entretanto, os erros de sempre reapareceram. O experiente goleiro Kiko Casilla vinha tendo uma partida esquisita, com saídas atrapalhadas do gol. Em uma delas, aos 45 do primeiro tempo, começou a reação do Derby.

Vendo seu time sobrepujado, Lampard não esperou o intervalo. Aos 44 minutos, tirou Duane Holmes e colocou o mais ofensivo Jack Marriott, buscando levar mais perigo ao gol do arqueiro espanhol. Em seu primeiro lance, o substituto aproveitou falha de saída de Casilla, que se enroscou com o zagueiro, e marcou livre o empate em 1 a 1.

O golpe do gol sofrido no fim da primeira etapa claramente afetou o Leeds. A conversa de intervalo não adiantou, e o Derby voltou voando para fazer 2 a 1 no primeiro lance do segundo tempo. Mason Mount, em jogada individual e desequilibrado, bateu todo esquisito na bola, botando curva e tirando-a do alcance de Casilla.

Ainda aos 12 minutos do segundo tempo, o zagueiro do Derby Liam Cooper cometeu pênalti bobo em Mason Bennett, convertido por Harry Wilson.

O 3 a 1 pouco tempo durou. Quatro minutos depois, o Leeds diminuiu para 3 a 2 com Stuart Dallas novamente. O resultado no agregado era de 3 a 3, e a partida se encaminhava para a prorrogação. Até que, aos 40 minutos do segundo tempo, Jack Marriott, o mesmo que havia entrado pouco antes do intervalo, apareceu para completar boa jogada do Derby e bater por cima de Casilla, fechando o 4 a 2.

Lampard irá reencontrar John Terry, hoje auxiliar do Aston Villa. Dupla colecionou títulos no Wembley (Getty Images)

O Leeds até tentou buscar a reação, mas havia perdido Gaetano Berardi aos 33 do segundo tempo por expulsão. O cartão vermelho para Scott Malone aos 46 minutos, deixando ambas as equipes com dez em campo, deu um pouco de esperança para o time da casa, mas o tempo estava se esgotando, e os cinco minutos restantes de jogo não foram suficientes para que a equipe de Bielsa alcançasse o gol que daria vida à prorrogação.

Leeds e West Bromwich, respectivamente terceiro e quarto colocados da fase de pontos corridos da Championship, estão oficialmente fora da disputa pela última vaga de acesso à Premier League. Quinto e sexto colocados, Aston Villa e Derby County agora se enfrentam em jogo único na final dos playoffs da segundona, em 27 de maio, no Wembley.

Campeão da primeira final de Copa da Inglaterra no novo Wembley, Lampard venceu mais três títulos da FA Cup no estádio, em um deles marcando o gol da conquista, em triunfo por 2 a 1 sobre o Everton em 2008/09. Na temporada seguinte, na vitória de 1 a 0 sobre o Portsmouth, desperdiçou pênalti que poderia ter ampliado o placar. Conhece, portanto, a glória e a decepção no estádio (muito mais a glória). Sua experiência e seu olhar sobre o jogo, assim como nesta quarta-feira, podem ser o diferencial para um Derby que busca voltar à elite do futebol inglês e compensar a pior temporada já feita por um clube na Premier League, em 2010/11, quando somou irrisórios 11 pontos e terminou com saldo de 69 gols negativos.